quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Yanomami

Toy Art Yanomami

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
233YanomamiYanoama, Yanomani, IanomamiYanomami
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RR, AM19338DSEI Yanomami - Sesai 2011
Venezuela160002009



Os ianomâmis, Yanomami, Yanoama, Yanomani ou Ianomâmis são índios caçadores-agricultores que habitam o Brasil e a Venezuela. Compõe-se de quatro subgrupos: Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam. Cada subgrupo fala uma língua própria: juntas, elas compõe a família linguística ianomâmi. A tribo Ianomâmi é a sétima maior tribo indígena brasileira, com 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima, estão situadas 197 aldeias que somam 9 506 pessoas e, a norte do Amazonas, estão situadas 58 aldeias que somam 6 510 pessoas.

Etimologia

"Yanomami" é uma palavra criada pelos antropólogos a partir da expressão ianomâmi yanõmami thëpë, que significa ser humano, por oposição a yaro (animal de caça), yai (ser invisível ou sem nome) e napë (inimigo, estrangeiro, branco, não yanomâmi).

Localização

Território Yanomami


No Brasil, as aldeias yanomâmi ocupam a grande região montanhosa da fronteira com a Venezuela, numa área contínua de 9 419 108 hectares: a Terra Indígena Yanomami. Na Venezuela, os ianomâmis ocupam a Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, com 8,2 milhões de hectares.[9] A área total ocupada pelos ianomâmis no Brasil e na Venezuela é de 192 000 quilômetros quadrados. Abrange a região entre as bacias dos rios Orinoco e Amazonas.

Em sua maior parte, o território está coberto por densa floresta tropical úmida. O território é bastante acidentado, principalmente nas áreas próximas às serras Parima e Pacaraíma, onde se tem a maior concentração da população ianomâmi no Brasil. Os solos são, em sua grande maioria, extremamente pobres e inadequados à agricultura intensiva. O Pico da Neblina, o ponto culminante do Brasil, está localizado dentro da Terra Indígena Yanomâmi e do Parque Nacional do Pico da Neblina, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Sociedade

As aldeias, que podem ser constituídas por uma ou várias casas (malocas), mantêm, entre si, vários níveis de comunicação, desenvolvendo-se relações econômicas, matrimoniais, rituais ou de rivalidade. As suas malocas são casas comunitárias circulares chamadas yano ou shabono que podem acomodar até 400 pessoas. As áreas centrais das casas são o espaço para festas e rituais. Os homens se ocupam principalmente da caça, enquanto as mulheres se dedicam à agricultura (banana, milho, mandioca, batata, frutas, tabaco, algodão) e à coleta de castanhas, larvas, mariscos e mel. A pesca é exercida tanto pelos homens como pelas mulheres. Não existem chefes nas aldeias ianomâmis: todas as decisões são tomadas por consenso.

Religião

A religião ianomâmi baseia-se na visão pelos pajés de espíritos chamados xapiripë, através da ingestão de um rapé alucinógeno chamado yakoana ou yãkõana (Virola sp.).[13] Festas também costumam ser celebradas para marcar acontecimentos como a coleta da pupunha e os funerais (festa do reahu).

História

Por volta do ano 1000, os ancestrais dos atuais ianomâmis ocuparam as cabeceiras do rio Orinoco e a serra Parima. Por volta de 1300, começou o processo de diferenciação das atuais quatro línguas da família ianomâmi. Até o fim do século XIX, os ianomâmis só mantinham contato com os grupos indígenas vizinhos. A partir do início do século XX, começaram a entrar em contato com não índios: extrativistas, missionários, soldados, funcionários do Serviço de Proteção ao Índio etc.[15] A década de 1970 foi marcada por grandes projetos do governo do Brasil que tiveram grande impacto sobre os ianomâmis: a construção da rodovia BR-210, programas de colonização pública e o projeto Radambrasil, que detectou importantes jazidas minerais no território ianomâmi.

A descoberta dessas jazidas levou a uma grande invasão garimpeira no período de 1987 a 1992, atraída pelas reservas de ouro, cassiterita e tantalita, com a ocorrência estimada de 1 500 mortes entre a população ianomâmi. Visando a proteger a população ianomâmi dos garimpeiros, em 25 de maio de 1992, a terra indígena ianomâmi foi homologada pelo presidente Fernando Collor. Em 2004, os ianomâmis brasileiros fundaram a associação Hutukara (termo que significa "a parte do céu do qual nasceu a terra") para defender seus direitos. Em 2011, foi a vez de os ianomâmis venezuelanos criarem sua própria associação, a Horonami.

Vocabulário/Dicionário
ianomâmi / yanomami — português


Amotha-Naki = dente de paca
Amotha-Mamo = pó mágico de paca
Akawe = segundo marido de Helena Valero, do grupo yanomami venezuelano Pumabiwetheri
Anhakorami = japim
Ara = arara
Ara-mamo = pó mágico extraído de uma ciperácea
Arariwe = espírito de arara
Aroari = pó mágico encantador
Ararixapo = anticoncepcional
Athari = tipo de ponta de flecha feita com osso de macaco, para atirar nos peixes
Ati-atimou = piscar
Axokama-Kehi = planta cuja casca serve para preparar curare
Epena = pó alucinógeno, usado pelos pajés yanomami nas sessões e curas xamânicas
Exe-exeme = macaco-da-noite
Hakimou = dança noturna de homens e mulheres nas festas
Hama = hóspede
Hama-hiri = mundo subterrâneo, habitado pelos yanomami decaídos
Hasubuetheri = grupo yanomami venezuelano, por onde passou Helena Valero
Hau-haumou = rito de intercâmbio econômico, nas trocas entre os grupos amigos
Hawari = castanha-do-pará
Hawarinhoma = espírito protetor da castanha-do-pará
Haximo-mamo = pó mágico, tirado de uma ciperácea
Haxo = macaco branco
Haxoriwe = espírito do macaco branco
Haya = veado
Hayariwe = espírito do veado
Heahaturiwe = espírito da areia movediça
Heha = terreiro
Hekura = espírito do mundo religioso yanomami; o pajé também é chamado hekura nas suas funções xamânicas
Hekuramou = exercitar ou exercer o ofício de pajé
Hekurawethari = os donos dos espíritos
Heni = plantas com poderes mágicos
Heniomi = caça
Heniomou = caça coletiva, que dura vários dias
Hetehiya = ariranha
Hera = certamente, já
Hetumisi-ham+ = céu
Hewe = morcego vampiro
Hiima = cachorro
Hiitehi = árvore
Hiitehibe = árvores
Himo-himo wake = uma fruta do mato de cor vermelha
Himou = convidar oficialmente um grupo, para participar de uma festa
Hinho-kami = pauzinho do enfeite para o septo nasal
Hiro = macaco guariba
Hoari = fuinha
Hoaxi = macaco caiarara
Hoko-hokomi = macaco zogue-zogue
Homiathawe = gavião ancestral
Horonami = inambu-relógio
Hosomi = macaco barrigudo
Husi = ponta, bico, furo
Husi-hami = perto do lábio
Husiwe = primeiro marido de Helena Valero do grupo yanomami venezuelano dos Namewetheri e chefe dos Ironasitheri (Venezuela)
Hutukurema-misi-tobe = espinho de uma solanácea
Huxuo = zangado, com raiva
Ibaye = é meu
Ihama = preguiça
Ihiru = menino
Ihiru-kikë = planta cheirosa mágica
Inhewetheri = grupo yanomami venezuelano, conhecido por Helena Valero (os da cor do sangue)
Ipoyewe = macaco-de-cheiro
Ira = onça
Iranhoma = espírito feminino da onça
Irariwe = espírito masculino da onça
Ironashiteri = grupo yanomami do baixo Marauiá, que mora no Apui
Iwa = jacaré
Iwariwe = espírito do jacaré
Ixi = preto, queimado
Kahë = tu
Kaherarao = buracos, tocas
Kahiki = boca
Kai-kesi = pele queimada
Kaimou = consultas noturnas entre membros de uma aldeia
Kaisarariwe = sobrinho do espírito do trovão
Kamabisiwe = mosquito
Kana-aki = paus cruzados
Kanimari = líquido de sorva
Kapirosi = trançado
Karawethari = grupo yanomami do Marauiá, que reside normalmente perto da missão
Kariama-ha-ikii = ritual que se celebra na última noite da celebração de festas, com encontros amorosos de casais no térreo na aldeia, à vista de todos os presentes
Kariné = rupo yanomami do médio Catrimani
Kasi-hami = perto de
Kat-Amou = rito noturno de trocas
Katikirema = pretérito perfeito de katikai = pisar, chupar, dar pontapé
Kaweiki = barbudo
Kaxa = tapuru           [bicheira? cupim? árvore?]
Kaxixerimi = banana-prata
Kiripema = pó mágico que provoca medo
Kohoroxithari = grupo yanomami do rio Maturacá
Kokema = pretérito perfeito de koo = chegar
Komixi = palmeira
Kona-kona = formiga preta
Korori-kehi = tavari, árvore de cujas cinzas, com um processo de lixiviação, se extrai um produto que se usa para temperar alimentos
Koxiremi = gênio silvestre que atrai os homens
Kua-kure = é mesmo
Kui = não sei
Kumi = cipó
Kumi-mamisitohiki = pó cheiroso de pau angélica
Kumi-tho tho = pó mágico encantador, tirado de um cipó
Kurata = banana pacovã [sic]
Kuratanhoma = espírito feminino da banana e também uma celebração ritual
Kutao = é suficiente, chega
Mahekiditheri = grupo yanomami venezuelano
Maii-keko = resina, breu
Maikoxiki = breu
Makararo-Kohi = planta rosácea com sementes comestíveis
Makukuximi = macaco-da-noite
Makurutami = macaco-da-noite
Mamokori = cipó venenoso com o qual se prepara curare
Manhepi = tucano
Manhepiriwe = espírito de tucano
Manhepi-sike = pó mágico de uma ciperácea
Manho = caminho
Mapuu = líquido irritante que se extrai do cipó
Mara-mamo = pó mágico de cujubim
Maraxi = cujubim
Maraxi-mamo = pó mágico de ciperácea
Mixi-mixima-henaki = folha da família das gramíneas [gramináceas, no orig.]
Moheki = rosto
Mohomi = gavião-real
Moka = rã
Mokohiro = taboquinha que os pajés usam para soprar o pó alucinógeno (paricá)
Mothokariwe = espírito do sol
Mumbuhema = pó mágico de ciperácea
Nabruxi = pau para cacetar na coroa da cabeça
Naiki = estar com vontade de comer carne
Nakami = de naka = vulva, que quer dizer filhinha
Namo = cortante, amolante, cf. pei-namo
Namowetheri = grupo yanomami venezuelano, onde morou Helena Valero
Napanhoma = mulher estrangeira, branca
Nape = branco, estrangeiro, inimigo
Nara = urucu ou bixa orellana
Nasi-nasi = mentiroso
Nhipimou = menstruar [mestruar, no orig.]          [será Na...? fora de ordem!]
Nhaahena = folha
Nharu = espírito do trovão
Nhii = rede
Nhono = milho
Noporebe = alma do falecido que vai para o além
Norami = aparência, sombra
Norexi = totem, alter ego
Nouhutibi = aparência, sombra
Ohiriwe = chefe dos yanomami do Maturacá, da época do rapto de Helena Valero
Oka = indivíduo perigoso e hostil, inimigo
Okakëbë = espíritos maus das matas
Oma-oma-asitaki = casca de pau
Omawe = herói ancestral yanomami
Opo = tatu
Opo-mamo = pó mágico de ciperácea
Orahite = pescoço
Oramisiwe = poraquê
Oru = cobra em geral
Pakatarimi = pacova
Paitee = sujo
Parimi = eterno
Paruri = mutum
Paruri-namo = pó mágico de uma ciperácea
Para-pata = pajé mais prestigioso dos Karawethari, fonte e amigo caro de Pe. Luís  [em itálico no orig.]
Pata = grande
Patamou = ritual de notícias e decisões
Pauximi = banana
Paxo = macaco coatá
Paxoriwe = espírito do macaco coatá
Payoari = arbusto de mato que, cortado, conserva a cor branca, sem amarelar
Pehihoo = poder que tem o pajé para extrair substâncias mágicas
Pei-ke-yo = caminho
Pei-makt = rocha, encosta da montanha
Pei namo = ponta de flecha envenenada com curare
Peribo¹ = tipo de cogumelo branco
Peribo² = lua
Peribo-haya-kesiki = quarto de lua
Periboriwe = espírito de lua
Pesima = perizoma pubiano    [?]
Pexi = ardoroso sexualmente, desejoso de sexo
Pirahuri = índios do rio Demeni
Pixaasitheri = grupo yanomami venezuelano, conhecido por Helena Valero
Piriomi = chefe, tuxaua
Pohoro = lasca de pauzinho de cacau, para acender o fogo
Pohorobiwetheri = grupo yanomami do Marauiá, que reside perto da Serra Imeri
Poko = braço
Poproko = planta cheirosa, pó mágico de uma ciperácea
Pore = espírito fantasma do falecido
Porehimi = uma árvore que sempre perde a casca
Poxe = caititu
Poxe-naki = maxilar para lavrar o arco de pupunheira
Poxeriwe = espírito do caititu
Poxewe = herói ancestral
Poxohawe-mosi-henaki = folha de planta da família das gramíneas  [gramináceas, no orig.]
Praii = entrada solene no terreiro, ao começo da celebração da festa e nos outros dias de festa
Preari = veado branco
Prei-prei = sapinho
Preinhoma = mulher ancestral, mulher do sapinho prei-prei
Proro = lontra
Prororiwe = espírito da lontra
Pruka ou bruka = muito
Pruxima = tipo de tatu
Pukimabiwetheri = grupo yanomami de Marauiá, que reside perto da Serra Imeri
Puriwari = estrela
Puu-uk+nia = mel
Rahaka = ponta de flecha de forma lanceolada, feita com bambu
Rahariwe = monstro aquático ancestral
Rama = caceria de curta duração
Rami = caceria de curta duração
Raxa = pupunha
Raxa-husi = pau de pupunheira para cavar buraco
Raxawe = chefe dos Xamathari que protegeu Helena Valero
Raxanhoma = espírito protetor da pupunha
Reamo = lagarto de igarapé
Reahu = festa típica yanomami
Reahumou = celebrar a festa
Rehi-hena = pó mágico de uma ciperácea
Rehokixi-xeyou = duelos esportivos de golpes manuais no tórax
Reimi = mocinha que foi obrigada, pela mãe, a abortar = acordada
Riximakeke = larva de uma espécie de cupim
Rixima-kike = larva de uma espécie de térmites  [sic]
Rokomi = uma espécie de banana-roxa
Romi-Hena = pó mágico ancestral
Ruhumasi = flechinha feita com talo de palmeira
Rurupa = imperativo do verbo rura = fazer ir
Ruwe = verde, não maduro
Sanema ou Sanuma ou Sanima = subgrupo yanomami, muito influenciado pelos índios Yekuana ou Maquiritare da Venezuela
Siroromi = gênio silvestre que abusa sexualmente das mulheres
Suhirima = herói ancestral yanomami que atirou na lua (escorpião)
Suhirimariwe = espírito do escorpião
Sunokama = pedaço de bambu para cortar cabelo
Suri-Surimi = passarinho vermelho
Suwe = mulher
Suwe-mamo = pó mágico encantador
Suweke-mamoki = pó mágico de uma ciperácea
Suwe-pata = pó mágico encantador
Suwe-o ata-tooko = afrodisíaco de plantas do gênero ancanthaceae  [sic]
Suwe-henaki = pó mágico encantador
Suwe-yaoarihena = pó mágico encantador
Suwe-yawari = pó mágico encantador
Taamamou = rito da iniciação teúrgica
Tabra = pó mágico
Tahimiriwe = protetor do relâmpago
Tatokomi = esposa do espírito do trovão
Tebe = formigueiro, tamanduá-bandeira
Texinaki = rabo
Texo = beija-flor
Texoriwe = espírito do beija-flor
Thara-thara = folha que substitui o tabaco
Thomi-mamo = pó mágico de cutia
Thomi-naki = instrumento que serve para fazer incisões, feito com dente de cutia
Thora = taboca para colocar objeto
Tipikiwe = pontinho
Titiri = noite
Titiriwe = espírito protetor da noite
Toaomiriwe = sobrinho do espírito do trovão
Tobe = miçanga
Tokama = jovem yanomami central, que foi assaltada pela onça e que deu origem aos dois heróis ancestrais yanomami: Omawe e Yoawe
Tokotokama = passarinho
Tomi = cutia
Tomi-tomi = ladrão
Tomi-hewe = cabeça de cutia
Tomi-mamo = pó mágico de uma ciperácea
Tomiriwe = espírito da cutia
Tomo = calango liso
Tori = carrapato
Tororoatheri = grupo yanomami venezuelano
Totori = jabuti
Totoriwe = espírito do jabuti
Unokai = homicida, assassino
Urihi = floresta, mato (o habitat yanomami com toda a sua totalidade de vida)
Uxi-uxirimi = banana-roxa
Wahati = órfão, com frio
Waika = apelido depreciativo dado aos yanomami pelos outros, termo que deriva do verbo waikai = matar
Waikonha = sucuriju
Waikonhariwe = espírito de sucuriju
Waitheri = brabo, agressivo, belicoso, feroz, corajoso
Waka = tatu-canastra
Wakariwe = espírito do tatu-canastra
Waka-wakatheri = grupo yanomami venezuelano
Wanhamou = ritual como jornal falado e cantado noturno, para trocas
Warahiko = calango vermelho
Warapa-keko = breu, resina
Ware = queixada
Warixana = bondoso, generoso, hospedeiro
Waro = homem
Warora = caracol, lesma
Warukue = glutão, sujo
Wathoriwe = espírito do vento
Watoxe = perizoma                   [?]
Wtt = tubo              [?; também fora de ordem alfabética]
Wawanawetheri = grupo yanomami do rio Maia, perto da fronteira com a Venezuela, vizinhos dos yanomami do rio Maturacá
Werehi = papagaio real
Werehiriwe = espírito do papagaio real
Wixa = macaco cuxiú
Wixahena = passarinho vermelho
Wixariwe = espírito do macaco cuxiú
Xabo = pó mágico encantador
Xabono = casa comunitária típica dos yanomami
Xamakoro = mamão
Xamakoranhoma = espírito protetor do mamão
Xama = anta
Xama-mamo = pó mágico de anta
"Xamanismo = prática de iniciação para pajé"   [não é termo ianomâmi]
Xamarinhoma = espírito feminino da anta
Xamariwe = espírito masculino da anta
Xamathari = denominação de um subgrupo yanomami, que abrange aproximadamente os moradores da região do Mavaca, Siapa, Marari, Maturacá, Maia e Marauiá (são denominados assim porque são comedores de anta, animal muito encontrado nessa região)
Xami = ruim, mal, feio
Xapo = borboleta branca, cujo pó tem poder mágico
Xaririwe = reto, direito
Xarokoe = fraco, pálido
Xawara = doença contagiosa e mortal (epidemia)
Xawara hesi = roupa que provoca doença contagiosa e mortal
Xeiwe ou Xetewe = meu filho
Xereka = flecha
Xiheriwe = herói ancestral yanomami, formiga tucandeira
Xi-imi-imi = sovina, avarento
Ximiyeteobewe = preguiça pequena
Xinakorinhoma = heroína ancestral yanomami
Xinarinhoma = espírito protetor do algodão
Xirakowe-mi-asi = musácea silvestre
Xirixana = subgrupo yanomami (cf. yanomami)
Xitikarinhoma = mulher ancestral yanomami
Xoabeye = meu avô, meu tio
Xoko = mambira
Xorona = banana verde
Xororiwe = andorinha
Xotari-waki = lugar onde são castigados os maus
Xoto = cesto, balaio
Xuhema = abano
Yai ou Yamari = espíritos maléficos
Yao = maracajá
Yakirawe = cruzado
Yanomami = conjunto de grupos localizados entre as fronteiras de Venezuela e Brasil, que compartilham a mesma cultura material e intelectual. Temos outras denominações: yanoama, yanomama, yanomamö, yanomane, yanomam, yanomamë, yanam. P.S.: Os apelidos Xiriana, Xirixana, Guajaribo, Waika são denominações impróprias dadas aos yanomami e são inaceitáveis por parte deles
Yarothoma = a mãe de Husiwe
Yawari ou Yai = espírito do mato
Yawere = incestuoso
Yetu = antigo
Yoasiwe = herói ancestral
Yo-yo = sapo
Yoawe = herói ancestral yanomami gêmeo de Omawe
Yoka = abertura de entrada e saída, também pei yo
Yorekiritami = pequeno beija-flor que roubou o fogo do jacaré


NOTA LINGÜÍSTICA
Na transcrição dos termos yanomami que ocorrem neste livro se utiliza, em geral, o alfabeto lingüístico internacional, à exceção dos sinais:

ñ Ñ = nh Nh
sh Sh = x X
+ = i  (no final de palavras yanomami nasalizadas e do k).
ë = e  (no final de palavras yanomami que acabam com we ou ye, por exemplo: hewe ou ibaye).

Preferiu-se transcrever desse modo, para facilitar a impressão tipográfica do livro, que não é um livro técnico-lingüístico.






Fonte: LAUDATO, Luís. Yanomami pey këyo: o caminho yanomami. Brasília: Universa, 1998. "Glossário", p. 315-9.

Xavante

Toy Art Xavante

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
224XavanteAkwe, A´uwe
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT15315Funasa 2010



Os Xavante tornaram-se famosos no Brasil em fins da década de 1940, com a massiva campanha que o Estado Novo empreendeu para divulgar sua “Marcha para o Oeste”. A campanha promoveu a equipe do SPI (Serviço de Proteção aos Índios) por seu trabalho de “pacificação dos Xavante.” No entanto, o grupo local que foi “pacificado” pelo SPI em 1946 constituía apenas um dentre os diversos grupos xavante que habitavam o leste do Mato Grosso, região que o Estado brasileiro então procurava franquear à colonização e à expansão capitalista. Na versão Xavante, é importante notar, foram os “brancos” os “pacificados”. De meados da década de 1940 a meados da de 60, grupos xavante específicos estabeleceram relações pacíficas diversificadas com representantes da sociedade envolvente – representantes diferenciados entre si, incluindo equipes do SPI, missionários católicos e protestantes.

Os agentes do contato e as maneiras como este se deu influenciaram os grupos xavante de distintos modos. Crenças e práticas religiosas, bem como algumas instituições sociais e práticas cerimoniais foram afetadas, em especial entre aqueles que travaram contato com missionários, sejam eles católicos ou evangélicos. Apesar desses impactos, a Cultura Xavante continua a se manifestar com extrema vitalidade, sendo retransmitida de geração em geração através da língua e de inúmeros mecanismos sociais, cosmológicos e cerimoniais. Para além de algumas diferenças notadas pelos etnógrafos entre os diversos grupos locais xavante por conta das referidas experiências distintas de contato, a língua comum, os padrões de organização social e instituições, as práticas cerimoniais e a cosmologia definem os Xavante como uma totalidade social. Suas comunidades, contudo, são politicamente autônomas, ainda que às vezes se unam para atingir objetivos comuns.

Guerreira Xavante pintada de vermelho no desfile das Cunhã Porã na Arena I dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI)

O povo indígena brasileiro xavante, autodenominado A'uwe ("gente") ou A'wẽ Uptabi ("povo verdadeiro"), pertence linguisticamente à família linguística jê, a qual, por sua vez, pertence ao tronco linguístico macro-jê. Sua língua é chamada akwén ou aquém (também grafada "acuen"). A população xavante soma, atualmente, cerca de 15 315 indivíduos distribuídos em 12 terras indígenas - todas elas localizadas no leste do estado de Mato Grosso e Goiás. São elas:

Marãiwatsédé
Marechal Rondon
Sangradouro/Volta Grande (juntamente com índios Bororo)
São Marcos
Areões
Areões I
Areões II
Parabubure
Pimentel Barbosa
Chão Preto
Ubawawe
Wedezé.

Oito delas estão homologadas e registradas; duas encontram-se em processo de identificação; uma está reservada e registrada e uma está identificada e aprovada mas sujeita a contestação.

Atualmente, a população xavante no Brasil está em crescimento. Em 2009, era de aproximadamente 10 000 pessoas. Em 2010, segundo a Fundação Nacional de Saúde, era de 15 315 pessoas. Tinham, como atividade predominante até a segunda metade do século XX, a caça, a pesca e a coleta de frutos e palmeiras. Formam, junto com os índios xerentes, um conjunto etnolinguístico conhecido na literatura antropológica como acuen ou aquém, pertencente à família linguística jê, do tronco macro-jê.

Pintam-se com jenipapo, carvão e urucum, tiram as sobrancelhas e os cílios, usam cordinhas nos pulsos e pernas e a gravata cerimonial de algodão. O corte de cabelo e os adornos e pinturas são marcadores de diferença dos xavantes em relação aos outros, transmitida através dos cantos pelos ancestrais e partilhados com todo o povo da aldeia.

História

Houve tentativas de integração com a sociedade brasileira em meados do século XIX, mas optaram por distanciar-se, migrando entre 1830 e 1860 em direção ao atual estado do Mato Grosso, onde viveram sem serem intensivamente assediados até a década de 1930. Em 1982, o cacique xavante Mário Juruna tornou-se o primeiro indígena brasileiro a se eleger deputado federal no país. Na década de 1990, os xavantes tiveram várias experiências novas com os "estrangeiros", como: um intercâmbio realizado com a Alemanha; a implementação de um projeto de educação bilíngue; e uma parceria musical com a banda de heavy metal Sepultura em seu álbum "Roots".[11]

Distribuição

A região onde vivem hoje tem grande rede hidrográfica formada pelas bacias dos afluentes dos rios Culuene e Xingu e das Mortes e Araguaia. É dessa região de floresta tropical, mato e savana, com árvores baixas e altas, que os índios retiram o alimento e os materiais para seus artesanatos, armas, instrumentos musicais e as ocas, dispostas em forma circular. Ali, também buscam caças, frutos, palmeiras e pescados.

Devido à atual ocupação da região pelas culturas da soja e do gado, bem como outras monoculturas agrícolas, o uso de pesticidas e a diminuição das matas, seu modo de vida ligado à caça e à coleta tem mudado bastante. Muitas vezes, a "caça" e a "coleta" são deslocadas da mata para as cidades vizinhas, onde vão adquirir alimento e coisas dos "estrangeiros".

Tradições e rituais

Na literatura antropológica, os xavantes são conhecidos principalmente por sua organização social de tipo dualista, ou seja, trata-se de uma sociedade em que a vida e o pensamento de seus membros estão constantemente permeados por um princípio dual, que organiza sua percepção do mundo, da natureza, da sociedade e do próprio cosmos como estando permanentemente divididos em metades opostas e complementares.

Sua tradição tem uma maneira própria de ser transmitida e transformada, através de relatos, rituais e ensinamentos. A escrita é uma necessidade para qual o povo xavante se adaptou, com o intuito de reivindicar seu espaço na sociedade nacional e internacional. Os xavantes têm uma organização supostamente dualista e essa percepção da vida como um todo divide tudo permanentemente em metades opostas e complementares, mas há outras formas de divisão coletiva e organização das relações, como em trios ou quartetos. Esta é a chave da cultura dos xavantes. Existe também a corrida de buriti, denominada de uiwede, uma corrida de revezamento em que duas equipes de gerações diferentes correm cerca de 8 quilômetros, passando um tora de palmeira de buriti de cerca de 80 quilogramas de um ombro para o outro até chegarem ao pátio da aldeia.

Desde pequenos, os meninos formam grupos de idade semelhante. A primeira cerimônia pública de que os meninos participam é o ói'ó, em que os meninos demonstram sua coragem, seus medos, sua fraquezas através da luta com clavas. Quando chega o tempo certo, os mais velhos decidem a entrada dos meninos no Hö (casa tradicional, especialmente construída numa das extremidades do semicírculo da aldeia, para a reclusão dos wapté durante o período de iniciação para a fase adulta), onde os meninos vão viver reclusos por cinco anos. Todo menino xavante, de 10 a 18 anos, passa por esse período de reclusão de cinco anos na casa dos solteiros, onde o jovem permanece sem contato com a tribo. Nesse período, o jovem fica todo o tempo no Hö. Ele só deixa a casa para rituais e para atividades fora da aldeia, como caça e pesca.

O ritual de furo de orelha acontece quando os wapté saem definitivamente do Hö, ou seja, na passagem da adolescência para a vida adulta. Após os cinco anos, acontece, na aldeia, a festa chamada Danhono, onde a orelha dos jovens é furada, sendo o furo preenchido com um cilindro de madeira que os xavantes acreditam ser indutor de sonhos. Atualmente, os xavantes jovens criaram uma analogia entre esses cilindros e as antenas: os cilindros seriam como "antenas" que captam os pensamentos dos ancestrais xavantes durante os sonhos. Após o ritual, os jovens passam a ser considerados adultos e voltam ao convívio social com a tribo.

Destaca-se, também, ultimamente, a grande popularidade da prática do futebol entre os xavantes.

Sateré Mawé

Toy Art Sateré Mawé

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
178Sateré-MauéSateré-MauéMawé
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
AM10761Funasa 2010


Inventores da cultura do guaraná, os Sateré-Mawé domesticaram a trepadeira silvestre e criaram o processo de beneficiamento da planta, possibilitando que hoje o guaraná seja conhecido e consumido no mundo inteiro.

Maués ou mawés é o nome de uma tribo indígena, também conhecida por sateré-maué, sateré-mawé, maooz, mabué, mangués, manguês, jaquezes, maguases, mahués, magnués, mauris, maraguá, mahué e magueses. Falam a língua sateré-mawé, integrante única da família lingüística de mesmo nome, pretencente ao tronco tupi.

“Nós somos como um pássaro no mundo”, palavras de um índio Maué (PEREIRA, 1954).

Origem

Atribuem a sua origem ao cadáver (icançoque) do filho de Onhiámnuaçabê, plantadora e conservadora do Noçoquém. Depois da tribo dos tapajós, tornou-se a mais numerosa naquela região de confluência do rio Tapajós.

Teve como principal inimigo a tribo mundurucu e seus vizinhos, os apiacás, os kawahib-parintintins, os andirazes e os muras.

Etimologia

Segundo algumas fontes, o nome da tribo seria uma junção das palavras sateré, que significaria "lagarta de fogo", e mawé, que significaria "papagaio inteligente e curioso". Por outro lado, um estudo conduzido por professores da Universidade Federal do Amazonas indica que os índios reconhecem o nome "Sateré-mawé", mas que o termo "Mawé" seria desconhecido por eles, e não significaria papagaio. Um índio entrevistado afirmou que a palavra era usada pelos brancos que não gostavam dos índios, e derivaria de "mau é".

Costumes

Os jesuítas chegaram na região em 1659, com a fundação da missão de Tupinambarana, fazendo cessar o comportamento dos maués com os restos mortais de seus pares, que consistia na defumação do cadáver, mumificando-os, e uso de urnas funerárias, casas especiais, na companhia de ídolos de pedra.

A puberdade das suas mulheres e homens eram acontecimentos marcados com rituais de extremo valor na comunidade. Os homens eram submetidos à prova das formigas tucandeira - são instigados a colocar a mão em uma luva de palha trançada infestada de formigas tucandeira (ou tocandira), e aguentá-las durante pelo menos 15 minutos, enquanto todos os índios dançam ao redor em uma música em língua local.

Em seguida, a luva é repassada ao índio do lado (que também deve aguentar os 15 minutos), e assim por diante, até passar por todos os adolescentes que estão a ingressar em vida adulta. É comum assim, passar o resto do ritual com as mãos inchadas e vários efeitos consecutivos, como febre, câimbra, vermelhidão nos olhos, etc.
Alegoria dos Saterés Mawés - Guaraná e jovem adolescente passando pelo ritual das formigas tocandiras
arte Luiz Pagano

Os maués mantinham um amplo comércio de guaraná, de objetos e ornatos de plumas. Por seu vasto e estabelecido comércio do guaraná estão no célebre mapa do padre Samuel Fritz, em 1691, bastante conhecido dos viajantes descidos do Alto Madeira e do Alto Arinos.

Eram sedentários e de ânimo pacífico, valentes, corajosos, destemidos e vingativos. E defendiam a cultura pré-colombiana, que tinha como fundamento o guaraná, vínculo a terra pela agricultura, onde teve sua origem mítica, na teimosa atitude de Uaçiri-Pot, o grande legislador da tribo.

A resignação e a audácia são características marcantes dessa tribo, tida por descendeste dos incas, descida do Altiplano Andino, já que apegada ao uso do "paricá" Mimosa acacioides, cultivando-o.

Em 1626, foi feito um reconhecimento do rio Tapajós e registraram-se mais de 35 mil índios, na Mundurucânia.

Civilização

Os maués jamais se afeiçoaram aos portugueses. Comandaram às suas mulheres que não aprendessem a língua portuguesa. A principal prova dessa resistência a Carta Instrutiva que aos diretores das capitanias do Pará e do Rio Negro, datada de 3 de outubro de 1769, mandou o governador Fernando da Costa de Ataíde Teive, nesses resumidos termos:

"Ao cabo da canoa dará V. Mcê ordens em meu nome no acto da partida pa. o Sertão, de não entrar em rio aonde conste qe. se poderá encontrar com Índios da Nação Manguês, porq. tendo mostrado a experiência que esses miseráveis homens resistem as praticas que se lhe fizer, para caírem das trevas do paganismo, pela introdução das ferramentas, e outros gêneros que vão comerciar com elles; he necessário reduzi-los a necessidade, para delles tiremos os fructos de os descer, quando se virem preconizados, o q. ha de certamente vir a succeder, vendose destituídos do socorro que lhe aqui inconsideradamente lhes tem levado..."

Participaram ativamente da Cabanagem, de 1835 a 1840. Sob o comando do tuxaua Manuel Marques, atacaram Luzéa, matando os trinta soldados do destacamento militar e os moradores portugueses do lugarejo, transformando a vila em reduto cabano. O tuxaua Crispim Leão liderou os ataques a Andirá e Tupinambarana.

No começo do século XX, fomentados pelas expedições dos seringueiros de Itaituba, aderiram e colaboraram, irrestritamente, com as forças militares do Estado do Amazonas, em 1916, no conflito armado travado contra o Estado do Pará, por conta de velha questão de limites entre essas duas unidades da federação.

Produção de guaraná

Os maués foram os inventores da cultura do guaraná. Foram eles que transformaram a trepadeira silvestre em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos. A primeira descrição do guaraná data de 1669, o mesmo ano em que houve o contato com o homem branco. O padre João Felipe Betendorf escreveu que "tem os Andirazes em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam, fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome, além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras".

O uso desse fruto é considerado fonte de saúde e está ligado à terra cultivável, como é possível ver no discurso do tuxaua sateré-maué Manuel, em 1933: "O guaraná é bom para fazer chover, para proteger a roça, para curar doenças e prevenir outras, para vencer a guerra, no amor, quando dois rivais pretendem a mesma mulher".

O guaraná é o principal produto dos maués, pois é o que obtém maior preço no mercado. O guaraná produzido e beneficiado pelos índios (chamado guaraná da terra) é de qualidade superior ao do produzido pelos civilizados (chamado guaraná de Luzeia). Porém, o guaraná de Luzeia é produzido em escala muito maior. Enquanto os maués vendem no máximo duas toneladas de guaraná por ano, uma empresa na cidade de Maués afirma vender 40 toneladas por ano.

Atualmente

Na periferia urbana de Manaus, existem quatro comunidades sateré-maué: Y'Apryrehyt, Maué, I'nhã-bé e Waikiru. Os índios em geral tem muita dificuldade em arranjar um emprego, e quando conseguem, trabalham como carregadores braçais, vendedores ambulantes de artesanato e doces regionais, ou como pedreiros na construção civil.

A maior parte da renda da comunidade comunidade Y'Apryrehyt, onde vivem 67 pessoas, vem do turismo. Muitas pessoas visitam a aldeia, interessadas em conhecer mais sobre o ritual da tucandeira ou comprar artesanatos. Assim, o ritual passou a ter caráter turístico, com valores estéticos e coreografias, mas ao mesmo tempo voltado para a sobrevivência dos índios.

A alimentação é baseada em farinha de mandioca, peixe, banana-pacová verde, feijão e arroz, comprados em quiosques próximos à aldeia, no conjunto residencial Santos Dumont.

Kuikuro

Toy Art Kuikuro

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
123KuikuroIpatse ótomo, Ahukugi ótomo, Lahatuá ótomoKarib
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT522Ipeax 2011



Os Kuikuro são, hoje, o povo com a maior população no Alto Xingu. Eles constituem um sub-sistema carib com os outros grupos que falam variantes dialetais da mesma língua (Kalapalo, Matipu e Nahukuá) e participam do sistema multilíngüe conhecido como Alto Xingu, na porção sul da TI Parque Indígena do Xingu. Na história da formação deste sistema, os povos carib são considerados como tão importantes quanto os aruak (Waujá e Mehinako), embora se atribua aos aruak a sua matriz inicial. Nesta seção são dadas informações mais detalhadas sobre a língua, a história e outras características dos Kuikuro, produtores dos famosos colares e cintos de caramujo pelos quais continuam desempenhando seu papel específico no sistema tradicional de trocas e pagamentos do sistema alto-xinguano. Para outros aspectos culturais e sociais, como xamanismo, cosmologia e festas ou rituais, a seção Parque Indígena do Xingu apresenta elementos que se encontram também entre os Kuikuro.

Os cuicuros, também chamados kuikuro cuicurus e guicurus, são um grupo indígena que habita as aldeias Ipatse, Akuhugi e Lahatuá, no sul do Parque Indígena do Xingu, no estado do Mato Grosso, no Brasil. Falam a língua cuicuro, que pertence ao tronco linguístico caraíba. Atualmente, são o povo indígena mais numeroso na região do Alto Xingu.

História

Os antepassados dos atuais cuicuros chegaram à região do Alto Xingu por volta do ano 500, ou até mesmo antes, procedentes do oeste. Construíram, entre 1200 e 1600, cidades muradas que abrigavam de 2 500 a 50 000 indivíduos. Foram provavelmente dizimados por doenças introduzidas pelos europeus a partir do século XVI. Tais doenças provocaram um sensível decréscimo populacional, resultando na atual população das aldeias cuicuras, que é muito menor que as das antigas cidades cuicuras (as atuais aldeias cuicuras possuem menos de trezentos habitantes cada uma).

Os restos arqueológicos das antigas cidades cuicuras somente foram descobertos pela comunidade científica internacional no final do século XX[7] [8] . Em 1961, os cuicuros tiveram seu território tradicional reconhecido pelo governo brasileiro através da criação do Parque Indígena do Xingu.

Guarani Mbya

Toy Art Guarani Mbya

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
56Guarani MbyaKaiowá, Mbya, ÑandevaTupi-Guarani
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
Argentina6500CTI/Grünberg 2008
Bolivia78359INE/Bolivia 2001
MS,SP,PR,RS,RJ,ES57923Siasi/Sesai 2012
Paraguai41200CTI/Grünberg 2008


Este povo vive em um território que compreende regiões no Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina e se diferencia internamente em diversos grupos muito semelhantes entre si, nos aspectos fundamentais de sua cultura e organizações sociopolíticas, porém, diferentes no modo de falar a língua guarani, de praticar sua religião e distintos no que diz respeito às tecnologias que aplicam na relação com o meio ambiente.

Os mbiás ou embiás (conhecidos pelo etnônimo mbyá ou mbya (pronunciado /mimbiá/ ou /mimbã'á/) na bibliografia acadêmica) são um subgrupo do povo guarani que habita a região meridional da América do Sul, em um amplo território em que se sobrepõem os Estados nacionais paraguaio, brasileiro, argentino e uruguaio. Apesar de se reconhecerem cotidianamente pela forma Mbyá, sua autodenominação ritual é Jeguakava Tenonde Porangue’ í (os primeiros escolhidos para levar o adorno sagrado de plumas ou os primeiros adornados).

Luiz Pagano e Jane - Aldeia Guarani Mbya

Juntamente com os caiouás, os nhandevas, os ava-xiriguanos, os guaraios, os izozeños e os tapietés, devido a proximidade dialetal e ritual, os embiás são considerados, por linguistas e antropólogos, como um sub-grupo dentro da grande etnia guarani.

Pré-Historia

Não são poucos os vestígios arqueológicos que apontam para a presença guarani desde tempos remotos em uma ampla faixa de terra na América do Sul Pré-cabralina.

Não há consenso entre os especialistas quanto à sua chegada à região do cone sul onde foram encontrados na época do descobrimento. Alguns arqueólogos estimam que, entre 3 000 a 5 000 anos atrás, os coletivos proto-guaranis, motivados talvez por um aumento populacional, migraram da região da Bacia Amazônica para o sul, ocupando territórios onde já se encontravam outros grupos humanos. Apesar de apresentarem uma dinâmica de mobilidade própria, os grupos proto-guaranis não eram propriamente nômades que dependiam de atividades de extração e caça, mas possuíam, como base de sua alimentação, uma variedade considerável de sementes, legumes e tubérculos que cultivavam no meio da selva, através da abertura de clareiras por meio de queimadas controladas.

Antigas panelas guaranis utilizadas como urna funerária. Em exposição no Museu Farroupilha.
Os grupos proto-guaranis dos quais descendem os embiás eram também hábeis ceramistas e cesteiros, produzindo toda sorte de objetos que necessitavam para conseguir, preparar e servir a alimentação de que dispunham. Nos sítios arqueológicos proto-guaranis, são raros os vestígios de fibras vegetais, porque não resistem ao tempo. No entanto, as grandes panelas de barro utilizadas como urnas funerárias, os fiadores, pontas de flecha e outros apetrechos de materiais inorgânicos são mais comumente encontrados.

É possível inferir, a partir da localização dos sítios arqueológicos, que os grupos guaranis, em um período anterior ao contato com os europeus, estavam presentes em espaços ambientais que hoje identificamos como domínio da Mata Atlântica, Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, entre outras formações vegetais. Em grupos familiares mais ou menos extensos, retiravam destes ambientes tudo o que necessitavam para a sua existência, desde a coleta de frutos e plantas medicinais, passando pela construção de casas e preparação de armadilhas para a caça, bem como a confecção de cestaria e cerâmica e outras peças utilitárias.

Missoes Jesuíticas

Foram conhecidos no século XVIII como habitantes da selva do Mba'everá. Àquela época, habitavam, entre outros pontos, as selvas entre o Rio Acaray e o Rio Monday. Receberam, também, o nome de tarumá e, posteriormente, ficaram também conhecidos como: apyteré, tembekuá (queixos furados), tambeaopé (portadores da tanga), ka'yngua, ka’yguá ou também cainguá (habitantes das matas) e baticola.

Não há consenso entre os antropólogos em torno da ancestralidade dos grupos contemporâneos embiás, nhandevas e caiouás, se seus ancestrais teriam ou não sido aldeados pelos padres jesuítas. Uma das hipóteses aponta para a possibilidade dos embiás e dos caiouás terem resistido à conquista espiritual e à redução nas Missões Jesuíticas, enquanto os Avá katu eté ou Nhandeva serem descendentes dos guaranis que participaram do processo evangelizador levado a cabo pelos jesuítas.[9] . Outra tese considera que nenhum desses grupos teria se submetido ao processo missionário, escolhendo conservar sua independência através de deslocamentos frequentes por terras onde hoje estão o Paraguai, o Brasil e Argentina. A diferença entre eles se daria conforme níveis distintos de manutenção de laços de parentesco e afinidade com grupos guaranis reduzidos durante o período das missões. Esta tese defende, ainda, que muitos desses grupos guaranis missionados sobreviventes teriam ido viver junto aos habitantes da mata no percurso e conclusão da Guerra Guaranítica.

Ambas as possibilidades visam a explicar modificações na cosmologia guarani pela incorporação controlada de elementos de matriz europeia que persistem até os dias de hoje. Entre esses elementos, encontra-se o abandono da antropofagia, a incorporação de elementos da escatologia cristã ao seu xamanismo e, no caso dos embiás e dos nhandevas, a reprodução e a utilização de certos objetos trazidos pelos jesuítas: entre estes, instrumentos musicais como o ravé (rabeca) e o mbaraká (violão).

Guerra do Paraguai

Em 1869, com o fim da Guerra do Paraguai, um clérigo brasileiro se posta em frente a mulheres e idosos indígenas sobreviventes: entre estes, estão alguns guaranis embiás (no canto inferior, à direita).
Uma das populações mais afetadas durante a Guerra do Paraguai, muitos guaranis, entre eles os embiás, foram obrigados a lutar tanto do lado paraguaio quanto do lado brasileiro. Não existem estimativas quanto ao número de guaranis, entre guerreiros e civis, mortos nesta guerra, uma vez que eram classificados como camponeses e soldados pelo estado paraguaio nas políticas de negação étnica, muito comuns à época.

A Guerra do Paraguai é considerada um dos maiores massacres da história das Américas. Os historiadores divergem enormemente a respeito do número de mortos e do tamanho do território perdido pelo Paraguai.[10] Na história oral embiá, existem diversas narrativas em torno da Guerra do Paraguai. Muitas falam das terríveis violências sofrida pelos antepassados, do alistamento obrigatório que levaria os homens aos frontes de batalha e da evasão das regiões onde ocorreu o conflito.

No Paraguai, o censo de 1981 indicou a existência de 5 500 pessoas da etnia embiá. No de 1992, foram registrados 4 744. Para o Foro de Entidades Privadas Indigenistas, em 1995 havia 10 990 representantes da etnia. Essas diferenças se devem à resistência que esta coletividade ameríndia possui aos censos nacionais. Outras estimativas no ano de 2000 os elevam a 12 100 no território paraguaio.

Na região argentina de Misiones, coexistem com eles, nas mesmas comunidades familiares, grupos de Xiripá-guarani (ou Avá katú eté) e Kaiová-guarani (ou Paí Tavyterá). Existem, lá, 74 comunidades (tekoás) e sua população total, aproximada, é de 3 000 pessoas no território argentino. Duas grandes comunidades missioneiras, Fortin Mborore e Yriapú - nas cercanias de Iguazú - concentram mais de seiscentas pessoas, muitas delas vindas do Paraguai e do Brasil.

No Brasil, a população embiá concentra-se nas regiões sul e sudeste, junto às serras atlânticas que do litoral. Existem alguns grupos de pequeno e médio porte em poucas terras indígenas demarcadas continente adentro. É comum também encontrarem-se em acampamentos nas beiras das estradas nos estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente junto à BR-101 e à BR-116. Segundo o Instituto Socioambiental, a etnia guarani embiá no Brasil conta com, atualmente, cerca de 8 400 pessoas. Há, também, coletivos do povo embiá originários de uma única família que, após a Guerra do Paraguai, migrou para a Região Norte do Brasil, se estabelecendo nas matas dos estados do Pará e Tocantins e, com o tempo, se dispersando também em pequenos grupos familiares pelo centro-oeste brasileiro;

Há, ainda, um número reduzido da etnia habitando terras no Uruguai, dividido entre a Tekoá Marae´i, nas proximidades de Santiago Vazquez e a Quarta Seção do Departamento de Treinta y Tres.

Atualidade

Atualmente, os embiás vivem em pequenos grupos de quatro ou cinco famílias liderados por um xamã (que denominam karaí ou paí), desde o Rio Apa até o rio Paraná ao sul do Paraguai, principalmente espalhados pelo departamento paraguaio de Guairá. Na província argentina de Misiones e em grupos que habitam áreas esporádicas pelo sul e sudeste do Brasil até o litoral. Não reconhecem fronteiras nacionais e isto se manifesta nas continuas migrações entre estes três países. Nas comunidades de maior tamanho - como as existentes na Argentina - o líder recebe o nome de mburuvixá.

Falam um dialeto guarani que difere do falado no Paraguai, tanto na fonética, quanto na morfologia, na sintaxe e no léxico. O dialeto divide-se ainda em dois sub-dialetos: o tambéopé e o baticola. Vários homens embiás são trilingues, falando o embiá, o guarani paraguaio e o castelhano nos territórios de língua castelhana. Os que moram no Brasil falam, também, o português.

São grupos transumantes, geralmente permanecendo pouco mais de um ou dois anos num mesmo local. Nos locais onde ainda é possível, se alimentam de caça, pesca e coleta. Seus principais cultivos são variedades próprias de milho (avaxí), mandioca (mandió), batata, amendoim (manduí), feijão (kumandá), abóbora (mindain) e melancia (janjau).

Saúde, xamanismo e cura

Devido à destruição paulatina das matas, as práticas embiás usuais de obtenção dos alimentos estão seriamente prejudicadas, levando-os a recorrerem a alimentos industrializados, nem sempre apreciados por eles. O confinamento em áreas pequenas e o desaparecimento dos espaços necessários para o sustento de seu modo de vida tradicional tem feito com que os embiás, no mais das vezes a contragosto, se vejam obrigados a adotar certos aspecto da vida dos juruá (eurodescendentes, brancos, literalmente boca com pelos), acarretando em graves e progressivos males a sua saúde. Estudos epidemiológicos conduzidos na Argentina nos últimos anos demonstraram o surgimento de quadros de desnutrição, principalmente entre as crianças.

Os karaí (Opy'guá ou senhor da Opy) - xamãs rezadores médicos embiás - são os encarregados de curar com as plantas medicinais, influenciar o clima, adivinhar o futuro, propiciar boas caçadas e colheitas, dirigir cantos e danças rituais e descobrir o nome-espírito sagrado das crianças pequenas. Sua função mais importante seria o relato dos mitos de criação, aos quais também se atribuem poder curativo. Existem, entre eles, divisões de acordo a sua idade, experiência e conhecimento: no entanto, estas não são propriamente hierárquicas, mas sim formas de classificações sócio-cosmológicas que lhes são próprias. A medicina tradicional embiá também tem sido impactada com o desmatamento progressivo: muitos xamãs já não encontram mais tão facilmente as ervas que necessitam para os tratamentos. Como consequência, alguns jovens já não possuem mais grandes saberes sobre as plantas medicinais.

A situação em que se encontram cada um dos grupos é diversa. Há grupos nas florestas do Paraguai e no grande Chaco que permanecem relativamente distantes da presença dos eurodescendentes. Por outro lado, na Argentina, existem comunidades que, confinadas em reservas, encontram sua única fonte de alimento na merenda escolar distribuída nas escolas bilíngues. Uns poucos grupos familiares que circulam fora das aldeias e das terras indígenas, tanto na Argentina como no Brasil, vivem exclusivamente da venda de artesanatos, produzidos tendo como referência objetos de sua cultura material e imagens de sua cosmologia.

No Brasil, tem se visto ainda, na última década, nas aldeias maiores, a organização de grupos de cantos e danças de crianças e jovens embiás que se apresentam em certas ocasiões em escolas e universidades. Alguns desses grupos, através de alianças com grupos da sociedade eurocentrada, registraram seus canto em CDs que comercializam junto aos artesanatos como meio de complementar sua renda.

Entenda mais sobre a gramática Guarani-Mbya

Asurini do Xingú

Toy Art - Asurini do Xingú

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
25Asurini do XingúAssurini, AwaeteTupi-Guarani
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
PA165Siasi/Sesai 2012



Após o contato com a sociedade nacional, em 1971, os Asurini do Xingu - cuja denominação foi dada pelas frentes de atração - sofreram uma drástica baixa populacional. Contudo, o perigo eminente de sua extinção física sempre contrastou com uma extrema vitalidade cultural, manifesta na realização de extensos rituais, práticas de xamanismo e um elaborado sistema de arte gráfica.

Os assurinis do Xingu (também conhecido como Asurini, Asurinikin, Awaeté ou Surini) são um povo indígena brasileiro.

Localizado próximo ao Igarapé Ipixuna, no Pará, no ano de 1994 sua população estimada era de 76 pessoas. Em 2002, tal grupo contava com 154 indivíduos.

Falam a língua Assurini do Xingu, da família Tupi-Guarani, tronco Tupi.

Ye’kuana


Toy art da Etnia Ye'Kuana - População: 284, Localização: divididas em três comunidades às margens do rio Auaris e Uraricoera, a noroeste do estado de Roraima e Amazonas, os maiongong são de fala caribe, e na Venezuela são conhecidos como Maquiritare e Yekuana, Tronco lingüístico: Caribe

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
236Ye'kuanaYecuana, Maiongong, So'toKarib
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RR471Sesai 2011
Venezuela6523INE 2001


Estão espalhados por mais de quarenta aldeias e o número deles no Brasil pode chegar a cerca de 200 indivíduos, que se somam a outros 1000 no lado venezuelano. Habitam a região do Parima, divisor de águas entre as bacias do Orinico, na Venezuela, num local de difícil acesso por ser encontrado por montanhas e rios encahoeirados. Durante muito tempo mantiveram relações hostis com os Sunumá, da família lingüística Yanoama, com quem compartilham território. A floresta tropical lhes fornece a subsistência, embora já possuam e dependem de muitos artigos da sociedade nacional. Muitos deles já dominam o português, e é freqüente a vinda de professores Maiongong estudar no Magistério Parcelado Indígena, um programa do Governo do Estado que objetiva a qualificação e formação de professores indígenas. Os Maiongong têm mantido contados freqüentes com missionários e funcionários de instituições oficiais brasileiras. A região habitada por eles faz parte da área indígena Yanomami.

Mehinaku

Mehinaku


Toy Art Etnia Mehinako -Família: Aruak, Localização: Mato Grosso, População: 254 (Funasa, 2011)

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
139MehinakuMeinaco, Meinacu, MeinakuAruak
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT254Ipeax 2011



Os Mehinako vivem hoje em duas aldeias distintas às margens do rio Kurisevo. A aldeia de Uyapiyuku e a nova, Utawana, junto ao PIV, Posto de Vigilância do Kurisevo, que é dirigido por um Mehinako.

Expulsos de seu habitat original pelos Ikpeng* (que foram introduzidos na formação do parque), sofreram vários deslocamentos, se fixando no começo próximos aos Awet e Yawalapiti e intensificando as relações de intercasamentos com outras etnias do Alto Xingu.

Os grupos que vivem no Alto Xingu, ao sul do parque, na bacia dos rios formadores do Xingu, apresentam uma grande uniformidade cultural e participam de um sistema intertribal, mantendo, no entanto, sua identidade étnica. São eles: Awet e Kamaywurá (tronco Tupi), Mehinako, Yawalapiti e Waurá (família Aruak), Kuikuro, Kalapalo, Matypu/ Nahuukwa (família Karib).
Os alto xinguanos se alimentam basicamente de mandioca brava (micaia, em Aruak) e peixe. Suas casas são ovaladas com cobertura de sapé até o chão com duas aberturas. A aldeia é construída em círculo, com a casa dos homens no centro, no sentido leste-oeste.

As mulheres usam o uluri, um pegueno cinto de fios de buriti, entre outras afinidades. Realizam o Guarup, cerimonial para os mortos, e praticam a luta huka-huka (tupi-guarani) ou Kap em Aruak.

Apesar de seguirem aspectos culturais semelhantes, cada etnia do Alto Xingu mantém e segue a sua própria tradição desde a língua a especialidades. Trocam experiências e se relacionam através do moitará, encontro para trocas comerciais e especialidades de cada grupo: arcos pretos feitos de pau dárco, feito pelos Kamaywurá, machados de pedra(Trumai), colares de conchas de caramujo (grupos Karib), cerâmica (Waurá), sal** (Mehinako e Trumai) e o algodão(Mehinako). Os Mehinako e os Awet atuam também como mercadores intermediários.


Os Mehinako apreciam a convivência com os Karaibas, homens brancos, filhos do sol como os próprios Mehinako. Consideram a civilização tecnológica uma dádiva do sol. Adoram viajar e se relacionar. Outro grande fator que estimula a integração entre os alto xinguanos e brancos é o futebol, muito apreciado pelos Mehinako.Os alto xinguanos se alimentam basicamente de mandioca brava (micaia, em Aruak) e peixe. Suas casas são ovaladas com cobertura de sapé até o chão com duas aberturas. A aldeia é construída em círculo, com a casa dos homens no centro, no sentido leste-oeste.

Yawalapiti




Etnia Yawalapiti - Família: Aruak - Localização: Mato Grosso


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
234Yawalapiti
Aruak
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT156Ipeax 2011



Habitam a Terra Indígena Parque do Xingu, próximo ao Posto Leonardo. Somam 196 indígenas do tronco lingüístico Macro-Jê, da família Aruwak. Os Yawalapiti são índios pequenos e robustos, que vivem às margens de uma grande lagoa. Têm o costume de trocar utensílios com os Aweti, com os quais também trocam mulheres. Ambos vivem de pesca e caça e de roças de milho, batata-doce, cará e mandioca. Sua aldeia é asseada e eles têm aspecto saudável. Suas crianças confeccionam artesanatos desde cedo, passando as tradicões de geração para geração, sem deixar a cultura morrer. Na época da criação do Parque Indígena do Xingu, em 1961, os últimos Yawalapiti andavam dispersos por outras tribos. Os irmãos Villas Bôas reuniram 16 deles, formando uma pequena aldeia, que hoje abriga 140 indivíduos.
Festival Yawalapiti

Peixe moqueado em aldeia Yawalapiti
Os Yawalapitis ainda vivem da pesca, caça, coleta e roças. Em 1988, pela primeira vez na história, os índios do Alto Xingu encenaram na aldeia Yawalapiti uma cerimônia do Kuarup, ritual da lembrança dos mortos, para ser mostrado num filme de Ruy Guerra. Naquela ocasião, a cerimônia foi feita em homenagem ao avô de Aritana, famoso cacique Yawalapiti. Participam dos Jogos em conjunto com outros povos do Alto Xingu e se destacam na demonstração do Huka-Huka, praticado pelos Yawalapiti desde criança.


Moqueamento de peixe Yawalapiti

Yawalapiti preparando-se para o Kuarup e afinado as taquaras, instrumento de sopro feito com bambu