quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Karajá




Toy Art da Etnia Karajá

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
89KarajáCaraiauna, InyKarajá
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
GO, MT, PA, TO3198Funasa 2010



Habitam a Terra Indígena do Parque do Araguaia na Ilha do Bananal, municípios de Formoso do Araguaia, Pium e Cristolândia, no estado do Tocantins. Os grupos indígenas falantes de língua Karajá sempre viveram no vale do Araguaia. No final do século 16, expedições escravistas percorreram o Araguaia atacando as aldeias e aprisionando índios. Na década de 40 (Estado Novo), a região começou a ser efetivamente ocupada. Em 1959, foi criado o Parque Nacional do Araguaia, abrangendo a totalidade da Ilha do Bananal (mais de 2.000.000 ha), ignorando as populações indígenas que habitavam a região.

O contato com a população branca se intensificou com a exploração de ouro e a expansão pecuária na região, ocasionando perdas físicas e culturais. Um segundo decreto presidencial, em 1971, criou o Parque Indígena do Araguaia, com 1.540.000 ha e, em 1973, reduziu-se para 1.395.000 ha. Em 1980, um terceiro decreto presidencial alterou a área integrando a aldeia Macaúba ao Parque Indígena Araguaia. Em 1998, foi homologada pelo decreto s/nº, de 14/04/98, com o nome de Terra Indígena do Parque do Araguaia.
Leque Karajá visto por traz 

Uma característica entre os Karajá como um todo é a diferenciação entre a fala das mulheres e crianças e a fala dos homens, feita através de alguns fonemas e expressões específicas para cada gênero, que é mais acentuada entre os Karajá propriamente ditos, expressando uma forte divisão entre os papéis masculino e feminino. O grupo tem origem lingüísticas Macro-Jê.

Os Karajá possuem íntima relação com o Rio Araguaia, fonte de sua subsistência preferencial. Segundo o mito de criação, os Karajá saíram do fundo desse rio e ocuparam as terras perto das margens. O contato direto e a interferência do homem branco fizeram com que perdessem muito de sua cultura. Apesar disso, guardam muitas tradições culturais, que são demonstradas em seus cantos, como a Festa do Hetohoky, "Casa Grande", e também estão inseridas nas danças e lutas corporais "ijesu", onde principalmente os homens jovens usam a oportunidade para demonstrar força e coragem. Outra Festa é a do Aruanã, em homenagem ao peixe da região, que eles crêem proteger a todos os Karajá.

São muito ricos na fabricação de seus artesanatos "aõrity" e os ardornos "isiywidyna". Destacam-se também pelas suas plumagens, cestarias e cerâmicas. No esporte, os Karajá do Tocantins, possuem estilo próprio para as lutas corporais. Os atletas iniciam a luta em pé, se agarrando pela cintura, até que um consiga derrubar o outro ao chão, logo o atleta vencedor abre os braços e dança em volta do oponente, cantando e imitando uma ave. Participam desde a primeira edição dos jogos.

Arte plumária Karaja

Para compreender a plumária Karajá é preciso entender a organização do de sua cosmologia. Existem três mundos miticos:

O Mundo das Águas, local de origem dos Karajá, onde está a aldeia dos
 Berahatxi Mahãdu povo do fundo das águas peixes (peixe cuiú-cuiú, pirarucu);

O Mundo da Superfície, que é habitado pelos Karajá(podem ser tanto animais da floresta - veado, onça, raposa); e,

O Mundo do Céu, que é o nível celeste alcançado somente pelos xamãs (hari) durante as viagens espirituais e depois da morte. o plano celeste é governado por Xiburè, é habitado pelos Biuludu (habitantes do Céu) e dentre estes há os Ijasò do céu..

Para os Karajá não há uma distribuição dos animais nos planos cosmológicos como nós pensaríamos, os pássaros não estão sempre ligados ao Mundo do Céu ou os peixes ao Mundo das Águas.

O Urubu-Rei. Portando, não há entre os Karajá uma relação funcional ou utilitarista de classificação do mundo, como já alertou Lévi- Strauss (2010) ao falar do “pensamento selvagem”. Trata
-se de uma relação complexa entre os níveis cosmológicos que são mediados  pelos xamãs a fim de manter o equilíbrio do cosmo.

A maior parte dos adornos de plumária é usada pelos mais jovens, a medida que a pessoa envelhece menos ela os usa. Ao mesmo tempo esses adornos estão, quase que em sua totalidade, relacionados aos rituais; estão presentes: na “dança dos Aruanã”.
Arte plumária Karajá

O Leque de occipício A. conta a historia do heroi mitico Kanakiwe, que pressionou o Urubu Rei (representado pela harpia), a presentear sua tribo com tal representação do disco solar.

Feito com penas rêmiges de harpia (Harpya harpya); da garça branca (Casmerodius albus); penas de voo de arara Canindé (Ara ararauna); retriz de japu (Psarocolius decumanus); coberteiras de asa, provavelmente de arara-canga.

A estrutura e montada em estilete de estipe de palmeira de babaçu, penas são coladas com cera de abelha e amarradas a um suporte grosso de cordel de fios de algodão.
Os Brincos B são de uso masculino, principalmente em cerimônias, feitos com coberteiras inferiores da asa e plumas dorsais da arara-canga (ara macao) e da arara-vermelha (Ara chloroptera), o suporte é de pecíolo de tucum.
O leque de occipício C é feito com penas do de japu (Psarocolius decumanus) e da arara canga.

A coroa vertical D, usada por mulheres é adornada com plumas de da arara-canga (ara macao) e da arara-vermelha (Ara chloroptera)


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