quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Aikewara

Etnia: Aikewara


Toy art da Etnia Aikewara 


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
2AikewaraSuruí, Sororós, AikewaraTupi-Guarani
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
PA351Siasi/Sesai 2012



Conhecidos como “Suruí do Pará”, falam uma língua pertencente ao tronco tupi, da família lingüística tupi-guarani. Os primeiros contatos ocorreram a partir de 1960 pelo então SPI – Serviço de Proteção ao Índio. Habitam a Terra Indígena Sororó, demarcada e homologada, às margens da BR-153, no município de São Domingos do Araguaia, região de Marabá, no estado do Pará. Embora com as terras reduzidas, sobrevivem da caça, com uma pequena criação de peixes e frangos. Muitas de suas tradições estão mantidas.

Na década de 70, aliciados pelo Exército, quatro guerreiros Aikewara serviram de guias e batedores no combate aos guerrilheiros do Araguaia, com a promessa de ampliação de seu território, até hoje não cumprida. Estão em ascensão cultural, recuperando grande parte de suas tradições, graças aos incentivos da participação em eventos culturais e ao Projeto Esporte Solidário do Ministério do Esporte. Sua população é de 210 indígenas. Pela terceira vez participam dos Jogos Indígenas.

LOCALIZAÇÃO

Quando do primeiro contato, os Suruí estavam localizados à margem do pequeno igarapé conhecido como Grotão dos Caboclos, afluente do rio Sororozinho, por sua vez afluente do Sororó, tributário do Itacaiúnas. Em 1998, a aldeia estava construída numa área próxima a estrada que liga a Transamazônica a São Geraldo do Araguaia. A Terra Indígena Sororó está situada no sudeste do Pará, no município de São João do Araguaia, a cerca de 100 quilômetros da cidade de Marabá, o maior centro urbano da região.
Território Aikewara na terra Indígena Sororó está situada no sudeste do Pará, no município de São João do Araguaia

Situavam-se originariamente em uma região de mata tropical, mas nas últimas décadas a floresta foi destruída para dar lugar a pastagens, o que resta dela está situado dentro do território indígena.

A demarcação da TI Sororó deixou de fora antigas aldeias e principalmente alguns castanhais utilizados por esse povo.

ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA

Ao invés de formarem pequenos grupos locais, como acontece com outros grupos Tupi da região, os Suruí possuíam apenas uma grande aldeia, denominada okara, de formato retangular, com um pátio central no qual eram realizados os seus rituais.

No passado, a agricultura consistia em sua principal atividade econômica. Faziam grandes roças, onde plantavam várias espécies de mandioca, bananas, inhame, batata doce, milho, pimenta, algodão e fumo. A atividade de caça era bastante privilegiada em uma região em que eram abundantes as antas, veados, queixadas, catitus, pacas, tatus, macacos e cotias. Entre as aves preferiam os mutuns e jacus, mas em caso de necessidade consumiam também arara e várias espécies de papagaio. A pesca era uma atividade pouco importante, desde que viviam afastados dos grandes rios. A coleta complementava a busca por alimentos. Nos dias de hoje, a dieta alimentar foi modificada, pela diminuição da caça, e pela introdução de uma pecuária pobre e do cultivo de arroz.
Festividades Aikewara

Como outros grupos Tupi, possuem uma regra de descendência patrilinear, vinculada à trnsmissão do parentesco somente pelo lado paterno e à admissão de que o homem é o principal responsável pela procriação. Em função da forte vinculação existente entre o pai e o recém-nascido, possuem o costume da couvade que faz o resguardo pós-parto ser mais importante para o pai do que para a mãe.

Dividem-se em cinco grupos de descendência patrilinear: Koaci-arúo (coati), Saopakania (gavião), Pindawa (palmeira), Ywyra (madeira) e Karajá (descendentes de um índio "karajá", provavelmente Xikrin, aprisionado pelos Suruí). As genealogias indicam a existência de mais dois grupos, Sakariowara e Uirapari, hoje extintos. Há, também, indícios que os Saopakania e Ywyra possuiam sub-grupos. A existência de exogamia entre os grupos, além de outras características permitem classificá-los como clãs.

A chefia é hereditária e exclusiva dos homens do clã Koaci. A denominação para chefe é morobixawa. Esta palavra pode ser traduzida como "grande", e está presente também na designação da lua cheia, sahi morobixawa. Imediatamente antes do contato, os Suruí eram chefiados por Musenai, um homem velho que morreu na epidemia de 1961. Foi sucedido por seu filho Kuarikwara, que morreu pouco tempo depois. Apia, o filho de Kuarikwara, era muito pequeno e não pôde assumir a chefia. Na falta de homens Koaci, assumiu a chefia Uareni, um Saopakania. No início dos anos 70, quando foram envolvidos pela guerrilha do Araguaia, sentiram a necessidade de um chefe que conhecesse bem os brancos; assim Amaxu, um Karajá, assumiu a chefia e liderou o grupo em seus momentos mais difíceis. Mas, nesse tempo, se alguém perguntasse aos Suruí quem era o morobixawa, eles respondiam apontando Apia. Quando este atingiu a idade adulta, foi reconhecido como chefe, mas mostrou o maior desinteresse pelo cargo, sendo então substituído por Mahyra, um Koaci, neto do irmão de Kwarikuara, Sarakoa, que também morreu no início dos anos 60.
Pinturas corporais das crianças Aikewara

No passado praticavam a poliginia, mas a escassez de mulheres, que chegou a provocar o aparecimento de arranjos poliândricos, isto é, a possibilidade da mulher casada ter como um outro parceiro sexual um homem solteiro, tornou a poliginia uma prática inoperante. O casamento preferencial é com a filha do irmão da mãe, com a filha da irmã do pai, ou com a filha da irmã. A regra de residência era a patrilocal; hoje os recém-casados tendem a se estabelecer numa nova residência.

Possuem uma terminologia de parentesco do tipo Iroquês. Assim, na sua própria geração, um homem chama de irmão e irmã, além dos filhos de seus próprios pais, os filhos da irmã da mãe e os filhos do irmão do pai; filhos dos irmãos da mãe e filhos das irmãs do pai são chamados por um outro termo. Na primeira geração ascendente, denomina pelo mesmo termo o pai e os irmãos do pai, por um outro termo a mãe e as irmãs da mãe, sendo que irmão da mãe e irmã do pai recebem termos diferentes. Na primeira geração descendente, utilizam do mesmo termo para filho e filho do irmão, o mesmo fazendo para filha e filha do irmão; filho e filha de irmã são denominados por um outro termo que não faz diferenciação de sexo. Na segunda geração ascendente, todos os homens recebem um termo equivalente a avô e todas as mulheres um termo equivalente a avó. Na segunda geração descendente existe apenas um termo genérico aplicado aos indivíduos de ambos os sexos.


Os Suruí possuem um estoque aparentemente limitado de nomes próprios, o que ocasiona muitas repetições nas genealogias. O menino recebe um nome no momento do nascimento, geralmente com um significado jocoso, e recebe o seu nome definitivo no ritual de perfuração do lábio inferior, quando atinge a idade aproximada de 13 ou 14 anos.

GUERRILHA DO ARAGUAIA

A relação dos Suruí-Aikewára com a Guerrilha do Araguaia ganhou destaque nacional e internacional na mídia em função do Trabalho da Comissão da Verdade. Ainda hoje, nem eles nem os outros envolvidos entendem bem o que aconteceu, pois na época, não falavam com muita fluência a língua portuguesa.




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