segunda-feira, 6 de julho de 2020

Tamoios

Toy art etnia Tamoio
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
29ATamoio
Tupi-Guarani
UF / País

Bertioga SP  e Cabo Frio RJ




Os Tamoio foram um povo indígena ou agrupamento de povos indígenas do tronco lingüístico tupi que habitava a costa dos atuais estados de São Paulo (litoral norte) e Rio de Janeiro (Vale do Paraíba fluminense). Em seu território localizava-se a Baía de Guanabara, estendendo-se desde a região dos Lagos (Rio de Janeiro) até o litoral norte do atual estado de São Paulo (Bertioga). Sua população era de cerca de 70 mil indivíduos.
Guerra entre Tamoios e Temiminós na Baia de Guanabara, Ilustração de Jacques le Moyne de Morgues 1576
O etnônimo "Tamoio" vem de "Ta'mõi", que, em Tupi-Antigo, significa "avós", indicando que eles eram o grupo tupi que há mais tempo se havia instalado no litoral brasileiro.

Os antropólogos Beatriz Perrone-Moysés e Renato Sztutman sustentam que o termo "tamoio" não fazia referência a um povo indígena homogêneo, mas sim a um "coletivo de líderes" de diferentes tribos que constituíram uma aliança entre si e com os franceses contra os colonizadores portugueses.


Confederação dos Tamoios

Confederação dos Tamoios é a denominação dada à revolta liderada pela nação indígena Tupinambá, que ocupava o litoral do Brasil entre Bertioga e Cabo Frio, envolvendo, também, tribos situadas ao longo do Vale do Paraíba, contra os colonizadores portugueses, entre 1554 e 1567.

Entre as práticas indígenas, estava a do cunhadismo, pela qual um homem, ao se casar com uma mulher de uma determinada tribo, passava a ser membro dessa mesma tribo. Aproveitando-se dessa prática, João Ramalho, parceiro do governador da Capitania de São Vicente, Brás Cubas, casou-se com uma filha da tribo dos tupiniquins. Através dessa parceria, João Ramalho angariou um grande número de aliados para um ataque à aldeia dos tupinambás, na tentativa de aprisioná-los e usá-los como mão de obra escrava. Eles capturaram o chefe da tribo, Cairuçu, e o mantiveram em um cativeiro no território do governador Brás Cubas.
"O Último Tamoio" (1883), uma das obras mais notórias de Rodolfo Amoedo
Preso em péssimas condições de sobrevivência, o tupinambá Cairuçu acabou morrendo no cativeiro. Seu filho, Aimberê, de Uwa-ttybi, assumiu o comando da tribo e declarou guerra aos colonos portugueses e à tribo dos tupiniquins. Para fortalecer o levante, ele se reuniu com os membros tupinambás Pindobuçu, de Iperoig, atual Ubatuba, e Cunhambebe (pai), de Angra dos Reis. Cunhambebe assumiu a liderança da Confederação dos Tamoios e conseguiu o apoio das tribos goitacás e aimorés. Neste momento, os franceses estavam chegando no Rio de Janeiro, na intenção de colonizar territórios pertencentes a Portugal e aos Tupis.

Para patrocinar o conflito contra os portugueses, o francês Villegaignon ajudou os tupinambás oferecendo armamentos a Cunhambebe. Porém, uma epidemia dizimou alguns indígenas combatentes, inclusive o líder Cunhambebe, enfraquecendo enormemente o levante. Aimberê continuou a revolta contra os portugueses e fez o possível para que os tupiniquins lutassem a seu favor. Ele fez contato com o líder Tibiriçá, através do sobrinho Jagoaranhó, e marcou um encontro para selar a confederação. Quando os tamoios chegaram na aldeia, Tibiriçá se declarou fiel aos portugueses e matou seu sobrinho, suscitando uma investida que dizimou grande parte da tribo dos guaianases.

Apesar do armistício de Iperoig, em 1563, os combates continuaram. Em 1567, a chegada de Mem de Sá ao território do Rio de Janeiro provocou a derrota dos franceses e dos tamoios, encerrando o conflito.

A confederação dos Tamoios é relatada, em parte, nos escritos do mercenário alemão Hans Staden, que foi prisioneiro dos tamoios em Uwa-ttybi, aldeia tupinambá que ficava em algum ponto do litoral entre a Bertioga e o Rio de Janeiro atuais, como descreve Hans Staden.

Povos envolvidos

Além das nações indígenas dos tupinambás, tupiniquins, aimorés e temiminós, estiveram envolvidos os colonizadores portugueses e os franceses. Estes últimos ocuparam a Baía de Guanabara, a partir de 1555, para, ali, estabelecer a colônia da França Antártica. O tempo de duração dessa colônia foi de 1554 a 1567.

Início das disputas

O governador da capitania de São Vicente, Brás Cubas, pretendia promover a colonização mediante a escravização de indígenas. Entre as práticas indígenas, estava o cunhadismo, pela qual um homem, ao se casar com uma mulher de uma determinada tribo, passava a ser membro dessa mesma tribo. Por essa prática, João Ramalho, companheiro de Brás Cubas, desposou Mbici, também conhecida como Bartira, filha do chefe dos tupiniquins, o cacique Tibiriçá.

A colaboração dos tupiniquins com os portugueses resultou numa forte aliança que possibilitou, entre outros eventos, a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, em 1554, pelos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta e pelo cacique Tibiriçá.

A rivalidade entre as diferentes nações indígenas, associada à necessidade de força de trabalho escravo para o empreendimento da colonização, fez com que portugueses e tupiniquins se lançassem sobre os tupinambás, atacando a aldeia do chefe tupinambá Cairuçu, sendo que todos os tupinambás aprisionados foram levados às terras de Brás Cubas.

Com a morte de Cairuçu no cativeiro, seu filho, Aimberê, insuflou uma revolta e fuga do cativeiro, indo para as terras da capitania do Rio de Janeiro e constituindo o conhecido entrincheiramento de Uruçumirim, no outeiro da Glória, passando a ser o chefe da Confederação dos Tamoios junto com Cunhambebe.

A confederação

Aimberê, de Uwa-ttybi, reuniu-se onde hoje é Mangaratiba, no litoral oeste fluminense, com os demais chefes tupinambás: Pindobuçu, de Iperoig (atual Ubatuba); Koaquira, de Uyba-tyba (atual Ubatuba); Cunhambebe (pai), de Ariró (atual Angra dos Reis); e Guayxará, de Taquarassu-tyba. Sob a liderança de Cunhambebe e com o apoio de outras nações indígenas, como os Goitacá, os tupinambás organizaram uma aliança contra os tupiniquins e portugueses.

Os franceses forneceram, aos tupinambás, armas para o confronto, visto que tinham interesse em ocupar a baía de Guanabara. Com a morte de Cunhambebe (pai) durante uma epidemia, Aimberê passou a ser o líder da confederação.

A estratégia de Aimberê consistiu em ampliar ainda mais a confederação, de modo a incluir o apoio dos tupiniquins. Para isso, pediu a Jagoaranhó, chefe dos tupiniquins e sobrinho de Tibiriçá, que o convencesse a deixar os portugueses e a se juntar à confederação.

Embates e vitórias dos Tamoios

Tibiriçá deu a aparência de concordar com o sobrinho e propôs que a confederação o encontrasse, a fim de desfecharem um ataque final contra os portugueses. Entretanto, Tibiriçá permanecia fiel aos portugueses e, quando os tamoios chegaram, matou seu sobrinho Jagoaranhó.

A trégua obtida pelos jesuítas

Com a interferência dos jesuítas Nóbrega e Anchieta - este, já fundador de São Paulo (1554) - no episódio conhecido como Armistício de Iperó-ig, foi selada uma trégua, em que os portugueses foram obrigados a libertar todos os indígenas escravizados.

Fim da confederação

O fim da trégua conquistada em Iperoig (atual Ubatuba) se deu com o fortalecimento da colonização portuguesa, com os portugueses se lançando sobre as aldeias indígenas, matando e escravizando a população. Os tupinambás foram se retirando em direção à baía de Guanabara. Contudo, em 1567, com a chegada de reforços para o capitão-mor Estácio de Sá, que havia fundado, dois anos antes, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, iniciou-se a etapa final de expulsão dos franceses e de seus aliados tamoios da Guanabara, tendo lugar a dizimação final dos tupinambás e a morte de Aimberê na Guerra de Cabo Frio.

Referências

BUENO, Eduardo (2016). Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. [S.l.]: Estação Brasil. 264 páginas. ISBN 9788556080066

NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 34.


PERRONE-MOISÉS, Beatriz e SZTUTMAN, Renato. «Notícias de uma certa confederação Tamoio». Consultado em 11 de junho de 2020


Temiminós

Toy Art Temiminó
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
30ATupinambá
Tupi-Guarani
UF / País

RJ, ES




Os Temiminó, ("Temiminó" é oriundo do tupi antigo temiminõ, que significa "descendente") também chamados Temininós, Timiminós, Tomominos e Tegmegminos, foram uma etnia Tupi que habitou a Ilha do Governador, São Cristóvão, Niterói e o sul do atual estado do Espírito Santo, no Brasil, no século XVI. Era inimiga tradicional dos seus vizinhos Tupinambá na baía de Guanabara mas possuía muitos traços culturais em comum com estes e com as outras tribos tupis, tais como a língua, crenças, costumes como o canibalismo ritual e a agricultura de subsistência baseada em queimadas.
Guerra entre Tamoios e Temiminós na Baia de Guanabara, Ilustração de Jacques le Moyne de Morgues 1576
Os inimigos Tupinambá chamavam pejorativamente os Temininó de Maracajás, isto é, gatos-do-mato. Os Temiminós aliaram-se aos portugueses contra os franceses, que eram os aliados dos seus inimigos Tupinambás. Um dos principais centros territoriais dos temininós foi a atual ilha do Governador, na época, chamada Isle Belle ("ilha bela") pelos franceses, Paranapuã ("mar redondo") pelos Tupis e Ilha do Gato pelos portugueses. Uma outra região ocupada pelos Temiminó foi o sul do atual estado do Espírito Santo.

O instante melhor conhecido da história temininó se relaciona com a criação e destruição da França Antártica. Em 1554, os tupinambás da famosa Confederação dos Tamoios (ou Tamuyas, isto é, literalmente, dos anciões, dos mais antigos), ajudados por franceses, atacaram os temiminós na ilha de Paranapuã (ilha do Governador) e os expulsaram da Baía de Guanabara. Os Temininós, liderados pelo chefe Maracajá-guaçu, foram ajudados pelos portugueses na viagem que fizeram até encontrarem a outra parte de sua nação, no atual estado do Espírito Santo. Nessa capitania, fundaram, com os jesuítas, uma aldeia que deu origem à atual cidade de Serra.
Estatua de Arariboia em Niterói, Arariboia ou Martim Afonso de Sousa(Rio de Janeiro, ? - Niterói, 1589) foi um chefe da tribo dos temiminós, grupo indígena tupi que habitava o litoral brasileiro no Século XVI. Ajudou os portugueses na conquista da baía de Guanabara frente aos tamoios e franceses, em 1567. Como recompensa, os portugueses lhe cederam uma região na entrada da baía que viria a dar origem à atual cidade de Niterói, da qual é considerado o fundador.
Em 1567, os temininós, liderados pelo filho de Maracajá-guaçu, Arariboia, juntaram-se os portugueses e destruíram as fortificações dos franceses e tamoios na Baía de Guanabara. A convite dos portugueses, que queriam manter a baía protegida dos franceses dispersos e dos tamoios, Arariboia passou a residir no local onde atualmente é o bairro de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro. Nesse local, os temiminós ainda resistiram a um ataque tamoio.

Alguns anos depois, em 1573, Arariboia e os temiminós se mudaram para o outro lado da entrada da Baía de Guanabara, onde tinham a missão de proteger a entrada da baía. Nessa região, os temiminós fundaram São Lourenço dos Índios, que foi o início da atual cidade de Niterói.

Referências

CALMON, Pedro. História do Brasil - Primeiro volume. (Brasiliana)

FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 659.

BUENO, E DUARDO Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.

NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 100.

Caeté

Indigenas Caetéem Toy Art
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
4ACaeté
Tupi-Guarani
UF / País

SE,PB,BA



Etnia que ficou famosa por terem atacado e comido o Bispo Sardinha, episódio que ficou famoso com o manifesto antropofagico da Semana de 22, Kaa-etê em Tupi-Antigo significa "gente da mata", viviam no território que compreende o intervalo do rio São Francisco até a ilha de Itamaracá, Recife e Olinda faziam parte desse território.

Eram conhecidos por sua valentia e por não aceitarem pacificamente a ocupação de suas terras. Eram pessoas diferentes: de altura mediana, cabelos pretos e lisos, olhos escuros e penetrantes, o pés achatados e finos na parte superior e inferior, motivados pelas grandes caminhadas.

Os índigenas Caeté mantinham negócios com franceses no contrabando de pau-brasil escoados para Europa, através do rio São Miguel na Praia dos Franceses. O donatário da capitania de Pernambuco resolveu acabar com o contrabando do pau-brasil, que servia de matéria prima para a produção de tinta e seus derivados, o solo miguelense era repleto dessa madeira, por essa razão os índios caetés começaram a odiar os portugueses.
Gravura de Theodore de Bry representando os “cercos de Igarassu” em Pernambuco no ano de 1549. Reproduzida da edição original de 1557 em Marburgo, Alemanha, do livro de Hans Staden, Duas Viagens ao Brasil.

Manoel da Nóbrega chegou 29 de marco de 1549, junto com Tome de Souza, e entendeu que só teria poder efetivo se trouxesse um bispo para o Brasil, posto que o Brasil ainda fazia parte da diocese de Funchau na Ilha da Madeira.

Nóbrega enviou uma carta para Simão Rodrigues, chefe dos Jesuitas em Portugal e para Rei D.Joao III, 1551 requisitando que o Brasil virasse um bispado.

Foi então que chegou no dia 22 de julho de 1551 Pero Fernandes Sardinha, nascido em Evora, veio para o Brasil, para assumir o cargo de bispo. Sardinha estudou em Salamanca e também no colégio de Santa Bárbara de Paris, que pertencia a Diogo Gouveia, o idealizador das Capitanias hereditárias. Foi enviado para Goa, na Índia e passou a ganhar muito dinheiro com seu prelado para “perdoar os pecados em troca de penas pecuniárias”, depois desse episódio.

Ficou por uma semana na Igreja da Ajuda em Salvador más logo pediu um lugar mais digno de um bispo, para comprar a mansão de Pero de Goes e começou a se aliar a Antonio Cardoso de Barros, o primeiro ministro da Fazendo do Brasil, (o cargo na época era Provedor Mor), que ficou famoso pela construcao de Salvador com 6 empreiteiros, superfaturando e atrasando obras. Ao se alinhar com Antonio Cardoso de Barros vira inimigo de Pero Borges e Duarte da Costa, governador de Salvador.

Com essa briga toda, Manoel da Nobrega veio para São Paulo, fundar a cidade no dia 25 de janeiro de 1554 dizendo que tinha uma gerra civil em Salvador. A intenção de Nobrega o levar o Bispo Sardinha para Salvador para catequizar os nativos, no entanto ele não o fez pois odiava os índios, certa vez disse a Manoel da Nobrega, “os Indios são incapazes de compreender qualquer doutrina, por sua bruteza e bestialidade”, e foi alem, proibiu o evangelho traduzido para o Tupi Antigo, proibiu também que entrassem na igreja e qualquer manifestação tida como "indígena".

Percebendo esse desequilibrio em Salvador, morubixaba Tupinambá Tubarão empreende um ataque a vila, quando a 'gangue' de Dom Alvaro da Costa, filho de Dom Duarte entra na guerra e vence os indígenas, com isso, a câmara de vereadores decide que o Bispo Sardinha e Antonio Cardos de Barros e mais 90 aliados seiram enviados de volta ao Reino.

No dia 02 de junho de 1556, a bordo da Nao Nossa Senhora da Ajuda parte de volta para Portugual, com mais de 20 baús repletos de fortunas, procedentes de suas corrupções, e encalham na foz do rio Coruripe, sem sofrerem nenhuma baixa, descem e vao para a praia quando foram abordados por índios, eram os Caetés.

O cenário era este, Duarte da Costa era alinhado aos Tabajaras, etnia que por sua vez era alinhada aos Portugueses, inimigos ferrenhos dos Caetés alinhados com os Franceses que vinham recolher Pau-Brasil nas piscinas naturuais da praia dos Franceses (daí o nome).

Aproximadamente duzentos nativos Caeté levam os 97 portugueses, 100 a frente e 100 a traz, dizendo que iriam ajudá-los a chegar até Olinda. Ao chegar  na foz do rio, avançaram de forma que os Portugueses ficassem no meio do rio com os Caeté de um lado e do outro,  no meio da travessia são atacados com flexas vindas das duas margens, o Bispo Sardinha e Antonio Cardoso de Barros sobrevivem para serem devorados em ritual antropofagia numa tribo proxima.

A familia Duarte da Costa é tida como incompetente e logo é substituida por Mem de Sá, o dsenbargador de toga e espada, chegando junto o segundo bispo, o Bispo Leitão, (que não é devorado pelos Indios).

Caetés devoram o bispo Sardinha
Esse fato lamentável provocou tempo depois uma grande perseguição aos índios e sua quase total dizimação, determinada pela coroa portuguesa. No entanto, os caetés foram condenados por uma bula papal a extinção pelo sacrilégio de terem matado e devorado um bispo, e por um edito da Rainha de Portugal, Catarina da Áustria, em 1557, que tornava todos os índios e seus descendentes condenados, também, á escravidão. Mem de Sá chega e cumpre a risca, declara guerra justa aos Caetés, que acaba por matar também os Tabajara e Potiguar.

Esta sentença real desencadeou em 1560, a chamada guerra dos Caeté, que culminou com a extinção da grande nação indígena. Em nossa terra os índios Caeté desmandaram em busca de terras mais seguras e distantes do litoral.

Jerônimo de Albuquerque, certa vez, mandou colocar na boca de canhões, alguns índios prisioneiros e dispará-los á vista dos demais para que os mesmos voassem em pedaços. À bala e o fogo despovoou inteiramente as terras litorâneas e os que escaparam nunca mais tentaram enfrentar o colonizador, tendo que se adaptarem os novos rumos determinados pela ocupação branca.

Em nossa terra o civilizador plantou definitivamente suas raízes com a instalação do povoado de São Miguel.

Cosmologia e Religiosidade

Sua religião era baseada em principio, adoravam um deus que se chamava tupã, respeitavam com veneração a lua e o sol,também acreditavam em seres sobrenaturais, como caipora, a coruja considerada por eles de mau agouro, tinham no pajé o elemento de ligação entre eles e a divindade era também o médico e o curandeiro.

Aspectos Culturais

Na caça usavam o alçapão para pegar passarinhos, e a arapuca para pegar animais quadrúpedes e ainda o arco e a flecha.Na pesca usavam a rede de pesca, a linha de anzol feita de osso, o arpão e a própria flecha.Comiam também frutas e raízes (batata, inhame e macaxeira), peixes assados sobre brasa ou moqueados.

Dos utensílios domésticos, destacamos a rede de dormir, a gamela, a cabaça e a cuia que usavam como prato. O fabrico de cestas de palha de bananeira ou de palmeira e outros utensílios de barro.

Os índios que viviam em nossa terra, eram também antropófagos, comiam carne humana, até mesmo dos índios derrotados em combates entre si. Como confirmação podemos citar o episódio referente ao Bispo D. Pero Fernandes Sardinha cujo navio em que regressava a Portugal naufragou nas costas da foz do rio Coruripe, junto a outros cem náufragos e segundo acusações feitas posteriormente foi comido pela tribo Caeté a qual foi marcada como inimiga da civilização e a partir daí passou a ser perseguida.

Localização

Habitavam o litoral brasileiro, entre a foz do rio São Francisco e a ilha de Itamaracá, na foz do rio Paraíba, numa área limitada ao norte pelas terras dos potiguaras e ao sul pelas dos tupinambás. Mesmo possuindo alguns descendentes dos Caetés na região Nordeste, atualmente a tribo é considerada extinta.

Referências

BUENO, EDUARDO. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19.
Os índios caetés: Primeiros habitantes de São Miguel dos Campos. Disponível em http://www.escritoresalagoanos.com.br/texto/2540. Acesso em 2 de setembro de 2012.
BUENO, E. Coroa Cruz e Espada.

NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 550.

Farias, Airton de (2015). História do Ceará - 7ª Edição. Revisada e Ampliada. ed. Fortaleza: Armazém da Cultura. pp. ,23. ISBN 978-85-8492-004-4

Bispo Sardinha e a antropofagia». Escola Kids. Consultado em 23 de novembro de 2019

PINTO, Tales. Bispo Sardinha e a antropofagia. São Paulo. 2005.

https://www.algosobre.com.br/historia/primeiros-governadores-gerais-do-brasil-os.html

Costa-Lima, J.L.; Chagas, E.C.O. (29 de outubro de 2018). «Six new species of Eugenia (Myrtaceae) from the Atlantic Forest of northeastern Brazil». Phytotaxa (em inglês). 373 (3): 211–220. ISSN 1179-3163. doi:10.11646/phytotaxa.373.3.4

domingo, 5 de julho de 2020

Aimoré

Toy Art Aimorés
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
1AAimoré
UF / País

MG e BA




Os aimorés, aimbirés, aimborés ou Botocudos - "Aimoré" é um termo do Tupi Antigo que designa uma espécie de macaco, eram uma etnia indígena brasileira que habitava o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo nos séculos XVI e XVII. Ao contrário da maioria dos povos indígenas que habitavam o litoral brasileiro no século XVI, não falavam a língua Tupi. Relatos sugerem que eram 30 000 indivíduos.

Botocudos

Botocudos foi a denominação genérica dada pelos colonizadores portugueses a diferentes grupos indígenas pertencentes ao tronco macro-jê, de diversas filiações linguísticas e regiões geográficas, principalmente Aimoré, cujos indivíduos, em sua maioria, usavam botoques labiais e auriculares.
"Índios Botocudos", denominação genérica dada pelos colonizadores à indígenas que usavam o botoque

Os botoques eram discos brancos, geralmente feitos com a madeira leve da barriguda (Bombax ventricosa), secados ao fogo, de diâmetro variável, chegando a até 12 centímetros. Esses acessórios, fixados nos lóbulos das orelhas e nos lábios, conferiam aos indígenas uma aparência particularmente assustadora.

Quando os portugueses chegaram ao que hoje se chama Espírito Santo, encontraram vários grupos indígenas que viviam da pesca, caça, coleta e pequena agricultura de subsistência. Aquele que ocupava mais territórios e que ofereceu mais resistência aos brancos foi justamente o dos Botocudos.
Aimoré, Aimberê, Aimboré ou Botocudo

Os chamados botocudos eram considerados muito aguerridos, defendiam sua terra com determinação, e sofreram perseguição implacável pelo homem branco, desde sua chegada, no século XVI, até o início do século XX. Consta que atacavam aldeias dos puris ou goitacases, seus adversários tradicionais, como também as caravanas de viajantes e as fazendas de sesmeiros, incendiando o que encontravam no caminho.

Alguns grupos sobreviveram até o século XX nas matas localizadas entre o Rio Jequitinhonha e o Vale do Rio Doce, nos Estados da Bahia, de Minas Gerais e do Espírito Santo. Os remanescentes dos grupos que viviam nos rios Mucuri e Jequitinhonha foram confinados na missão de Itambacuri, em Minas Gerais, onde se extinguiram. Os grupos do Rio Doce, sobreviventes destituídos de suas terras e aculturados em 1911, foram recolhidos a postos situados no Espírito Santo e em Minas Gerais. Os botocudos são também chamados aimorés, boruns ou guerens.

O índio Guido Pokrane, segundo o historiador Jonathas Durço, foi usado pelo militar Guido Tomás Marlière na aculturação. Ele fez a ligação entre os brancos "civilizadores" e a "barbárie" indígena. A Coroa Imperial iniciou uma catequese dos remanescentes rebeldes de Minas e, quando os tinha pacificado, iniciou um processo de extermínio e genocídio sem precedentes na história do Brasil — culminando com a extinção quase que completa dessa nação indígena.

Os Aimorés, eram numerosos na época das primeiras incursões do homem branco, distribuindo-se pelo sul da Bahia e região do vale do rio Doce, incluindo o norte do Espírito Santo e Minas Gerais. Ainda há grupos remanescentes, nas bacias dos Rios Mucuri e Pardo, eram nômades, se abrigavam em cabanas temporárias cobertas com folhas de palmeiras. Sobreviviam principalmente da caça. O escritor português Pero de Magalhães de Gândavo assim os descreveu em seu livro "Tratado da terra do Brasil- História da Província de Santa Cruz", de 1576:

“Chamam-se Aymorés, a língua deles é diferente dos outros indios, ninguém os entende, são eles tão altos e tão largos de corpo que quase parecem gigantes; são muito altos, não parecem com outros índios da Terra.

Grandes corredores e guerreiros temíveis, foram os responsáveis pelo fracasso das capitanias de Ilhéus, Porto Seguro e Espírito Santo. Sempre foram vizinhos temidos. Antes do descobrimento do Brasil, haviam desalojado os Tupiniquim de suas terras ao Sul da Bahia. O contato com os brancos não foi vantajoso. Aprenderam, por exemplo, a lavrar a terra, mas também aprenderam a fumar e tornaram-se bebedores habituais de aguardente.

Os narradores que acompanhavam as entradas e bandeiras e tinham a desventura de encontrar os botocudos deixaram registradas sua violência e agressividade. Vários historiadores citam violentos ataques dos botocudos.

"Dom Frei João da Cruz, por provisão de 15 de outubro, criou ali (Abre Campo) uma freguesia com título de Santa Ana e Senhora do Rosário da Casa da Casca. A paróquia, no entanto, não pôde manter-se por muito tempo, em razão sobretudo de haver sido quatro ou cinco vezes atacada e uma vez literalmente arrasada a fogo pelo selvagem botocudo".

Cônego Raimundo Trindade, falando sobre a instalação de uma paróquia em Abre-Campo, em Minas Gerais, referindo aos botocudos.

"ele suplicante e os mais moradores do mesmo Arrayal e Rossas Vizinhas estão nescessitando de quem lhe administre os Sacramentos da Igreja e lhes dê o pasto Spiritual, havendo daí grande distância e dificuldades de caminhos para as Igrejas de São José da Barra e Furquim, como são serras muito ásperas para passar, e perigosas, e infestadas de Gentio Brabo".

– José do Valle Vieira, em uma petição para instalar esta mesma freguesia

A provisão de D. Frei João da Cruz citada antes tem um trecho («e que tendo elles suplicantes várias vezes procurado sacerdote para lhe confessar a custa de suas Fazendas, todos se escusaram com o temor do caminho, e gentio») que ilustra o feito dos botocudos, abundantes na região.
Aimoré, Aimberê, Aimboré ou Botocudo

Conquistados definitivamente no início do Século XX, com a instalação da EFVM - Estrada de Ferro Vitória a Minas.

As primeiras notícias sobre eles remontam ao século XV. Gabriel Soares de Sousa, em sua relação das costas do Brasil, fornece-nos descrição dos aimorés (nome dado aos botocudos), sua vida e seus costumes, considerando-os descendentes dos tapuias, o que estudos posteriores não confirmaram. Os botocudos (alguns davam a si mesmos o nome de engerakmung) habitavam as costas brasileiras, e no período de seu máximo desenvolvimento, dominavam entre as latitudes sul de 13 graus a 23 graus. No início do século XIX, já estavam confinados entre os rios Doce e Pardo (15 graus a 20 graus de latitude sul).

A menção do seu nome e a conotação de que seus botoques ´desfiguravam o rosto´ despertaram, na mente do colonizador português, imagem de fealdade e inimizade, num estereótipo não coincide com as descrições. Já no século XVI eram considerados maiores e mais robustos que os outros. Mas os estudiosos os apresentaram como fortes, ora como musculosos, ora como bem conformados, geralmente baixos, de caixa torácica larga e achatada na parte anterior, tronco alongado, mãos e pés pequenos, pernas finas e pescoço curto. O crânio do homem apresentava « uma fronte baixa e às vezes bastante inclinada para trás, o occiptal deprimido e as têmporas ligeiramente conexas.»

Observou-se também que sua altura era mediana e não baixa, como se dizia, o que parece mais com a realidade. O príncipe Maximiliano de Wied os considera "mais bonitos que os demais" e Saint-Hilaire afirma que se esquece sua feiúra "por uma fisionomia mais franca" (que a dos índios das outras tribos) e um "ar de alegria". Têm pés delicados, mãos fortes e são espadaúdos. Não há acordo, também, quanto à cor. Uns os declararam canela-claro; outros, amarelo para o pardo, em virtude do "sol e da sujeira". As orelhas e os lábios inferiores são deformados pelos botoques, discos brancos feitos, em geral, de madeira leve da barriguda (Bombax ventricosa), secados ao fogo, de tamanho variado, chegando até 12 centímetros. Andam geralmente nus, sendo que alguns homens usam estojo peniano de folhas trançadas de issara a que dão o nome de gincann.
As casas, devido às constantes caminhadas dos membros da tribo, eram de rápida feitura, em geral folhas de palmeiras encostadas aos pares, onde os poucos utensílios domésticos (vasilhas de taquaraçu para água ou cachaça) ficavam ao chão, onde também dormiam.

A família era poligâmica. O casamento resultava da vontade dos cônjuges e de seus pais, independente de cerimônia. Acabava-se facilmente. As mulheres e os filhos trabalhavam arduamente e obedeciam ao marido e ao pai. Além da coleta e da pesca, competia à mulher a construção da choça e o transporte de volumes, inclusive os filhos pequenos, carregados às costas ou pelas mãos. Quanto à religião, não há muitos registros sobre os seus sistemas de crenças. Havia entre eles um exorcismo para afastar dos mortos os demônios (pequenos e grandes) com fogueiras acesas perto do túmulo, geralmente por parentes. A lua era venerada como Iam.

Na história moderna do Brasil

Até meados do século XIX, foram exclusivamente caçadores, competindo a pesca e coleta às mulheres e crianças. No século XVI eram famosos como «salteadores» de roças dos colonos. A caça era feita ora isoladamente, ora em grupo mas cada grupo tinha uma área especial. O arco e a flecha eram os instrumentos usados, havendo-os de três tipos: guerreiro, farpado e para caçar animais pequenos.

Não usavam embarcações, que desconheciam, o que é estranho em região, ao contrário do dito por Métraux. Talvez tenham aprendido a nadar com o branco, ou outros índios, pois causava espécie a Gabriel Soares de Souza que eles não o soubessem, ao passo que Maximiliano de Wied já os vai declarar hábeis nadadores e trepadores de árvores.

Pelo menos sete tribos, tendo à frente os pataxós se juntaram contra os botocudos na chamada região do Cricaré (hoje, Conceição da Barra, São Mateus e Nova Venécia), unindo os índios:

Maconi;
Malali;
Capucho;
Cumancho;
Machaca;
Panhami.

Diz-se que no Espírito Santo o conde de Linhares, cuja fazenda no rio Doce era muito atacada pelos Botocudos, em célebre proclamação incitou à guerra contra eles, ordem que, de acordo com o testemunho de Maximiliano de Wied, era fielmente seguida pelo oficial subalterno de Riacho e provavelmente por quartéis ao longo da costa norte do Espírito Santo.

Os registros das expedições anteriores ao século XIX mostram que não atravessavam florestas onde viviam botocudos: nem Francisco Bruza Espinosa, nem Sebastião Fernandes Tourinho, Martim de Carvalho, o coronel Bento Lourenço Vaz de Abreu Lima e Francisco Teixeira Guedes. Ninguém saía ileso de confrontos com eles. Apenas com a ocupação maciça no século XIX os colonos conheceram a vitória sobre os botocudos. As propostas de paz posteriormente feitas se traduziram em tolerância de penetração no seu território. Os que trataram os índios de maneira simpática lograram tal intento, como Teófilo Ottoni, João Felipe Calmon, os frades Serafim Gorízio e Angelo Sassoferrato. Estes aproveitaram os ensinamentos humanitários do comandante francês Guido Marlière, que, no início do século XIX, trabalhou com os nativos da região em que atualmente se situa o Vale do Aço, em área de atuais municípios como Coronel Fabriciano, Ipatinga, Jaguaraçu e Timóteo, além de Marliéria, que recebeu este nome em homenagem póstuma.

Classificações

Os jesuítas haviam tentado classificar os índios , agrupando-os de acordo com a região que habitavam e a Língua usada. Numerosos antropólogos vêm criando classificações diversas, todas, entretanto, tendo como base a linguística e desconsiderando, quase que por completo, as demais características culturais. A grande diversidade dessas características, com certeza, impede que o trabalho de classificação do indígena do Brasil seja concluído de forma ampla e científica. Atualmente, considera-se a classificação do professor Aryon Dall'Igna Rodrigues como uma das mais completas. Seu estudo também utiliza os princípios linguísticos e estabelece seis grupos ou troncos. Segundo ele, o tronco macro-jê, ao qual pertencem os botocudos, ou aimorés, é subdividido em cinco famílias:

família jê
família maxacali: língua dos maxacalis;
família fulniô: língua dos fulniôs;
família bororo: língua dos bororos;
língua não-classificada em família: língua dos carajás.

Genética e origem

Um artigo científico publicado pelo jornal de ciências naturais "Proceedings of the National Academy of Sciences", feito por uma equipe multidisciplinar de diferentes universidade públicas brasileiras teve destaque na revista "Nature". Foram analisadas catorze caveiras que estavam no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde o século XIX, utilizando como base o DNA mitocondrial da parte interna dos dentes para evitar uma possibilidade de contaminação do material genético pelas muitas mãos que tocaram o crânio ao longo dos anos. Doze das caveiras apresentaram características de grupos Paleoamericanos, povos nativos da América, mas duas revelaram haplogrupos característicos da Polinésia, Ilha da Páscoa e outras ilhas do Oceano Pacífico.Um outro estudo de DNA também confirmou o perfil polinésio e não ameríndio das duas amostras, mediante o exame do DNA autossômico.

O geneticista Sérgio Pena, participante do estudo, afirma ser um mistério o fato de haver sequências de genes de povos originários das ilhas do Pacífico em índios botocudos nativos da América. Uma das possibilidades é a vinda desses povos pela costa ocidental da América do Sul, uma vez que eram exímios navegadores (os polinésios colonizaram lugares como a Ilha da Páscoa, áreas remotas de suas terras originárias da Oceania). No entanto, o próprio Pena acredita ser improvável, pois mesmo que tal teoria fosse confirmada, seria muito difícil esses povos atravessarem a Cordilheira dos Andes e chegarem ao sudeste do Brasil.

Outra alternativa seria o cruzamento entre esses povos e escravos. Na década de 1860, dois mil escravos polinésios chegaram ao Peru e podem ter vindo para o Brasil, apesar de não existir evidência disso. Ainda assim, entre 1817 e 1847 aproximadamente 120 mil escravos foram enviados ao país trazidos de Madagascar. Este último indício parece ser o mais provável segundo os pesquisadores, mas Pena não descarta qualquer uma das hipóteses pela falta de evidências contundentes.

Há ainda a possibilidade de ter havido um erro por ocasião do tombamento dos crânios no museu, uma vez que crânios da Polinésia foram adquiridos na mesma época em que houve a aquisição dos crânios dos botocudos.

Grupos

Muitos foram os grupos indígenas denominados botocudos, devido ao uso de botoques labiais e auriculares, independentemente do ramo etno-linguístico a que pertenciam.

Aranã (ainda considerados botocudos);
Bacuén;
Caingangue;
Cracmun;
Crenaque (ainda considerados botocudos);
Eteuete;
Guticraques;
Jiporoques;
Maconis;
Malalis;
Minhajirun;
Mokuriñ (ainda considerados botocudos);
Nacnenuque;
Nacrerré;
Naques-nhapemãs;
Nepe-nepe;
Panhame;
Pejaerun;
Pojixá;
Tacruque-craque;
Xetá;
Xoclengue (do estado brasileiro de Santa Catarina);

Referências

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Referênias

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sábado, 4 de julho de 2020

Goiatacá

Toy Art Goitacá
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
13AGoitacá
UF / País

Campos de Goytacazes RJ



Uma das tribos brasileiras mais cercadas de lendas que se conehce, os Goitacá eram os que geraram as historias mais espantosas do Brasil pré Colombiano.

Quanto ao nome, vem do Tupi e pode significar, pode vir de ‘Guata’que significa “correr”, ou “corredor” ou ainda “Aba ytá gua”que significa “o homem que sabe nadar”, isso porque eram grandes corredores e nadadores, segundo os grandes cronistas do seculo XVI.
Os Goitacá tinham força extraordinária e sabiam manejar o arco com destreza
Os 14 grandes donatarios o Pedro de Goes era aquele que menos tinha representatividade, tenente do Martim Afonso de Souza na expedicao de 1532 e 1531 que criou as capitanias, recebeu a pior delas, era a mais dificil de chegar por mar, com 30 leguas de costa (180km – da foz do Itapemirim até a foz do Rio Macaé, no Cabo de São Tomé), um territorio repleto de pantanos e brejos, sem nenhuma enseada natural, que recebia as àguas do rio Itapemirim, Itabapoana, São Mateus e o grande Paraíba do Sul despejavam suas águas barrentas contra o oceano, sem as belezas naturais do sul, Buzios e Cabo Frio, territorio dos Tamoio, Capitania do próoprio Martin Afonso de Souza.

Segundo relato de Osório Peixoto em seu livro 1001 Anos dos Campos dos Goitacases", eles eram fortes fisicamente, possuíam pele mais clara, eram mais altos e robustos que os demais índios do litoral do Brasil. Reuniam, ainda, uma "força extraordinária e sabiam manejar o arco com destreza". Tinham o hábito de dançar e cantar em ocasiões festivas, usando o jenipapo para a pintura do corpo e penas de aves com as quais adornavam seus objetos.

A  historiadora Sílvia Paes ainda compmemtna, “tinha uma estatura mais alta que os outros índios e a pele mais clara. Ele gostava muito de nadar no rio Paraíba e em outras áreas alagadas da região. O cabelo do índio era muito comprido na parte de trás e ele tinha a cabeça raspada na parte da frente. Outro traço marcante é que ele não usava nenhuma espécie de tanga, só usava pintura pelo corpo”, disse. Eram supersticiosos quanto à água para beber, não bebendo-a de rios e lagoas, mas sim das cacimbas.

Mantinham comércio com os colonizadores europeus, mas com uma peculiaridade: não se comunicavam com os colonizadores. Deixavam seus produtos em um lugar mais elevado e limpo, ficando à distância, observando as trocas. Davam mel, cera, pescado, caça e frutos em troca de enxadas, foices, aguardente e miçangas. Assim como os demais povos indígenas brasileiros, os goitacás guerreavam entre si e contra seus vizinhos. "Quando não se julgam fortes, fogem com ligeireza comparável à dos veados." Além do arco e da flecha, faziam, com perfeição, trabalhos com penas de aves multicoloridas, usando-as no corpo e nas armas e também em ocasiões festivas. Trabalhavam o barro, enterrando seus mortos em ygaçabas.

Num dos relatos mais importantes dizia que os Goitacás caçavam tubarões com o auxílio apenas de um pau, o qual era metido na boca do tubarão para o matar. Os dentes do tubarão, então, eram usados como pontas de flechas.
Na década de 60 foi encontrada em Campos dos Goitacazes um sítio arqueológico com ossadas e cerâmicas dos índios
Faziam machados de pedra, jangadas, trabalhavam com bambu e trançavam redes de fibra e cordas. Os goitacás desapareceram no fim do século XVIII, exterminados por uma epidemia de varíola disseminada criminosamente entre eles. Calcula-se que eram cerca de 12 000. Viviam em palafitas construídas sobre os pântanos à beira dos rios Paraíba do Sul e Itabapoana. Ao contrário dos índios tupis, não usavam redes: dormiam no chão. Eram grandes corredores e nadadores, capazes de capturar veados a mão nua. Eram tidos pelos colonizadores portugueses como os índios mais cruéis e ferozes do Brasil. Eram canibais mas não comiam carne huma em rituais. mas sim como mero mantmento.

Não deixaram registros escritos de sua língua, porém presume-se que ela pertencia à família linguística Puri, a qual, por sua vez, pertence ao tronco linguístico macro-gê praticavam a agricultura.

Sítio do Cajú

A cultura do índio Goytacá começou a ser mais conhecida após as décadas de 60, 80 e 90, quando foi descoberto em Campos um sítio arqueológico com ossadas e cerâmicas dos índios. O sítio arqueológico do Caju fica próximo de onde atualmente funciona o cemitério do Caju, descoberto durante uma obra da prefeitura. De acordo com a diretora do Museu Histórico de Campos, Graziela Escocard, cinco toneladas de material foram retiradas da região.
Urna para enterro de seus mortos "ygaçabas"

“ Onde hoje é o cemitério do Caju, antes havia um lago e os índios tinham o hábito de enterrar os mortos em urnas em volta de lagoas, por isso foi encontrado tanto material nas proximidades do cemitério. Na região foram encontradas várias ossadas e cerâmicas dos índios goytacá. O material foi levado para o Rio de Janeiro, porque na época a cidade não tinha um local adequado para guardar. Agora com o museu, estamos buscando meios para trazer essa herança dos índios de volta para a cidade”, concluiu a diretora do Museu.

Fontes de informação

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BASTOS, Rafael José de Menezes. Exegeses Yawalapití e Kamayurá da criação do Parque Indígena do Xingu e a invenção da saga dos irmãos Villas-Bôas. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, n.30/32, p. 391-426, 1992.

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LAMEGO, A. R. apud CAETANO, S. Os goitacás 1. Disponível em http://goitaca.blogspot.com.br/. Acesso em 26 de julho 2012.

VASCONCELOS, S. apud CAETANO, S. Os goitacás 5. Disponível em http://goitaca.blogspot.com.br/. Acesso em 26 de julho 2012.

ALENCAR, J. O guarani. Adaptação de André Carvalho. Clássicos da Juventude. Volume 12. Belo Horizonte. Editora Itatiaia. 1964. 185p.

Site do Goytacaz F. C. Disponível em http://www.goytacaz.com.br/ Arquivado em 2 de julho de 2012, no Wayback Machine.. Acesso em 26 de julho de 2012.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Carijó

Toy Art dos Indios Carijó
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
10ACarijó
Tupi-Guarani
UF / País

PR




Ao falar sobre os primeiros exploradores que aportaram na Ilha de Santa Catarina em1504 e dos primeiros vilarejos fundados, temos que lembrar com destaque daqueles que foram responsáveis pela sobrevivência dos primeiros europeus na região, os índios Carios ou Carijós-guaranis, descendentes da raiz cultural Tupi.
Índios Carijó, gravura de Ulrich Schmidl, 1559.

Foi o povo nativo carijó da aldeia de Cotia (Acotia) ou aldeamento de Massiambu, com suas características particulares, que possibilitou a instalação dos primeiros habitantes brancos naIlha de Santa Catarina. A gênese da colonização e ocupação catarinense tem nesse fato o marco inicial de sua história, pois os nativos acolheram os primeiros viajantes europeus em suas aldeias, forneceram alimentos, moradia, segurança e estabeleceram acordos de troca e abastecimento dos navios espanhóis e portugueses, talvez tenha sido a primeira etnia a ter aprendido com os Portugueses a domesticação de animais, como galinhas para o abate ou produção de ovos.

Criadores de Aves

Parte desse trabalho de abastecimento aos Portugueses vem das galinhas domésticas comuns, ou européias, aves não são nativas do Brasil, que foram introduzidas pelos navegadores que por aqui aportaram a partir do século XVI. É preciso lembrar que os índios que aqui estavam antes do descobrimento não criavam animais com fins alimentícios. O relato do explorador espanhol Álvar Nuñez Cabeza de Vaca, que esteve na região da bacia do Paraná-Paraguai entre 1540 e 1545 (mais ou menos na mesma época que Ulrich Schmidel) faz numerosas referências a grupos indígenas – desde os Guarani no litoral até outros grupos bem para interior, na região oriental do Chaco – que «criavam galinhas e patos», aves que eram sempre oferecidas como alimento aos espanhóis, quando estes chegavam a uma aldeia
O Tembetá, um artefato feito muitas vezes de osso, era usado para perfurar e ornar lábios e bochechas dos Carijó

O pesquisador Helmut Sick suspeita que as «galinhas» de Schmidel eram exemplares nativos semelhantes às aves européias, mas uma informação de Cabeza de Vaca (1999 [1540-1545], p.157) – « criavam galinhas e patos da mesma maneira que nós na Espanha » – a respeito dos Guarani na bacia oriental do rio Paraná pode sugerir que, de fato, as redes indígenas de comunicação e comércio – que conectavam todo o sul da América – encontradas pelos europeus nos primeiros tempos da conquista operavam de maneira eficiente na difusão das novidades introduzidas pelos invasores. Métraux (1928, p. 95), de sua parte, acredita que os primeiros exploradores do Paraguai recebiam dos indígenas « galinhas de proveniência européia ». Nóbrega (2006 [1549], p. 33), em carta de 1549, referindo-se aos Carijó no sul das terras portuguesas na América, relembra a criação de « gansos » (Cairina moschata) por estes índios, além da abundância de « bois, vacas, ovelhas, cabras e galinhas » que « dão na terra e há deles muita cópia ».

E a relação da viagem do capitão francês Paulmier de Gonneville – que, ao que tudo indica, esteve por seis meses entre os Carijó no sul do Brasil –, tampouco faz menção a estas aves (Perrone-Moisés 1992). Goneville esteve no Brasil em 1503 e, certamente, teria relatado a presença de galinhas domésticas, caso existissem, uma vez que seu relato, assim como o de Caminha, é riquíssimo e detalhado na descrição das aves que encontrava, com isso fica claro que os Carijós aprenderam essas técnicas de criação com os Portugueses.

A trilha do Peabiru

A Trilha do Peabiru é talvez a historia que mais inspirou os europeus em sua busca frenética por riquezas e ouro, tudo começou com um naufrágio em Santa Catarina e o acolhimento dado pelos Carijós, os chamados 'O Melhor Gentio da Costa'.
A trilha do Peabiru, que saia de três origens, São Paulo, Santa Catarina e Cananéia, se uniam Vila Velha de Ponta Grossa, seguia ate os Campos Gerais até Assuncion, de lá Subia o rio Plicomayo, segunido por Colquechaca na Bolivia ate chegar no Perú.
O grande incentivador pela historia do caminho do Peaberu em direção à civilização Inca chama-se Aleixo Garcia, um marujo português que fazia parte da armada espanhola de Juan Diaz de Solis,  morto pelos nativos Charrua, quando desembarcou nas proximidades da Bacia do Rio da Prata no ano de 1514.

Tudo começou em 1514, quando navegantes portugueses que buscavam contornar o sul da America e encontraram a foz de um enorme rio, que chamaram de 'Mar Dulce', (hoje Rio da Prata) lá eles fizeram contato com indígenas Charrua que os presentearam com um machado de prata maciça, dizendo "que o machado vinha de um rico lugar, onde esse próprio rio nasce, em uma terra alta, coberta com neve e que existia uma nação altamente desenvolvida, rica em ouro e prata", o pensamento da tripulação foi "de onde vem esse machado, tem mais".

Sabendo disso o Juan Dias de Solis, também chamado de "Bofes de Bagaço", por conta de um terrível mal hálito decorrente do consumo de muito vinho, decide fazer uma expedição ao local com duas caravelas, quando acontece o tal episódio no qual os Charruas o matam e o devoram.

Os sobreviventes fugiram e retornam pela costa brasileira até que uma de suas caravelas naufraga na Praia de Naufragados, ao tentarem entrar no canal de Santa Catarina pela perigosa ponta Sul, é então que fazem contato com os Carijós, que por sua vez diziam conhecer uma Trilha que levava ao tal lugar rico em ouro e prata, chamado de Caminho do Peabiru (na língua tupi, "pe" – caminho; "abiru" - gramado amassado).
Parte do Peaberu milenar na região Inca - trecho calçado com pedras
Peabirus era o nome dado à antigos caminhos utilizados pelos indígenas sul-americanos, desde a pre-historia, em intricada rede de conexão de todo o conesul e pareciam ter seu epicentro em Piratininga (hoje São Paulo), desde muito antes do descobrimento, o mais importante desses peabirus, chamado de Trilha do Peabriu, iria direto ao Peru.

Essa trilha, que saia de três origens, São Paulo, Santa Catarina e Cananéia, se uniam Vila Velha de Ponta Grossa, seguia ate os Campos Gerais até Assuncion, de lá Subia o rio Plicomayo, segunido por Colquechaca na Bolivia ate chegar no Perú.
A Trilha do Reabriu tinha três pontos de partida, São Paulo, Cananéia e Vila Velha de Ponta Grossa (foto de Luiz Pagano 1981)
Empolgado com essa historia, e, 1526 Aleixo Garcia liderou um grupo com 2000 Carijós, levando farinha de pinhão e mariscos secos e mel em direção ao Peru, chegando a 150 km de Potosi, na Montanha de Prata, que deu origem à lenda da Montanha da Lua, lá eles entraram em guerra com o império Inca, saquearam e fugiram carregados de metais preciosos.

No retorno, Aleixo Garcia morre ao ser atacado pelos indígenas Payaguás ao tentar atravessar o rio Paraguai, também chamados de piratas do rio Paraguai (que deram origem aos hoje chamados Avá-Canoeiros) esses indígenas sabotaram as embarcações fazendo furos e cobrindo com barro - ao entrar na agua, os barcos começavam a verter agua e consequentemente afundavam. Dois sobreviventes dessa aventura, Henrique Montes e Melchior Ramires relataram o ocorrido, criando uma onda de iniciativas para atacar o império Inca, sem sucesso.

O império Inca só foi conquistado por iniciativa de  Francisco Pizarro e seu irmão Gonçalo Pizarro em 1539, que atravessou o Panama, levando suas embarcações desmontadas nas costas da tripulação coma ajuda de indígenas locais, remontado no Oceano Pacifico, chegando no Perú pela costa oeste, aprisionando e matando o líder Inca, Atahualpa.

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Tupinambá Antigo

Toy Art Tupinambá antigo
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
35ATupinambá

UF / País

RJ, SP, BA



Os Tupi-Guarani tornaram-se conhecidos historicamente por terem sido os primeiros a fazer contato com os europeus, no que seria o início do período colonial, e também pelo imenso território ocupado por esses grupos então: no litoral Atlântico desde o cabo de São Roque, ao norte, até o Trópico de Capricórnio, ao sul, assim como extensas áreas do planalto meridional e entorno.
Tupinambá - Aquarela sobre pergaminho mostra índios brasileiros, o tupinambá pode ser visto com o lindo manto de penas, feito com fibras naturais, penas vermelhas de guarás e azuis de ararunas
Dados linguísticos, resultantes de análises léxico-estatísticas, são unânimes em apontar o sudoeste da Amazônia, na bacia do alto rio Madeira, como o centro de dispersão dos povos Tupi.

Os poucos dados arqueológicos existentes para essa região  parecem corroborar esta hipótese. Entretanto, não há documentação que ateste a presença de grupos Tupi-Guarani na bacia do alto Madeira para mais de alguns séculos. Os únicos Tupi-Guarani do sudoeste amazônico, os Kagwahiva de Rondônia e os Guarani das terras baixas bolivianas, migraram durante o período colonial para essa região, respectivamente da bacia do Tapajós da região do Chaco.

Desde meados do século XIX, estudiosos buscam compreender os processos e os mecanismos que permitiram aos grupos falantes de línguas da família Tupi-Guarani ocupar vastas áreas das terras baixas da América do Sul. Tais pesquisas foram iniciadas por von Martius, mas foi von den Steinen quem observou semelhanças linguísticas e culturais que permitiam unificar os diversos grupos Tupinambá e Guarani (Noelli 1996, 1998, 2008). Foi também von den Steinen o primeiro estudioso a apontar o sudeste amazônico - no caso, o alto Xingu - como o centro de dispersão dos povos Tupi-Guarani “Será, portanto, de importância decisiva para o problema da emigração tupi saber se nas cabeceiras do Xingu, no Planalto Central, onde mais ou menos se encontra o ponto geográfico central da irradiação tupi, ainda existam tribos tupi. Admitindo que ali ainda elas existam, será necessário saber quais dialetos tupi se aproximam principalmente dessas tribos incólumes de qualquer civilização até hoje, através de sua linguagem, se colocam numa categoria próxima dos primeiros tupinambás, encontrados antigamente pelos descobridores”.

Uma das sínteses clássicas dos dados históricos desses grupos cultural e linguisticamente relacionados foi a produzida por Alfred Métraux para o Handbook of South American Indians vol. III de 1948. A designação Tupinambá, utilizada por Métraux, cobria todos os índios falantes de línguas da família Tupi-Guarani, desde a boca do Amazonas até Cananeia, nas proximidades do Trópico de Capricórnio, assim como alguns grupos que habitavam áreas próximas ao litoral.

Um dos primeiros comentários de Métraux foi que, por mais próxima que fosse a relação entre esses grupos, havia paradoxalmente uma ligação de animosidade entre um grupo e outro. Animosidade que era colocada em prática durante os intermináveis conflitos entre os grupos que, por sua vez, terminavam em um clímax ritualístico: os derrotados sendo servidos como prato principal. A economia desses grupos era baseada na agricultura, e que a mandioca era a principal planta cultivada. Além da agricultura, eles viviam da coleta, da caça e da pesca. As aldeias eram, segundo o autor, localizadas em topos de morro, com quatro a oito casas dispostas em torno de uma praça central, cada uma comportando até 200 pessoas. Algumas aldeias possuíam valas e paliçadas para defesa. As casas comunais eram ocupadas por pessoas relacionadas por sangue ou casamento. Cada casa comunal tinha um chefe. Acima de todos, estava o chefe da aldeia (Métraux 1948).

Dentro de cada dos Tupis-Antigos eram encontradas redes para dormir, bancos de madeira, cestaria e cerâmica. Outros objetos eram os ornamentos de pena, o estojo peniano, contas, colares, arcos e flechas e os barcos. Em muitos casos, a relação dos Tupinambá com as canoas que produziam foi central para a interpretação das dinâmicas desses grupos. Na visão de Métraux, as canoas serviriam para pescar, para atacar inimigos e, por que não, para se deslocar (e expandir) rapidamente.
Sítios arqueológicos localizados na Amazônia

Os trinta e sete sítios arqueológicos localizados no baixo Tocantins foram agrupados em três fases cerâmicas: Tauarí, Tucuruí e Tauá:

- A fase Tauarí foi definida a partir de seis sítios arqueológicos, localizados da foz do rio Itacaiúnas até próximo do trecho encachoeirado do rio. A cerâmica apresenta pequeno percentual de decoração, 87%, tendo como características gerais o predomínio de tempero mineral, seguido pelo cariapé e/ou cariapé e carvão;

- A fase Tucuruí é caracterizada a partir de vinte e um sítios arqueológicos, localizados entre a corredeira de Itaboca e a cidade de Tucuruí. A coleção cerâmica é composta de 88,45% de fragmentos sem decoração. O tempero é predominantemente mineral, com ocorrência de cariapé. As técnicas plásticas de decoração incluem o inciso, o modelado (geométricos ou biomorfos), raspado, ponteado, escovado, entalhado, roletado, corrugado, acanalado, ungulado e serrungulado;

- A última fase é a Tauá, caracterizada a partir de cinco sítios arqueológicos localizados entre a cidade de Tucuruí e a vila de Nazaré dos Patos. A cerâmica tem como características gerais o predomínio de tempero mineral, seguido por cariapé. A decoração plástica compreende nas técnicas de inciso, modelado, corrugado, ponteado, escovado, entalhado, acanalado, roletado, digitado e raspado. As técnicas de pintura são como as da fase Tucuruí.
Araújo Costa e Simões (ops. cit.) associam as três fases à tradição Tupiguarani. Também definem essas ocorrências do sudeste do Pará como tradição Itacaiúnas:
“Estas três fase e outras da mesopotâmia Xingu-Tocantins, como Carapanã, Itacaiúnas, Pau d’Arco, Pacajá, Marabá e as ainda não nominadas da área do Projeto Carajás, formam uma tradição regional distinta, a qual se resolveu denominar tradição Itacaiúnas. A fase Tauarí é a que mais se identifica com a fase-tipo Itacaiúnas enquanto Tucuruí e Tauá apresentam maiores afinidades com a fase Carapanã,” (Simões e Araújo Costa, 1983, p 15)

Como eles se movimentavam pelo Brasil

Modelo de Brochado

Estas duas subtradições correspondem às duas levas de migração Tupi, graficamente representada pelo “grande jacaré amazônico”, ou “modelo de pinça” proposto por Brochado, cuja mandíbula corresponde aos grupos que originariam os Guarani e o maxilar os que originariam os Tupinambá.
Modelo do Grande Caiman (cayman, pinça ou jacaré) proposto por Brochado

O modelo de Brochado é composto por dados etnográficos, lingüísticos e arqueológicos, sendo a mais completa obra realizada até o momento sobre a arqueologia Tupi.
Mas existe uma série de criticas, tanto de etnólogos quanto de lingüistas, a respeito deste modelo. A principal delas refere-se à associação da Tradição Policroma Amazônica com os falantes de línguas do tronco Tupi. Não existe nenhuma evidência, etnográfica ou histórica que permita esta associação (HECKENBERGER ET AL, 1998, URBAN, 1996). Apesar dos apontamentos de Lima (2005) sobre a relação dos campos decorativos entre as cerâmicas Marajoara/Guarita e Tupiguarani, Schaan (2007) após enumerar diferenças entre ambas afirma:

“(...) Poderímos ir adiante enumerando diferenças. Percebe-se claramente diferenças marcantes entre estas duas populações, o que nos leva a considerar as poucas semelhanças encontradas na cerâmica como pouco significativas” (Schaan, 2007, p 12)

Modelo Hidrografico

Essa visão era coerente com o panorama tecido por Nordenskiöld (1930), que via nas três grandes bacias hidrográficas na América do Sul:
Bacia dos principais rios da América do Sul

-Bacia Amazónica – Brasil, Bolívia, Perú, Colombia, Equador, Venezuela e Guiana
-Bacia do Orinoco – Venezuela e colombia
-Bacia do Paraná – Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia

Uma rede de conexões que teria permitido grandes movimentos populacionais pelo continente. Panorama que seria adaptado por Lowie e Steward para o Handbook of South American Indians, sintetizando o conceito de Floresta Tropical.

O Modelo de Sshmitz

Na década de 1990, diversos modelos são retomados, mas sem grandes modificações. Pedro Inácio Schmitz (1991) (mapa 3) reitera sua posição adotada em 1985, baseado no modelo lingüístico de Migliazza para a origem amazônica dos Tupi.

O "Modelo Cardíaco" de Lathrap
O modelo de dispersão mais aceito, com origem no alto Xingu, usando das trilhas ancestrais para se espalharem pelo Brasil, posto que não usavam da navegação para este fim 
Donald Lathrap da universidade da California propós em 1970, em seu tratado não publicado, um modelo de expansao que, tal como um sistema circulatorio, tinha um epicentro de circulação, às margens do rio Madeira em gerião Xinguana. Ele oferecia uma proposta para a compreensão da história de longa duração dos grupos indígenas nas terras baixas da América do Sul, com destaque para os Tupinambá e para os Guarani. Nesse modelo, tais antigas populações do tronco Tupi teriam se expandido a partir da Amazônia central. Nesta região, assim como por quase toda a calha do rio Amazonas e por alguns dos seus principais afluentes, esses antigos grupos Tupi produziriam vestígios materiais ligados à Tradição Polícroma Amazônica (TPA). Nesta perspectiva, e do ponto de vista arqueológico, as Subtradições Tupinambá e Guarani seriam identificadas ao longo do litoral atlântico, nas áreas de mata atlântica, nos vales do sul do Brasil e no entorno deste, e em algumas outras regiões (Noelli 1996, 1998, 2008). Tais agrupamentos possuiriam uma cultura material semelhante, o que permite falar em uma Tradição Tupi-Guarani.2 Além disso, nesta visão, o eixo desse processo teria seguido vias fluviais ou costeiras.

Quem eram os Tupinambás

Graças aos livros de Lerry Thevet e Hans Stadens, sabemos como era a sociedade dos Tupis (Tupinambás, Tupiniquins, etc. ). Esses relatos começam com a aventura de Hans Staden, no ano 1553, que ao realizar uma caçada sozinho em Bertioga, foi capturado por indígenas que o trataram com muita violência - Staden logo percebeu que a intenção dos indígenas era a de devorá-lo em um sofisticado banquete, servido com o mais fino Cauim.

Apos passar por vários momentos de terror, Staden sobreviveu ao contato com os canibais, voltou a Europa, quando escreveu sobre essas verdadeiras desventuras quase inacreditáveis no ano de 1556, fazendo do Brasil e seu provo um dos lugares mais incríveis e assustadores do mundo de sua época.
Artefatos dos Tupinambá, a muçurana, a corda que o prisioneiro carregava dentro da aldeia enrolada na cintura - o numero de nós representava o numero de luas até a data de seu sacrificio, o enduape, ornamento com penas gigantes, provavelmente de emas, que era usado nas costas e a ibirapema, budurna, especie de maça utilizada para dar o golpe ritual na nuca do refém.

A veracidade dos relatos de Staden são autenticados no ano seguinte no livro do francês André Thevet, de religião católica e posteriormente pelo calvinista Jean de Léry. Thevet teve sua experiência obtida ao fazer parte do grupo denominado França Antártica no Brasil, que após passar dez semanas vivendo na Baía da Guanabara, regressou à França por estar doente. No ano seguinte, publicou a obra intitulada ‘As singularidades da França Antártica (1557)’: uma fonte relevante por ser uma das primeiras obras a fazer menção ao Brasil em pleno descobrimento, no entanto, escrito com ênfase no fantástico ao transparecer a presença do imaginário medieval.

Já Jean de Léry que veio para o Brasil em 1558, juntamente com um grupo de quatorze pastores calvinistas, e cinco donzelas para habitar a França Antártica fez um realto bem mais acurado. No decorrer de sua estadia os conflitos ideológicos entre católicos e protestantes, fez que ele tivesse uma visão muito mais critica ao trabalho de Thevet, que após dezenove anos do seu retorno, publicou seu diário denominado ‘Viagem à terra do Brasil (1577)’, uma obra muito mais elaborada que tinha o declarado intuito de desmentir equívocos e mentiras contidas no livro de Thevet.

Essas três importantes obras ilustradas que renasceram na decada de 1920 Totem e tabu, de Freud, o manifesto Cannibale, de Francis Picábia, lançado em 1920, e o livro L’Anthropophagie rituelle des Tupinambás, de Alfred Métraux, que inspiraram os modernistas de 1922, Tarsila, Oswald e Mario de Andrade, fizeram que nós conhecêssemos a cultura, idioma e hábitos dos povos Tupis com rigor científico em estado de arte.

Banquetes que demandavam por refinada etiqueta, como as européias e éticas de guerra, com rituais semelhantes aos dos Samurais japoneses

O Brasil daquela época era ocupado por tribos irmãs e beligerantes, a guerra era uma atividade constante, Potiguares eram inimigos de Tabajaras, que por sua vez eram inimigos de Caetés, rivais dos Tupinambás, os quais, guerreavam constantemente contra os Tupiniquins. Essas guerras eram regidas por códigos atentamente observados e seguidos a risca por todos esses ‘primos’, falantes de variações do mesmo idioma, o Tupi Antigo.

O ato da guerra era sagrado e tinha como o momento culminante do embate, o apogeu ritualístico definitivo e verdadeira consagração da vitoria, a Antropofagia. Os ARAPURUS (comedores de gente) tinham rituais muito bem coreografados e a dinâmica do ritual canibalístico era muito elaborada, existem relatos de outros atos canibilísticos ao redor do mundo, mas foi aqui, nos litorais brasileiros que essa pratica teve a sua aplicação mais requintada.

1 – A guerra

Enquanto os portugueses estavam preocupados com a exploração dos recursos da nova colônia, os povos indígenas estavam totalmente dedicados aos atos de guerra intertribais. No ano de 1565 os portugueses resolveram tomar uma posição mais forte e uma batalha foi travada entre portugueses, aliados ao Tupiniquins contra os franceses, aliados dos Tupinambás. Poucos anos mais tarde a maior parte dos franceses foi expulsa da região da Gauanbara, que tinha Villegagnon, um cavaleiro católico de Malta como líder, junto aos Tupinambás da resistência. Essa derrota só foi possível com a ajuda dos Tamoios, sob a liderança de Aimberê, dando origem assim ao Rio de Janeiro.

O executor perguntava: -“Ere-îuká-pe oré anama, oré iru abé?” (mataste nossos companheiros e nossos parentes, o prisioneiro então relatava seus feitos heróicos: - “Pá, Xe r-atã, a-iuká, opabe a-‘u. Xe anama xe r-eõ-nama resé xe r-epyk-y-ne. Xe anama e’i-katu pe îukabo” (Sim, eu sou forte, matei-os e comi-os todos, minha família, por minha morte vingar-me-á, minha família irá matar vos).Prisioneiro dos Tupinambas amarrado pela cintura com a MUÇURANA em ritual de sacrifício, O executor, vestindo um lindo manto de GUARÁ, empunha a IBIRAPEMA
Em meio a essa guerra toda, guerreiros de tribos inimigas eram capturados e ai então os Abá-Porus faziam a festa

2-O Prisioneiro de Guerra

No exato momento em que o inimigo era capturado, o guerreiro responsável pela captura virava seu dono, e passava a ter responsabilidade direta sobre seu cativo até o final de todo o processo, que culminaria com com sua canibalização. Os prisioneiros eram amarrados pelos pés e mãos, o que impossibilitava sua caminhada, para se locomoverem, eles tinham que dar ‘pulinhos’, situação que se ridicularizava bastante o capturado.

Aos pulos os prisioneiros eram conduzidos até a aldeia dos vencedores, ao passar pela entrada principal, eram recebidos com animosidade e ainda mais humilhação, os residentes jogavam restos de comida e pedriscos e se dava o seguinte dialogo:

O captor dava a ordem ao prisioneiro: -“Enhe'eng tembi'u” (Fale, comida); O prisioneiro então respondia: “Aîur-ne pe rembi'urama” (Estou chegando eu, sua comida);
As pessoas da tribo, jogando pedriscos e restos de comida no prisioneiro completavam: “Opererek îandé rembi'u oîkóbo” (Aí vem chegando nossa comida).

Nos próximos dias, o prisioneiro recebia o tratamento equivalente ao de um primo distante, era hospedado na oca do captor, era bem alimentado, a zombaria cessava 'em parte' e o anfitrião oferecia, alimento, rede e até mesmo sua filha ou sua esposa para que este se satisfizesse sexualmente. Nos primeiros dias, ele recebia também uma longa corda com nós para ser usada ao redor do corpo e pescoço, chamada de MUÇURANA. A Muçurana tinha uma quantidade de nós que representava o numero de ciclos lunares até sua execução. O prisioneiro jamais tentava fugir, pois isso seria a maior vergonha para ele e sua tribo. Na bizarra hipótese da fuga do prisioneiro, as pessoas de sua própria tribo não o aceitariam de volta e o conduziam vergonhosamente a aldeia dos captores para seu destino que já estava determinado pelo condigo de conduta da tradição oral mais antigo que se conhecia.

Os Tupis, tal qual os samurais prezavam a morte digna, o tumulo mais honroso para um guerreiro era o estomago de seu inimigo - Ter suas entranhas devoradas por vermes e insetos era repugnante e desprezível.

3- O Banquete

No dia anterior ao banquete, todos bebiam o Cauim, bebida fermentada de mandioca produzida exclusivamente pelas mulheres pelo processo de mastigação e cusparada (a amilase salivar transformava amido em açúcar, que por sua vez era fermentado por leveduras exógenas, criando assim uma bebida de graduação alcoólica não superior a 8,5%), e tinha inicio uma grande festa.
Capa de penas de guará e de papagaio, pertencia à tribo de índios Tupinambá. Após a chegada do europeu em 1500, grande parte destas preciosidades foram saqueadas. O destacado Manto Tupinambá, que já foi confundido com o manto de um imperador azteca e foi levado daqui pelo governador holandês de Pernambuco, no século 17. Hoje pertence ao Museu Nacional de Arte da Dinamarca.
Na manhã seguinte, o prisioneiro tomava um banho e depois era ornado com penas, casacas de ovos, e outros adereços, eram também feitas pinturas vermelhas de urucum e pretas de jenipapo. Uma pantomima sempre acontecia nesses rituais - permitia-se que o prisioneiro fugisse até a entrada da aldeia quando era recapturado, numa encenação ritualística, e voltava amarrado com a Muçurana pela cintura, trazido por dois guerreiros, um de cada lado da corda e trazido para frente do executor enquanto a tribo toda gritava e se alvoroçava, aumentando assim o clima da festividade ao seu êxtase.

O Executor que também havia se banhado e submetido a uma pajelança com ervas e unguentos, após a longa cauinagem da madrugada, trajava-se de forma ritualística, com plumas pinturas e um maravilhoso MANTO GUARÁ vermelho feito com pele de lobo-guará, ornado com plumas de arara e tucano. Um dos momentos mais acalorados da festa era quando o executor se colocava na frente do prisioneiro, o absoluto silencio se fazia e acontecia outro dialogo:

O executor perguntava: -“Ere-îuká-pe oré anama, oré iru abé?” (mataste nossos companheiros e nossos parentes?)
O prisioneiro então relatava seus feitos heróicos: - “Pá, Xe r-atã, a-iuká, opabe a-‘u. Xe anama xe r-eõ-nama resé xe r-epyk-y-ne. Xe anama e’i-katu pe îukabo” (Sim, eu sou forte, matei-os e comi-os todos, minha família, por minha morte vingar-me-á, minha família irá matar vos).

Após o dialogo, o executor empunhava uma pesada arma, assemelhada a uma enorme maça, com um peso na ponta, ornada com plumas, que previamente fora preparada com orações e libações, chamada ‘IBIRAPEMA’, a manejava com destreza em movimentos marciais coreografados, encaminhava-se para traz do prisioneiro e acertava a base do crânio com muita força.

A morte era rápida, o crânio era despedaçado em sua base.

As mulheres mais velhas rapidamente colocavam um embolo em seu anus para evitar que os fluidos saíssem, recolhiam seus miolos e demais fragmentos espalhados pelo chão e tentavam recolher a maior parte possível de sangue. O corpo permanecia de pé, amparado pelas Muçuranas, fazendo com que seu sangue não fosse espalhado pelo chão, havia uma propósito muito nobre para todo esse sangue.

O sangue colocado em vasos de barro cozido e era bebido ainda quente por todos, as mulheres passavam em seus seios e davam o peito aos bebês, seu corpo era colocado com muito respeito dentro de um caldeirão já com água fervente, para facilitar a retirada da pele, ai então o corpo era desmembrado, cortado pelo dorso e levado para a defumação (moqueágem). Após alguns minutos o corpo era virado, abria-se o ventre e os miúdos eram misturados a farinha e o mingau era dado para as crianças, só os grandes guerreiros podiam comer um mingau preparado com a pele ao redor do crânio, e os órgãos sexuais eram devorados pelas mulheres. A língua e os miolos eram comidos por pré-adolescentes de 12 a 16 anos de idade.

Logo apos a execução, o executor era arranhado pelo líder tribal com dente de onça, de forma que a escarificação já cicatrizada servia-lhe como honraria – Quanto mais escarificado, melhor guerreiro era. Todo esse ritual era acompanhado de musica de flauta feita com os ossos dos prisioneiros abatidos anteriormente.

Ao final de 4 horas, o ritual acabava e os habitantes da tribo se recolhiam aos aposentos para dormir, a final de contas, ficaram acordados a noite toda para o grande evento.