segunda-feira, 11 de abril de 2016

Karipuna do Amapá

Toy Art Karipuna do Amapá

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
94Karipuna do Amapá
Creoulo
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
AP2421Funasa 2010



As famílias Karipuna formavam uma população de aproximadamente 1.700 pessoas, segundo dados de 2002, residentes em sua maioria às margens do rio Curipi, afluente do rio Uaçá, no norte do estado do Amapá. Trata-se da região do baixo rio Oiapoque, nas proximidades do Cabo Orange, área de fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

Toda região do baixo rio Oiapoque, incluindo a bacia do rio Uaçá com seus afluentes, consiste numa área de fronteiras em vários sentidos. Fronteiras entre áreas fluviais e marítimas, litoral e área interiorana, vegetação pantanosa e de floresta, o calor equatorial e a brisa das monções oceânicas, fronteiras entre nações. As populações do Uaçá que convivem nessa região também criam, contornam e recriam fronteiras específicas, diferenciando-se em etnias, indentificando-se como “povos indígenas do Oiapoque”.

O tamanho e a composição das aldeias Karipuna variam enormemente. De todas, poucas não estão às margens do rio Curupi: encontram-se ao longo da BR-156 ou no rio Oiapoque, e também no Igarapé Juminã.

AldeiasPopulação (em 2002)
Manga458
Japiim29
Paxiubal37
Santa Isabel238
Taminã45
Espírito Santo345
Jõdef64
Txipidon21
Igarapé de Onça6
Zacarias 27
Ghõ Puen4
Tauahu12
Bastião8
Açaizal91
Encruzo25
Piquiá19
Curipi38
Kariá95
Estrela95
Aribamba49
Kunanã70

Dessas aldeias, só não estão às margens do rio Curupi a Piquiá, Curipi, Kariá e Estrela, que ficam ao longo da BR-156; além de Aribamba, no rio Oiapoque, e Kunanã, no Igarapé Juminã.

Desde outubro de 2002, todas essas aldeias encontram-se em território demarcado e homologado por decreto presidencial em três Terras Indígenas (TIs) contíguas: A TI Uaçá, com superfície de 470.164, 06 ha; a TI Juminã, com 41.601,3 ha; a TI Galibi, que já se encontrava homologada desde 1982, com superfície de 6.689,2 há, e onde está a aldeia Aribamba.

Rituais - Osa Turés

Os Turés são considerados pelas famílias do Curipi como ocasiões de dançar, beber e cantar junto com os seres sobrenaturais chamados de karuãna, e de oferecer-lhes caxiri, como retribuição às curas de doenças que propiciaram por intermédio dos pajés. Os participantes de um Turé correspondem à clientela de um pajé, àquele grupo de famílias que a ele recorre em casos de enfermidade. Assim, os Turés reúnem famílias geralmente aparentadas, que têm em comum a confiança em determinado pajé, e o reconhecimento do conjunto de seres sobrenaturais que são considerados zami (amigos), kamahad (camaradas) ou karuãna deste pajé.

Centrado na figura dos pajés, cada Turé abrange as particularidades de seu próprio universo de karuãna. Acredita-se que os xamãs mais "fortes" conseguem agrupar um maior número de karuãna, os quais lhes ensinam muitas músicas de Turé, e por isso são capazes de cantar várias noites sem repetir nenhuma canção. A força advinda dos karuãna também permite que façam o diagnóstico adequado das doenças e consigam curá-las com êxito, de forma que há muita gente para preparar caxiri (os parentes dos doentes retribuem a cura aos karuãna do pajé oferecendo-lhes caxiri) no Turé de um pajé "forte", e a dança dura muitas noites.

Os Karipuna preferem fazer os Turés em um fim de semana de lua cheia no mês de Outubro, o qual marca o fim da temporada seca e, portanto, antes das primeiras chuvas. Mas várias contingências podem alterar a data ideal, inclusive a tentativa de evitar que vários Turés sejam realizados no mesmo dia. Assim, os pajés fazem as festas também em noites sem lua, iluminadas com lamparinas, até o começo de dezembro, se as chuvas atrasarem tanto. Mesmo aquelas aldeias que têm motor de luz fazem uso das lamparinas durante os Turés, pois os karuãna não gostam de barulho. Há Turés, no entanto, que têm lugar em certas datas festivas, como o Dia do Índio, ou em comemorações nas cidades vizinhas, e que são considerados "demonstrações", mais do que propriamente ocasiões para festejar com os karuãna.

A preparação de um Turé começa com muita antecedência, como também ocorrem com as festas de santos. No final de um Turé, após o discurso do pajé, um grupo de homens se propõe a ajudá-lo no ano seguinte, com o gesto de carregar os mastros do Turé nas costas. São chamados tet dãse (cabeças da dança) e devem auxiliar o pajé em todos preparativos, além de contribuir para animar a festa, tocando as flautas, cantando e puxando as danças.

Ritual do Turé na Aldeia do Manga - Aldeias do campo fronteiriço do Oiapoque

Os pajés entrevistados afirmam que a longa preparação do Turé se dá através de sonhos, durante os quais viajam para "o Fundo", ou para "outros mundos”, onde participam de Turés com seus karuãna, também chamados "bichos". São estes rituais oníricos que inspiram os pajés a organizarem seus Turés "nesse mundo”: ali aprendem as pinturas dos bancos, dos mastros, sua disposição no pátio da dança, também chamado laku, bem como novas músicas. Estas são também ensinadas por seus karuãna, de modo que cada melodia é considerada particular de cada pajé, sinais de seus contatos com os karuãna, sendo extremamente malvisto o fato de “imitar" músicas alheias.

A partir dos sonhos, portanto, os pajés arrumam o laku, o qual é delimitado por uma cerca de bambus, e o piroro, dentro do qual são dispostos os bancos e os mastros enfeitados. Para a arrumação, convocam os tet dãse, geralmente com um ou dois meses de antecedência, tempo necessário para a confecção dos bancos, mastros e enfeites corporais: coroas de penas, colares, adornos dorsais, maracás.

Ao lado das explicações e práticas dos pajés, os Karipuna fazem uso de recursos católicos, na forma das rezas, das promessas e das ladainhas. As festas de santos são comemoradas em vários pontos do rio Curipi e ao longo de todos o ano e tem na “Festa Grande”, o Divino Espírito Santo, o seu modelo.

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