sábado, 5 de novembro de 2016

Arikapú

Toy Art Arikapú


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
21Arikapú
Jabutí

UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO34Siasi/Sesai 2012


Povo co tribos divididas entre várias aldeias ao longo do médio rio Branco. Essa Tribo Indigena foi homologada em 1986. A maioria da população é denominada Tupari, mas há também grupos menores como os Makurap, os Aruá, os Kanoê, os Djeoromitxí e os Arikapú.

A aldeia principal, São Luis, é acessível por carro de Alta Floresta d’Oeste. As outras aldeias, como Trinitário, Colorado, Cajuí e outras só podem ser alcançadas pelo rio e, devido ao seu isolamento, as línguas indígenas e muitas práticas culturais tradicionais estão melhor preservadas. Pesca-se com arco e flecha; há pajés utilizando o paricá para curar, e ainda há as festas de chicha, ocasião em que se pintam com o urucum e o jenipapo, cantam e dançam de modo tradicional. Os pajés Arikapú eram tradicionalmente conhecidos como os mais poderosos da região. Ainda hoje, o pajé mais respeitado pertence a esse grupo.
Colar de folhas Arikapú

A parte meridional da T. I. Rio Branco faz divisa com a Reserva Biológica do Guaporé. Essa reserva tem parte de sua área incidindo sobre a Terra Indígena Massaco, onde vivem grupos isolados. Sua língua e identidade étnica ainda são desconhecidas.

A T. I. Rio Branco e seus habitantes são constantemente ameaçados por seus vizinhos não-indígenas e pelos políticos estaduais de diversas maneiras. Devido ao desmatamento contínuo nos arredores, a área se parece cada vez mais a uma ilha, onde a caça está ficando escassa, aumentando a dependência à pesca. Ao mesmo tempo, invasores entram na reserva praticando a pesca ilegal em grande escala. Os pesticidas utilizados nas fazendas, localizadas na região das cabeceiras (que fica fora da T. I.), acabam indo para o rio principal, colocando em risco a saúde dos que ali vivem. Os projetos hidroelétricos irregulares da região também provocam graves danos aos ecossistemas fluviais. Finalmente, a atividade madeireira ilegal dentro da T. I. causa ainda mais danos ecológicos.

Há relatos de destruição de sítios arqueológicos em função de obras de construção em Paulo Saldanha, no alto rio Branco. Em alguns casos, urnas funerárias foram desenterradas e propositalmente destruídas na tentativa de ocultar evidências jurídicas. Um dos últimos falantes do Arikapú enterrou (de modo tradicional) sua mãe e sua filha de cinco anos nas cabeceiras do rio Branco e ficou transtornado ao saber da possível destruição de seus túmulos. Este tipo de ação prejudica as opções futuras dos Arikapú e de outros grupos de reivindicarem suas terras ancestrais.

A desvalorização da cultura tradicional acelerou-se recentemente com a chegada de uma igreja protestante fundamentalista que desaprova o xamanismo e as festas tradicionais, criando assim uma divisão interna na comunidade.

T. I. Guaporé
A Terra Indígena Guaporé tem mais de 600 habitantes, divididos entre várias aldeias nas baias e nos lagos ao longo do grande rio Guaporé. A homologação dessa T. I. ocorreu em 1996.

A população é formada por famílias mistas de Aruá, Wayurú, Makurap, Tupari, Kanoê, Aikanã, Djeoromitxí, Arikapú, Wari’ e Kuyubi. A maioria das pessoas vive na aldeia superpovoada Ricardo Franco (antigo nome da reserva), no próprio rio Guaporé. Há um posto da Funai, um posto médico e uma escola.

Semelhante ao caso de São Luis, em Ricardo Franco, a influência da cultura dos não-indígenas é forte. A maioria dos jovens encontrou poucas opções de vida, o que causa muitos problemas sociais. A vida nas outras aldeias (Baia das Onças, Baia da Coca e Baia Rica) é melhor no que diz respeito à caça, à pesca e à agricultura de roçado. Além disso, as línguas indígenas e muitos elementos da cultura tradicional são ali melhor preservados. A região ao redor da T. I. Guaporé não é totalmente conhecida e pode ser que haja grupos isolados. Muitos habitantes da área relatam que em várias ocasiões tiveram encontros com índios não-identificados.

Como na T. I. Rio Branco, existe na T. I. Guaporé a pesca ilegal, no entanto a atividade madeireira e o problema com os pesticidas agrícolas ocorrem em menor escala – isso por causa de sua localização mais isolada e sem acesso terrestre. Outros problemas surgem na área. por conta de sua proximidade com a Bolívia, que fica a uma distância de 300 metros na outra margem do Guaporé. Há quatro anos vem acontecendo de forma constante a dragagem ilegal de cascalho na margem brasileira na Baia das Onças. O que se diz é que o cascalho é utilizado na produção de cimento, mas as atividades têm a aparência de garimpagem. Qualquer que seja a finalidade, tal atividade é danosa ao ambiente da região, pois destrói as encostas e pode alterar assim a correnteza do rio. Estas ações foram denunciadas em vão às autoridades, visto a facilidade de levar os equipamentos para o lado boliviano antes da chegada da Polícia Federal, que vem da longínqua cidade de Guajará-Mirim.

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