quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Kayapó





Toy Art da Etnia Kayapó 

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
108KayapóKaiapó, Caiapó, Gorotire, Mekrãgnoti, Kuben-Kran-Krên, Kôkraimôrô, Metyktire, Xikrin, Kararaô, Mebengokre
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT, PA8638Funasa 2010


Se autodenominam Mebêngôkre, "Gente do Buraco do Rio" ( na linguagem Tupi "Kai-pó", me - significa gente, be - condição ou estado de ser, ngô - água e kre - buraco), O termo kayapó (por vezes escrito "kaiapó" ou "caiapó") foi utilizado pela primeira vez no início do século XIX. Os próprios não se designam por esse termo, lançado por grupos vizinhos para nomeá-los e que significa "aqueles que se assemelham aos macacos", o que se deve provavelmente a um ritual ao longo do qual, durante muitas semanas, os homens kayapó, paramentados com máscaras de macacos, executam danças curtas. Mesmo sabendo que são assim chamados pelos outros, os Kayapó se referem a si próprios como mebêngôkre, "os homens do buraco/lugar d'água".
Toy Art da Etnia Kayapó original - saiba como ter a sua contato@blemya.com

É um povo bastante numeroso nos estados do Pará e Mato Grosso, estimado em aproximadamente 5.000 índios. Habitam as terras indígenas Kayapó, Baú, Mekrkãgnoti, Bejenkôre, no estado do Pará, e Kapoto/Jarina, estado de Mato Grosso. Os Kayapó atuais descendem de um grande grupo indígena denominado Goroti-Kumrem, que se dividiu em dois blocos, de um lado os Kayapó-Gorotire, e os Kokorekre que já desapareceram, os Menkrãgnoti, Metutktire ou Txukarramãe, Ô-Ukre, Paka-nú, Kubenkrãkein, Kôkraimore, Krikretum, Kararaô e os Pore-Kru que deram origem aos Xikrin A parte oriental do povo Kaiapó foi contatada por volta de 1940, e a parte ocidental na década de 50, pelos irmãos Villas Boas. Viveram em guerra com tribos vizinhas como os Karajá, Juruna, Xavante, Tapirapé e Panará, mais conhecidos como Kren-Akarore. Protegem com muito rigor suas terras. As aldeias têm as casas dispostas em formato circular com uma grande praça ao centro, onde se realizam seus rituais.

As mulheres da tribo Kayapó conservam seus cabelos compridos, mas aparados na frente com suas próprias mãos arrancando fio por fio em linha reta sobre a forma de franja, ficando sobre a forma triangular acima dos olhos. (Foto Renan Leandrini) 

Conhecidos por sua bravura, os Kaiapó são guerreiros, mantêm sua cultura tradicional, são exímeos artesãos e têm na borduna um símbolo das armas de caça e guerra. Um aspecto forte de sua cultura é a pintura corporal, realizada com primorosa habilidade pelas mulheres, com desenhos perfeitos em linhas geométricas, que as crianças e adultos de ambos os sexos costumam usar, em festas que constituem outro aspecto muito especial da cultura desse povo. Essas festas chegam ao clímax depois de um período de meses durante o qual cada ritual se ajusta em todo aspecto com seus cantos, danças e cerimônias tradicionais para ocasião de cada festa. A língua falada é o Kayapó, do tronco lingüístico Macro-Jê, que possuí 17 vogais e 16 consoantes e padrão distinto de entoação, as vogais são prolongadas para dar ênfase. No caso dos Kaiapó de Menkragnoti o dialeto é o menkragnoti. No artesanato, tem uma variação de adornos (cocares, braceletes) e ornamentos fascinantes. São caçadores e coletores.

Cultivam a plantação de mandioca, milho, batatas e outros. Os Kayapó já comercializam a castanha-do-pará, outros já passaram a vender a madeira de lei como o mogno e o cedro. Em todas as aldeias já existem escolas e o ensino bilíngüe. Sua população é de aproximadamente 5.000 pessoas. Participaram de todas as edições dos jogos.

TERRITÓRIO KAYAPÓ

As terras oficialmente demarcadas cobrem uma área de 11 milhões de hectares do sudeste amazônico e formam assim a maior área protegida de floresta tropical no mundo (Zimmerman et al. 2001). Os Mebengokre se dividem em 19 comunidades, com uma população de 5.923 habitantes (FUNASA, 2006).

Observa-se a civilização Kayapó, como verdadeiros exemplos de diversidade cultural, compreendendo a relação existente entre sua arte, costumes, modo de vida, política e uma grandiosa harmonia com meio ambiente se tornando fantásticos guardiões de seus territórios tradicionais.

Atualmente, as terras indígenas são basicamente a única barreira contra a onda de desmatamento que vem devastando o sudeste da Amazônia, onde florestas dão lugar à agricultura. Este efeito de barreira ocorre porque os povos indígenas que dependem da floresta para sua sobrevivência, lutam ativamente por seus direitos territoriais e expansão de suas fronteiras.


Adicionar legenda
Nos anos 80 e 90, os Kayapó tornaram-se célebres na mídia nacional e internacional pela ativa mobilização em favor de direitos políticos, da demarcação de suas terras, e também pela forma intensa como se relacionam com os mercados locais, em busca de produtos industrializados. No curso dessa mobilização, rostos como o dos líderes Ropni (mais conhecido como Raoni) e de Bepkoroti (Paulinho Payakã), tornaram-se mundialmente famosos, clicados pela imprensa ao lado de artistas, personalidades e grandes chefes de estado. Suas aparições espetaculares em Brasília, durante o processo da Assembléia Constituinte, e a intensa movimentação desses líderes em articulações no Brasil e no exterior foram a marca do período.

O ponto culminante parece ter sido o célebre encontro pan-indígena de Altamira em fevereiro de 1989, de grande repecurssão na imprensa, em que lideranças de comunidades Kayapó, junto com representantes de 24 povos indígenas, além de grupos ambientalistas de vários países, reuniram-se para impedir a construção de um complexo hidrelétrico no rio Xingu, em particular a usina de Kararaô. No ano anterior, Payakã estivera nos Estados Unidos, a convite dos antropólogos americanos Darell Posey e Janet Chernela, onde denunciara o mesmo projeto e questionara representantes do Banco Mundial que o financiariam. Paralelamente, Raoni havia conquistado auxílio internacional do cantor Sting, que resultou na criação de organizações não governamentais de proteção à floresta e aos Kayapó, como a Rainforest Foundation e sua filial brasileira Fundação Mata Virgem (Rabben, 1998). Em novembro de 1989, Payakã foi agraciado com a medalha de honra da Better World Society, entidade filantrópica de defesa da ecologia e do bem estar da humanidade, na categoria Proteção do Meio Ambiente.
Raoni Metuktire a bordo do trem bala (Shinkansen) em Tokyo - Raoni ganhou notoriedade nacional em 1984 quando apareceu em publico, com pintura de guerra pedindo ao então ministro do interior, Mário Andreaza a demarcação da terra de seu povo. Mas foi só no final dos anos 80, ao lado do cantor Sting que passou a ser reconhecido mundialmente.

Foi o primeiro índio a ter passaporte, viajou por mais de 17 países para mostrar a realidade da devastação de nossas florestas - Antes disso, em outubro de 1988, participou com o cantor na turnê Human Rights Now, em São Paulo


No início dos anos 90, portanto, a associação dos Kayapó com o discurso ambientalista internacional estava no auge. É possível que, dadas as circunstâncias, os líderes Kayapó tenham se valido dessa representação para chamar a atenção da opinião pública internacional acerca dos problemas que os afligiam, sobretudo a situação de suas terras. Mas a imagem idealizada que parte do movimento ambientalista tinha dos Kayapó impediu de ver que a defesa que estes faziam da floresta e da natureza não tinha um fim em si mesmo, nem baseava-se numa suposta pureza silvícola. Fica a impressão de que a ajuda internacional só se interessava pelos índios na medida que eles se comportavam como defensores da natureza. Como observou o antropólogo William Fisher (1994:229), era como se o modo de vida indígena só valesse a pena ser preservado na medida em que fosse benéfico ao meio-ambiente, e não em razão de seus direitos de auto-determinação enquanto povo. E se é verdade que um simples olhar em imagens de satélite atesta que, na Amazônia, as áreas indígenas, incluindo a dos Kayapó, são ilhas de cobertura vegetal, cercadas pelo desflorestamento do entorno, isso certamente não ocorre pelo fato de os índios pensarem como os ecologistas.

Nesse contexto, ao mesmo tempo em que, no nível global, eram vistos defendendo a floresta, localmente os Kayapó faziam negócios com aqueles agentes econômicos que mais provocam danos ambientais na Amazônia: a exploração de madeira e o garimpo. Essa característica custou caro à imagem dos Kayapó, sobretudo após o incidente que envolveu o líder Payakã em uma acusação de violência sexual. As notícias das relações comerciais dos índios, somadas à exploração ideologizada do episódio, fizeram com que os Kayapó passassem de heróis ecológicos a verdadeiros vilões da Amazônia. A acusação a Payakã caiu como uma luva aos inimigos da causa indígena, em meio à Rio-92, grande conferência das Nações Unidas sobre meio-ambiente e desenvolvimento. Freire (2001) mostra como a imprensa brasileira procurou demolir a versão ecológica dos Kayapó, para substituí-la por outra, em que apareciam como ricos capitalistas, latifundiários, privilegiados, "acaboclados", vivendo todos os piores vícios da civilização, envolvidos em atividades altamente predatórias como o garimpo e a exploração de madeira.

No entanto, da perspectiva dos índios, alinhar-se com os ambientalistas e negociar com a economia local com a qual convivem de longa data faz igualmente parte de suas estratégias de relacionamento com o mundo dos brancos, parte do seu modo de enfrentar as novas condições históricas que se lhes apresentam. Na ausência de uma política governamental para a questão indígena, os Kayapó trataram de obter por conta própria recursos (simbólicos, políticos e econômicos) fundamentais para sua reprodução social. Não apenas bens de consumo, serviços, atendimento médico, mas também possíveis parceiros e colaboradores. Daí a necessidade de chamar atenção internacional para o problema da demarcação de suas terras, para quem estava disposto a ouvir. Daí negociar parte dos recursos naturais de suas terras em troca de dinheiro.

Além disso, as idealizações (positiva ou negativa) dos brancos não permitiam enxergar que essas estratégias nunca foram consensuais, provocando muitas vezes conflitos internos, e até cisões nas comunidades, entre os partidários de um ou outro tipo de atuação. Os Kayapó não são um bloco monolítico de pensamento e atitudes. É preciso entender suas ações e estratégias tanto no contexto de sua "política externa" (luta por autonomia e afirmação étnica), quanto no de sua "política interna", que envolve também disputas por prestígio entre lideranças intra e interaldeãs e grupos de idade.

Por outro lado, a experiência acumulada diz aos Kayapó que nem sempre se pode confiar no kuben ("branco"), e que as parcerias são intrinsecamente instáveis e conflituosas. Para eles, os brancos não se comportam adequadamente, pois mentem em demasia (kuben ênhire), ou como costumam descrever jocosamente os Xikrin, têm "duas bocas" (japê kré amé). Os Kayapó sabem que as negociações com madeireiros e garimpeiros, apesar de importantes em algum momento, foram prejudiciais e quase sempre desonestas. Hoje, mostram-se abertos a alternativas ao modelo econômico predatório que se enraizou fortemente na Amazônia sobretudo no regime militar. Os Xikrin, por exemplo, romperam todos os contratos com madeireiros no início da década de 90 e apostaram no desenvolvimento de um modelo de exploração florestal sustentável e renovável, dentro dos padrões de certificação internacional. Foram o primeiro grupo indígena no Brasil a ter um Plano de Manejo Florestal aprovado pela Funai e pelo Ibama, e hoje começam a despontar como exemplo não só para os outros Kayapó, como para todo o estado do Pará, no que diz respeito à questão madeireira. Atualmente, muitas comunidades Kayapó desenvolvem projetos de alternativas econômicas sustentáveis, em parcerias com ONGs e agências multilaterais de financiamento.


Apesar de nossas armadilhas, portanto, os Kayapó seguem tentando se mover na interface entre o seu mundo e o nosso. Têm apreendido um bocado sobre nós. E nós, o que temos aprendido deles? Talvez seja a hora de abandonarmos nossas visões idealizadas, românticas ou cínicas, para tentar compreender quem são eles verdadeiramente.

Ronkrã: É um esporte tradicional do Povo Kayapó. É jogado num campo de dimensão semelhante ao de futebol, entre duas equipes de 10 atletas de cada lado, em que cada atleta usa um bastão de aproximadamente 1,30 m (espécie de borduna), o Akêt. Um côco de babaçu (bola), o Ronkrã é colocada no centro do campo e o objetivo é ir tocando a bola com o bastão contra o oponente, até passar a linha de fundo, marcando, assim, o ponto. Não há juiz, o tempo de duração da peleja é de acordo com a desistência de qualquer uma das equipes, geralmente é a que está em desvantagem. Não há um prêmio para equipe ganhadora e sim um reconhecimento de demonstração de força e habilidade.

Kayapós jogando o Ronkrã, esporte parecido com o Hockey de Grama


Kagót: É considerado um esporte também praticado pelos Kayapó. Participam dois grupos em números não determinados. Começa com os grupos dançando separadamente, aproximando-se um do outro, para um "confronto". Porém, passam lateralmente um grupo do outro. Daí é que, simultaneamente, arremessam as flechas uns contra o outro, visando acertar o oponente, o que caracteriza os pontos.

Vocabulário dos Kaiapós

A língua falada pelos Kayapó pertence à família lingüística Jê, do tronco Macro-Jê. Existem diferenças dialetais entre os vários grupos Kayapó decorrentes das cisões que originaram tais grupos, mas em todos eles a língua é uma característica de maior abrangência étnica, levando ao reconhecimento de que participam de uma cultura comum.

Os Kayapó, para quem a oratória é uma prática social valorizada, se definem como aqueles que falam bem, bonito (Kaben mei), em oposição a todos os grupos que não falam a sua língua.

Em certas ocasiões, como os discursos do conselho ou cerimoniais, os homens Kayapó falam num tom de voz como se alguém estivesse dando-lhes um golpe na barriga (ben), diferenciando assim esse tipo de oratória da fala comum.

O grau de conhecimento dos Kayapó do português varia muito de grupo para grupo, conforme a antiguidade do contato e o grau de isolamento em que cada um se encontra.

Meridionais ou Kaiapós do sul
[antepassados dos atuais panarás ou crenhac(ar)ores]
Língua do tronco Macro-Jê > Família Jê

“Transcrição do vocabulário escrito por Alexandre de Souza Barbosa. As comparações feitas com o vocabulário de Saint-Hilaire e Martius são do autor [Giraldin – v. fonte, abaixo]. O Arquivo Público de Uberaba decidiu pela publicação deste importante trabalho inédito de Alexandre de Souza Barbosa, tanto da primeira parte, em que trata da parte histórica dos Cayapó-Panará, quanto do próprio vocabulário por ele elaborado.”
Abreviaturas: S = Saint-Hilaire; M = Martius
Português         kaiapó

abaixar - punó (Pronuncia-se pú nó)
abelha - inpençú, inpennunçú
aberto - çâkrê
abóbora - kukút
abraçar - tiçámpê
abeirar - tiprémópín (Pronuncia-se ti pré mó pin)
abrir - tiçákrê, kaçúkiápo
acender - tiçápô
achar - típiâ (O acento tônico recai em ti)
aconselhar - tiçakión
acudir - timanká, timançá, kuaná
adivinhar - çámpápén
adular - tinunçê
adulto - çutékiát
afogar - tinkônópín (Pronuncia-se tikô nó pi)
afundar - iókâa (Pronuncia-se ió kâa)
agarrar - timpá
água - inkô, nkô. Incó (S e M)
agulha - kiôkín
ajudar - kuatã iâ (Pronuncia-se kuá tan iâ)
ajuizado - çampátêt
ajuntar - topión
aldeia - kukré
algodão - açôt, ançôt
alumiar, iluminar - tiuakuá
alto - ípia (O acento tônico recai na primeira sílaba)
alegrar-se - tiçuákin
amansar - timaçônón
amar - tikapián
amargo - çô, unkué
amarrar - tinapré
amendoim - çâtí
andar - tikúemán
andorinha - kióçúpa (É paroxítono)
ano - kréntót (Pronuncia-se kré ntót)
anta - kiút
anzol - kutuím
apagar - tipín
apalpar - tinunkuê
aparecer - iápupô
apertar - ticykiápy
aprender - kuaácytê
aranha - cêcê
arapuá - ikián
araticum - krikrí
areia, areião - kuká
areia quente - ankiókuká
ariranha - iópaçán
arma - atóme (Pronuncia-se á tó me, sendo o e mudo)
arrancar - tiúátó
arrastar - tikré
arredar - tinamé
arredondar - tiçápôpô
arremedar - tiçáném
arrepender-se - tapyindé
arroz - tançê
articulação - çuktú
asa - çaaci
assado - tikámán
assar - icryamatiká
assentar-se - icín
assoviar - çakepô, çakepôa
até - tén
atirar - tópimán, tikuató
atoleiro - inkué
atravessar - iundé
avô - tapúpiâ
avó - tatúpiâ
azedo - çôá
azul - apánápiâ (Pronuncia-se a pa nán piâ)
baba - çancou
babar - çankôtén
baixo - kakián
banana, bananeira - pakáu
bandeira (tamanduá-) - batutünán (Pronuncia-se ba tu ti inán)
banhar-se - paçuán
barba, barbudo - çampancê
barranco - intókrê
barreiro (lugar onde a caça come terra impregnada de sal) - çunkué
barrigudo - iápytú
barro - unkué
barulho - akókó
batata - iútú
bater - tinápré, tinâprê
bater palmas - cykiápópó
beber - pakón
beber água - inkômán
beijar, beijo - tipén
benjoí (abelha) - kun
beliscão, beliscar - tikondê
berne, berneira - puçú
bexiga - icê
bexiga natatória - tráko
besouro - cinakôkô (Pronuncia-se cin nankôkô)
bezerro - putinacêkián (Pronuncia-se pu ti na cê kián)
bicho-do-pé - patê. Paté (M e S)
bico - çakiát
bigode - çapancê
boca - çakuá
boca pequena - çakuápú
boca grande - çakuáinán (Pronuncia-se çá kuá in nán). Bocca chapê (M) chapé (S)
boi - putinacê (Pronuncia-se pu ti na cê)
bom - pan, tmampé, temampé. Impeim-paré (M) impéimpãré (S)
bonito - tompé. Itompeiparé (M) itompéipãre (S)
borboleta - cióió (Pronuncia-se ci ió ió)
borrachudo (mosquito) - pomancí, pomanxí
bordoada - tikucry
braço - ipá. Ipa (M) ípá (S)
bravo - acê
brasa - çakiát
branco - katétét. Macacá (M) cacatéta (S)
brejo - inkué
brigar - tapininkikô (Pronuncia-se ta pininin kikô)
brilhar - tiúaká
brincar - tinunkiâ (Pronuncia-se ti num kiâ)
broto - iató
bruto - çampánón
buriti - kuáçô
burro - kitaçãoén. Kitaschá (M)
buscar - koatápypy
cabaça - çacêinkô
cabeça - kián. Icrián (M)
cabeçudo - kiánnón
cabelo - kin, ikin. Iquim (M e S)
caçador - çuácêpé
caçar - tiçuácêêmán. Cubupapa (M)
cachaça - inkôço. Incoja (M)
cachimbo - adenakén (Pronuncia-se a de na kén)
cachoeira - tókót
cachorro - ióp. Robu (M)
bom cão - iópticuá, çuácêpé
caçoar - tinunkiá
cágado - ksué
cagar - koêmán
cair - iutén
caititu - tónhót
caixa - akô
calango - çukrenián (Pronuncia-se çu krén ián)
calar-se - iúacryn
calcanhar - pakiát
calçar - kiátápenkiá
calor - pánge (e mudo)
cama - páá. Iunquatú (M)
cambabucha - kôiôn
caminhar - ikuemán
caminho - pir
camisa de homem - mópenkiá
campina - kakê
cansar-se - ikâentót
cana - penkô
canela, tíbia - ité
canoa - pôk
canudo - ité
caolho - intónó
capim - itú
capinar - tinárémán
capivara - intán
cara, rosto, fisionomia - intó
cará - kêôkrít
caramujo - intunnacê
carne - in, cin. Jóbo (S)
carne de vaca - putinaçâín (putina-schain) (M)
carrapato - katitê
carregar - titú, tiçupiâ
caruncho - cynkô, cykô
carvão - çakiãt
cãs - kiánpô
casa - kukré. Uncuã (M)
casar - tiçapiô. Zapio (M)
casca - çakê
cascalho - iô
cascavel - apát
casco - çukôkô
cascudo (peixe) - pêiténtén
castigar - tináprê
catinguento - cipuça
cauda - çampy
cavalo - kitacê, kitaçâ. Iquitachó (S) iquitacho (M)
cava - kré
cavar - tikré
caveira, crâneo - ikxí
cego - intokré, intonó
cera - ipencê
cerrado - indió, psunkô
cervo - impótí. Impoti (M)
céu - pukuá
chamada, chamar - timâkâ
chapéu - kéupió. Kiapio (M)
chato - ipió
cheio - iunó
córrego cheio - iúnóinkô (Pronuncia-se iú nó inkô)
cheirar - tipén
cheiroso - çâpé
chifre - ípa (paroxítono)
chifrada - ipâre
chocalho - çancryt
chorar - inkúe
chover - intá
chupar - tinançá
chuva - intá
cinza - ampió
cisco - akrêkrê
claridade - iáká
cobertor - pinnakipión
cobra - ankán
cobrir - tipió
coçar - tinukrê
coco - kutó
coice - tinanán
coité [ou cuité] - terenêt
coivara - pâtê
colheita - koatátukú
colocar - tiçáá
comadre - iundêkúa
comer - tikukrén, cikukrén, tikrén
compadre - iundê
comprido - i, íre, iguir (Pronuncia-se o gui como em guitarra)
conhecer - napupiâ
conselho - tiçakión
contar - tiçuçá
cópula - prenxê
copular - pinnapinnín
coração - inkôkrê
coragem - imóiámpápa
corda - prió (Pronuncia-se prin ó)
corredeira - kiánindé (Pronuncia-se kiá nindé)
córrego - inkô
correia - ptukô
correr - iútén
correr o peixe - timutén
cortar - tiçakê
costa, dorso - ikpún
costela - inôci (Pronuncia-se in ô cí)
costurar - tiçapôpô, tiçutóó
cotovelo - pakuçú
couro - iké, ptukô
cova - cuakré, kré
cova onde é assada a carne - burubú
coxa - inkré. Icria (M e S)
cozinhar - tikuçáamán
criancinha - ióntué
crina - krin
crista - çací
cuia - pê
cuidar, zelar - tiçuánácênató
cunhado - kiántú
cupim - kôiôt
curar - kuatámunató
curto - ipió
cuspir, cuspo - çankô
cutia - ikiánnacê
dança, dançar - itóómán
dar - timoçô, timonçô
dar pescoção - tiputampín
dedo - çukiá
defluxo - çôióp
defloramento - indenakanhón
deitar - timó, iúnó, panómán
deitar-se - nóómán
demorar - iókêtupô
dente - çuá. Chuá (S) chua (M)
depois - cimamuí (Pronuncia-se ci ma muí)
derrubar - kimpá
desatar - tipó, tapupó
descer - iápúng
descobrir - tapuató
desconfiar - tiçuánén
desdentado - çuánón
desdenhar - tinanká
desejar - cenákêkê (Pronuncia-se ce ná kê kê)
desembarcar - iátó
desejo - bokuató
dia - iáká
diarréia - cinnankô
direito - atâtôt
disforme - anká
- iúnky
doce - cicí
doença - iámpiôató
doente - kitatí
doer, dor - titunçá
dormir - panhót
doido, louco - intómampán
dourado (peixe) - kâkiâ
dois - ambrendá
duro - tót
ema - mahán
embira - prinnhón
encher - tinakrét
encolher - timatêt
enredeiro, intrigante - çuánéntópé (Pronuncia-se çuá nen tó pé)
ensinar - timuçakré
entrar - icêêmán (Pronuncia-se i cê ê mán)
entristecer - iáprempé
enxada - çapáia
enxugar - innín
enxurro - iankôçô
enxuto - iúnín (Pronuncia-se iú nin)
ereto, erguido - içáme (e mudo)
esbarrar - tikonkún
esbordoar - tikucy
esconder - ipintó
escurecer - tinánán (Pronuncia-se ti ná nán)
escorbuto - çukiatú
escorregar - tinugrê
escrever - çukiómán (Pronuncia-se çu kió mán)
escroto - inkré
espantar-se - tiçakiá
esperto, agir - iútén
espinha de peixe - tepacê
espirro - çakrít
esquecer - iátêçampánón
estender - timuçúnkuátú, kuatáunçún
estimar - tikopián
estômago - impá, tukê
estreito - ikít
estrela - ançuti. Amschui amsiti (M) Ansiti (S)
estrepe - tipáansôe
excremento - aín
faca - káaçôa
falador, tagarela - çuánéntókót (Pronuncia-se çuá nén tó kót)
falar - tiçuánén (Pronuncia-se ti çuá nén)
farejar - tipén
farinha - panatá. Panatá (M) (Pronuncia-se pa na tá)
faro - çoçutén
fartar - tinakrét
fazer - tikêmán
febre - kitatí
fechar - tipió
feijão - tatacê
feio - tómanká. Intomarca (M e S)
fêmea - pranxí. Anta fêmea = pranxí kiút
ferida - kótita
ferir - tánsuén, tansuê
festa - Veja pagodeira
filho - ipán
filhote de ave - intó
fino - pan
fisgar - tuánsuê
flor - inhánhán
focinho - çâkrê
fome - inkiêto
fonte - inkôtókót
fogo, fogão, fogueira - icry. Fogo itchiú (M)
folha - póraçô. Parachó (M)
fora! - iátó!
formiga - çârutí
forte - pacitôt
fraco - pacikiôkiô
frio - ikíh, kir, namukíh. Kiúti (M)
fugir - iútó
fumaça - çukún
fumar - tipô
fumo, tabaco - aréne. Arená (M) (O último e de aréne é mudo)
furar - tikén, tikêmán
gabiroba - çunkretón
gafanhoto - hitócrít
galinha - xinunxí. Antovehú: Schuninsi (M)
galo - çuunxinunxí. Schaninsischumá (M)
ganhar - timoçón
garoa - iúnguêitá (Pronuncia-se iú unguê itá; soando o u na sílaba guê)
gasto, usado - totún
gato - iómpampé
gatinho - iómpanpépán
gengiva - çuáín
genro - pôkiá
goela - çunkiôt
golpe - tikurciê
golpear - Veja golpe
gordo - nansuê
gostoso - nacicí
goiaba - kuánháp
grande - inán, nan, ti, pó (Inán pronuncia-se i nán)
grilo - kôxí
gritar - íkâ, ikâa
grosso - inán (Pronuncia-se i nán)
guardar - tiçâa
guariba - ipút
guariroba - toncinhón
guerrear - tapentikuá
guiar - timançuá
há tempo - tóputún
homem - impúará. Itpe (M) impuaria (M e S)
imbé (cipó) - apiákâ
inchar - tinakrét
íngua - inakrét
inteiro - atãimótó
ir - pakuêmán
irara - kiókió
isca - çuióp
iscar - tiuansuê
jabuticaba - kréntíne (e mudo)
jacaré - intókóçúme (e mudo)
jacu - ptámampé
jacutupé - cêkríta
jacutinga - napiápán
jaó - pakón
jataí (abelha) - skotén
jatobá (árvore e fruta) - ampô
jaú - inán, tepinán
jaú amarelo - inánpé
jenipapo - ampiôtí
joelho - ikón
jogar, arremessar - temamián
judiar - tinaprê
labareda - ipõ
lábio - çakuá
lagoa - inkô
lágrima - Veja chorar
lambari - tépán
lamber - tinuntuâ
laranja - ksuçoâ
lavar - içuêmán
lavar no rio - paçuêpakrémán
lavrar - tiçakê
leitão - keuacêpán
leite de mulher - çuncê
leite de vaca - putinaçáncê
lembrar - iápuçámpapót
lenha - icry
levantado - tiçán
levantar - paçamán, iúçán
levantar tarde - içontakaiê
leve - nakrit
levar - imótó
ligeiro, veloz - tiprémópín, kuaprémuçá
limpo - knópô
língua - çuntót
linha - cê
linha de anzol - kutuíncê
lobo - pu
lograr, enganar - tópiâmani
lombo - çapatinín (Pronuncia-se ça pa ti nín)
longe - apéne (e mudo)
lontra - iópacê (Pronuncia-se ió pa cê)
lua - ptuá. Putuá: pturuá (M) puturuá (S)
luar - ptuaçô
macaco - ikô
macaúba - kutó
machado - kêur
macho - çuún
machucar - tiçapú
machucado - tipiatê
madrugada - iúnunté (Pronuncia-se iú nun té)
madrugar - timputakún
mãe - tíkâ. Unisi (M) (O acento tônico no i em tíkâ)
magro - pipré
mama - çuncê
mamar - tiçômán, tiçôêman, tipiáçômán
mamão - kanankón
mambucão, abelha - intó
mamona - priticy
mandaçaia, abelha - ikôçún
mandaguari, abelha - amprê
mandar - tiçantó
mandioca - kúa
mandi - kósétí
mangaba, mangabeira - ankêuacê
manhã - iaká imputiapató
manso - acênón
mão - cykiá
marimbondo - prépet
marido - pínpiâ (O acento tônico recai em pin)
mastigar - tikú, tikrén, tikutikrén
matalotagem - timôaián
matar - tipín
mato - iómamán, indióme, ió. Inrmú (M)
medo - timpákêkê, iámpákêkê
mel - inpén
melar, tirar, extrair mel - ótapupô
menino - piúntué, téprín, iprínra. Pintué (M)
menina - priará (Leia-se prin ará)
mentira - namím
merda - Veja excremento
mergulhar - içuámán
meu - iákiáma (Paroxítono)
mexer - tinunkiâ
milho - môcê, môcy
miados - taimunpé
moça, donzela - çuncêkiânakót, piuntué. Itpentié iprontuaria (M)
moço - piúntuará
moela - ikén
molhado - ikó, inkó
molhar - tinkó
mole - pépét
morcego - incêp
morder - tinsá
morrer - iútú, ipintó. Itú (M)
mosca - puçú
mosca doméstica - pómánx, koçuátét
mostrar - timupián, timâçún
mudar - iáputó
mudar os dentes - içuánó
mudo - pennón
muito - apépén
mulher - intié, intiérá. Intiera (M e S)
murcho - iúçô
murici - tékián
murro - tiçápú
mutuca - kôkôt
mutum - ptémampé, ptemaçô
namorar - tikôpián
namoro - taimópián
não - manniá
não responder - iômontimpá
não trazer - cimamapikuí (Pronuncia-se ci má má pi ku í)
nariz - çâkré. Chacaré (M e S)
narigudo - çakênán
nascimento - iinguuê (Pronuncia-se in gu u ê)
negacear - tihikót, tinkót
negro - tepanhó. Tapanio: cotú (M)
neto - tánpiâ (Acento tônico em tan)
nhambu - antó  
ninho - çacê
noite - ptikô, ptukô
nu - imaçapô (Pronuncia-se i má çá pô)
nuca - impút
nunca - tapundé
nuvem - iputukô
odiar - inkí
olhar - tiçumpún
olho - intó, ntó. Intó (M e S)
ombro   - ikón
omoplata - çukié
onça - napiá
ontem   - kóramán
orelha - çukré. Chuceré (M) chiccré (S)
osso - ité
ouvido - çukréçuákré
ouvir - timpá
ovo - inkré
ovo de galinha - xinunxí ikré
paca - inkiá
pacu - ksukié
pai - vóçúm, uçúm. Usúm (M)
pagar - timançón. (Pronuncia-se ti man çón)
pagode, dançar - itóuacê, tóuacê
pálpebra - intóçó
panela - kukiáto
papel - púankákikô, púakákikô
papo - çunkiôtú
parar - iápuçán, timâkâa
parede - pâr
parir - inguuán (Pronuncia-se in hu u án)
parto (secundinas) - çuankôpót
passear - kbú, kubú
pato - iêumatí
pau - pêr. Poré (S) (Pêr leia-se como peur francês)
- ipá. Ipáá (M e S)
pedir - tiçuçuê
pedra, pedreira - iô. Pedra keni (M)
pegar - tipúe, kimpá
peidar - ikuâ
peito - çukôt. Chúcoto (M) chucóto (S)
peixe - tép. Teto: topú (M) tépo (S)
pênis - impú
pena - inkún. Impantsa (S)
pente - kâkiâ (O acento tônico em ki)
pentear - tikiákê
pequeno - pan, pú. Ipauré (M) ipansé (S)
perdiz - pekê
perigo - iatêpetukô
sem perigo - inniókuacê
perna - ité, ikrén
pernilongo - puçú
perto - apêmán
pesado - çutín
pescador - titunómém
pescar - çuótó
pescoço - impút. Impudé (M)
pilão - açuaká
pinicar, beliscar o peixe - tinçá
piolho - ankô
piracanjuba - kápóa
piranha - ksuké
piscar - kuánán
plantar - tikré, tikrémán
poção, poço grande - çakén
poço - inkôkré
podre (?) - kêuaçaín (?) (Mais parece significar: carne de porco)
poeira, pó - tinkiôtuçáa
poita - çuóto
pomba - kutití
pombear - tónkót
pontada (dor) - krépôpô
pôr - tapuçí
porco - kêuacê
porrete - içôto
porta - çakuá
porta aberta - kamiçakuá
poupar - tapucê
praia - kuká
preguiçoso - çuanká
prender - tinapré
prenhe - tupót
preto - tépanhó. Tapanió: cotú (M) tapanho (S)
prisão, aprisionamento - kimpá
puxar - tokré
pular - çankrí
pulga - kiançú, kôçúpán
pulo - iútó
quadril - ikón, ikrê
quati - kuticê
quebrado, quebrar - tikún
queixo - çakiát
queimar - tikáá, tipô
queixada - ankiô
quente - akiô, ankiô
querer - mâkiá, mukiá, imamuçón (Pronuncia-se i ma mu çón )
rabo - çampá, çámpy
raio - acê
raiva - inkí
raiz - çarê
ramo - pôr
rapadura - pêín
raposa - panpé
rasgar - timantikâr
rasto - ipáa, ipáá
rato - ançô
rasoura, lugar raso do rio - krénón
rebojo - çaké
receber - timuçón
recusar, rejeitar - tinanká
redondo - timuntó
relâmpago - tinunán (Pronuncia-se ti nu nán)
relho - xinnampré
remar - tikúeman
remédio - pâr
remela - intóuçú
remo - kópacê
repartir - timôçakré
resistir - timampánón (Pronuncia-se ti mam pá nón)
respirar - ticê
responder - iúmokâ (Pronuncia-se iú mó ká [sic])
rio - pakré. Pupti (S)
rir - cyncy
risada - cyncykiôkiô
roça - pu
roncar - iúnhó
roxo - kannampiôpiô
ruim - ikró
ruim, gente - çuçô
saber - ticytâ
sabiá - içún
saco - impótu
sair - iútó
sal - kapaxuá
sangria - tansuá
sangue - ampiô
são, sadio - nançuá
sapatear - iútó
sapo - kretót
saracura - cytupô
sarar - tiapykôt
sarna - çunçôp
secar - pipré, ticinín (Pronuncia-se ti ci nin)
seco - cinín (Pronuncia-se ci nin)
segurar - ticepiú
semente - icí
sepultar - timâkré
seriema - ámpiâ
sobrancelha - intóçôkín
sobrinho - pakré
sogra - kokrípiâ (O acento tônico em kri)
sol - iútât, iútôt, iúktôt, iútáicí
sola do pé - ipáa
soltar - tapyndé
sono - intóketín
sonhar - iiúpintín
soprar - tiçakô
sovaco - çakré
suã, espinha dorsal - çapací
subir - iúçupín
sumir - itó
surdo - çampanón (Pronuncia-se çam pá nón)
surubi - içôa
suspender - tiçanín (Pronuncia-se ti çá nin)
suspirar - çankrékâ
tamanduá-mirim - batutí
tapera - kukré
tarde - ptentê
tatu - ankrê
terra - kypa. Cupa (ciupa) (M) cúpa (S)
testa - ikuá
teu - çakiáma
tia - citón
tição - içáátóómám
tio - çutón, citón, xitón
tirar - tiúató
tiú - akôtinacê (Pronuncia-se a kô ti na cê)
tocar, enxotar - tikón
tomar - tipêpú, tapupêpy
toque de viola - tikcén
torto - xitú
tossir - iká
toucinho - çampôatún
touro - xinakarót (Pronuncia-se xi na ka rót)
trabalhar - tikunkoamán, tiçunkuê. Schampua (M)
trazer - iópô
tremer - tentént
trepar - çupín
tripa, intestino - xin
triste - iápempré
trovoada - iúpít
um - ipút
umbigo - çuntót
unha - cykôkô
urina - iútú, icê, içôu
urinar - itumán
urrar - içumpit
urubu - kêkê
urubu, filhote de - kêkêintó
vaca - putinaxô, putinaçâ. Putinauchá (M)
vagaroso - timópiampé
varar - tansuá
varejeira - ainnicôp
varjão - çáka
varrer - tinápón
vazio - ninín (Pronuncia-se ni nin)
veado - impó, mpó. Impó (M e S)
veia - cê
velha - çuncêpó
velho - kaputún, taputún
veneno ofídico - tinsáanhán
veneno vegetal - koatámastuarê (Pronuncia-se koá tá mas tuarê)
vento - çakô
ventre - impá. Itú (M e S)
vestir - çakú
vida - iápukôt
vigiar - tiçamán
vingança - tapuató
virar a canoa - tôkupá
voar - iáputó
vomitar - çãoacin, çóancín
vontade - bôkuató
vôo - iútó, iáputó
vulva - icê
xingar, insultar - tináiô


FRASES

O menino chorou. – Inkué piuntué.
Os meninos choraram. – Iakokô piuntué inkué.
Matei um jacaré. – Tinuiá intókócúme.
Matamos muitos jacarés. – Minumépá intókóçúme.
A onça brigou com o tamanduá. – Tapín kikôe napiá batutí.
Os caçadores mataram muitas onças pintadas. – Çuaçê impé napiá inkióra.
Antônio era amigo de João. – Antônio tikapián João.
Achei um ninho de urubuzinhos. – Ninupián çacêmán kêkêintó.
Quero nadar no rio. – Kimión pakrémán.
Não vejo a canoa. – Imópáçumpún pôk.
O panará matou a macaca e o macaquinho que ela tinha às costas. – Panará tipin ikô ikôpán ipumandit tiçupián.


Caçada e pescaria

José ontem foi caçar e pescar. – José kiçuacê koramán çuátó titú menacê.
Chegando ao rio, desatou a canoa grande, nela pôs o cais (sic), rumou para a ilha, desembarcou aí e jogou os anzóis. – Pakrétén tipó pôkinán, tiçáa ióp pôk, tikkúemán iondé, iató, tmamián kutuín.
As iscas eram um coração de pato, uma perna de mutum e um sabiá inteiro e com as penas. – Çuióp inkôkré ieumati ikrén ptemançô, içún atán tmópy inkun.
De repente pinicou no anzol; estava ferrado um peixe. – Tikondê tinsá mutén; tiuansuê tép.
Retirando-o da água viu que era uma piracanjuba muito grande; tirou o anzol e pôs o peixe na canoa. – Pakrépê tapuató, taptiçumpún, tapuató kuttuin, ticê kópóa pôk namán.
Resolveu mudar de pesqueiro, foi para a ponta de baixo da ilha e pescou em uma pedra. – Namutó kapú çuókúe; kaçuókú pakiá tután, iáputó pôkpê iató iôtán.
Iscou o anzol com um pedaço da piracanjuba. Jogou-a. – Tiuansuê kutuín kapoa. Imamián.
Pegou desta vez um surubi pintado. – Tómém içôa.
Depois não pôde mais pescar por causa dos cágados. – Cimamuí apupô ksuépê krén.
Pôs os anzóis de espera em um poção e foi passar a noite no barreiro da outra banda. – Timançô kutuín çakén imócin uáká çunkué çatá iondê.
Pela meia-noite veio uma anta com duas antinhas e na mesma hora um grande mateiro. – Impô tamáia pupô ikít aípupô kiút, ambrendá kiút pan, tikônén impáinán.
José atirou rápido e a bala varou as espáduas do mateiro, que caiu morto. – José tikuató tipré mópín tokén mató çupú mutan iúty.
As antas se espantaram e dispararam no mato. – Tiçakiá inkiút, iutén ió.
Ele abriu o mateiro e os peixes. – Takiâ impó tép.
Fez uma festa que todos acharam muito boa. – Iremacikâ tóuacê tiçuáném tmompé.


Fonte: GIRALDIN, Odair. Cayapó e Panará : luta e sobrevivência de um povo jê no Brasil Central. Campinas: Ed. da Unicamp, 1997. p. 147-68.

Os Kayapó são um dos povos indígenas mais estudados pela etnologia da Amazônia. A maioria desses trabalhos foram escritos a partir da década de 60 como teses acadêmicas, em língua inglesa e nem todos foram publicados.

Desde então, uma quantidade importante de textos, artigos, teses e livros vem sendo produzidos acerca dos Kayapó, fornecendo um conhecimento razoavelmente sólido sobre sua história, cultura e organização social.

Aqui selecionamos alguns desses trabalhos, classificados por tipo de produção e temas. Listamos também fontes de informação sobre a língua Kayapó, além de material audivisual, para compor um panorama bastante geral acerca dos diversos aspectos da vida de um dos grupos indígenas mais importantes no Brasil.

Se a lista não é completa em extensão, ainda assim permite aos interessados adquirir uma visão profunda e compreensiva. Por intermédio desses trabalhos, o leitor poderá facilmente chegar a outras referências não selecionadas aqui.

Principais trabalhos [teses e livros]
Os textos listados abaixo, em ordem cronológica (exceto quando se trata do mesmo autor), formam o corpus principal do conhecimento já escrito sobre os Kayapó. São monografias acadêmicas que versam sobre história, organização social, ecologia, guerra, política, mito e cosmologia.

Destaque para os trabalhos de Terence Turner, que pesquisou os Kayapó durante mais de 30 anos; para Vanessa Lea, que fornece uma interpretação alternativa a desse autor; e para Verswijver, que realizou uma reconstrução histórica bastante detalhada, sobretudo a partir do século XX.

As teses de Turner (1966) e Bamberger (1967) foram escrtias no âmbito do Projeto Harvard-Brasil Central - amplo programa de pesquisa integrado, sob a coordenação de David Maybury-Lewis e Roberto Cardoso de Oliveira, que visava ao estudo comparativo de sociedades de língua Jê.

Infelizmente, alguns desses textos não são de fácil acesso (como a tese de doutorado de Turner e o livro de Simone Dreyfus). No entanto, quase todos podem ser encontrados nas bibliotecas dos cursos de pós-graduação em Antropologia Social.

DREYFUS, Simone. 1963. Les Kayapo du Nord. Paris: Mouton.
TURNER, Terence. 1966. Social structure and political organization among the Northern Cayapó. Tese de Ph.D. Cambridge: Harvard University.
TURNER, Terence. 1991. The Mebengokre Kayapó: history, social consciousness and social change from autonomous communities to inter-ethnic system. Manuscrito inédito. Departamento de Antopologia. Universidade de Chicago. 337pp.
BAMBERGER, Joan. 1967. Environment and cultural classification: a study of the Northern Kayapó. Tese de Ph.D . Cambridge: Harvard University.
LUKESCH, Anton. 1976 [1969]. Mito e vida dos Caiapós. São Paulo: Livraria Pioneira Editora.
VERSWIJVER, Gustaf. 1978. Enquete ethnographique chez les Kayapo-Mekragnoti : contribution a l'etude de la dynamique des groupes locaux (scissions et regroupements). Paris : École des Hautes Études, 1978. 138 p. (Tese)
VERSWIJVER, Gustaaf. 1992. The club-fighters of the Amazon: warfare among the Kayapo Indians of Central Brazil. Gent: Rijksuniversiteit Gent. 378 pp. (Publicação da tese de doutorado do autor, de 1985: Considerations on Mekrãgnotí warfare. Faculteit van Rechtsgeleerdh
WERNER, Dennis. 1980. The making of a Mekranoti chief : the psychological and social determinants of leadership in a native South American society. New York : Univ. of New York. 367 p. (Tese de Doutorado)
LEA, Vanessa. 1986. Nomes e nekrets Kayapó: uma concepção de riqueza. Tese de Doutorado, Rio de Janeiro: PPGAS-Museu Nacional-UFRJ. 587 p.
Textos mais antigos e fontes históricas
Há um conjunto de textos anterior, produzidos aproximademente entre o final do século XIX e a primeira metade do século seguinte, de interesse principalmente histórico, mas que contém boas informações também sobre o modo de vida e aspectos culturais.

O explorador e corógrafo francês Henri Coudreau foi o responsável por escrever, no final do século XIX, os primeiros relatos confiáveis sobre os Kayapó, do ponto de vista histórico. Em suas expedições aos rios Tocantins e Araguaia, Coudreau obteve informações importantes diretamente dos Kayapó Irã'ãmrajre, que então mantinham contato pacífico com a missão dominicana estabelecida na região do médio rio Araguaia, mas também a partir de notícias que lhe dava frei Gil Vilanova. Esse registro encontra-se publicados em francês, numa edição rara. No entanto, existem dois outros relatos de Coudreau que mencionam os Kayapó, editados em português.

Já no século XX, aparecem textos produzidos por missionários que procuravam estabelecer contatos com objetivo da catequese. Destacamos o relato de Frei Sebastião (dominicano) e do reverendo Horace Banner (das Unevangelized Fields Mission), que conviveu com os Kayapó Gorotire de 1937 a 1951 e com quem Nimuendaju travou conhecimento em 1940. E o próprio relato de Nimuendaju. O relato de Frei Sebastião é muito interessante, pois conta uma das primeiras aproximações pacíficas a um grupos de índios Gorotire, habitando na área do rio Fresco.

COUDREAU, Henri. 1897. Voyage au Tocantins-Araguaya. Paris: A. Lahure, Imprimeur-Editeur.
COUDREAU, Henri. 1977[1896]. Viagem ao Xingu. Volume 49. Belo Horizonte: Editora Itatiaia. 165 pp.
COUDREAU, Henri. 1980 [1898]. Viagem à Itaboca e ao Itacaiúnas. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia. 177 pp.
MISSÕES DOMINICANAS. 1936. Os Gorotirés (relato de Frei Sebastião Thomas). Prelazia de Conceição do Araguaia. 89 p.
NIMUENDAJÚ, Curt. 1952. Os Gorotire: relatório apresentado ao serviço de proteção aos índios, em 18 de abril de 1940. Revista do Museu Paulista, n.s., vol. VI. São Paulo. pp. 427-452. (reeditado em: Nimuendaju Textos indigenistas. São Paulo : Loyola, 1982. pp. 219-43.)
BANNER, Horace. 1952. A casa dos homens Górotire. Revista do Museu Paulista, VI (Nova Série):455-459.
BANNER, Horace. 1978. Uma cerimônia de nominação entre os Kayapó. Revista de Antropologia, 21(1):109-15.
MOREIRA NETO, Carlos Araújo. 1959. Relatório sobre a situação atual dos índios Kayapó. Revista de Antropologia, 7(1-2):49-64.
DINIZ, Edson Soares. 1962. Os Kayapó-Gorotire: aspectos socio-culturais do momento autal. Boletim do Museu Paranese Emílio Goeldi, 18 (Antropologia, n.s). Belém. 40p.
ARNAUD, Expedito. 1974. A extinção dos índios Kararaô (Kayapó) - Baixo Xingu, Pará. Boletim do Museu Paraemse Emílio Goeldi, n.s., Antropologia, n. 53. Belém, jun. 1974. (Reeditado em: O índio e a expansão nacional. Belém : Cejup, 1989. p. 185-202.)
ARNAUD, Expedito. 1987. A expansão dos índios Kayapó-Gorotire e a ocupação nacional, Região Sul do Pará. Separata da Revista do Museu Paulista, n.s., vol. 32. São Paulo. (reeditado em: O índio e a expansão nacional. Belém: Cejup, 1989. pp. 427-85).
Artigos em livros ou periódicos
Abaixo há uma lista de artigos traduzidos ou escritos em português e de mais fácil acesso para o leitor não acadêmico. Destacamos os textos de Turner, pois fornecem uma visão geral da história, organização social e processos de mudança por que passaram os Kayapó nos últimos anos. O artigo publicado no livro organizado por Manuela Carneiro da Cunha é importante, sobretudo para quem está iniciando os estudos sobre esse povo indígena, pois faz uma síntese de vários aspectos da sociedade Kayapó. Uma visão complementar sobre organização social é apresentada novamente por Vanessa Lea, que realizou pesquisas entre os grupos Mekrãnoti.

VERSWIJVER , Gustaf. 1978b. A história dos índios Kayapó. Revista da atualidade indígena, 12:9-16.
____. 1984. Ciclos nas práticas de nominação Kayapó. Revista do Museu Paulista, 24:97-124.
TURNER, Terence. 1992. Os Mebengokre Kayapó: história e mudança social, de comunidades autônomas para a coexistência interétnica . In. Manuela Carneiro da Cunha (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Fapesp/SMC/Companhia das Letras. pp. 311-338.
____. 1993. Da cosmologia à história : resistência, adaptação e consciência social entre os Kayapó. In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo; CUNHA, Manuela Carneiro da, orgs. Amazônia : etnologia e história indígena. São Paulo: USP-NHII/Fapesp. pp. 43-66.
TURNER, Terence. 1993b. Imagens desafiantes : a apropriação Kayapó do vídeo. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 36, p. 81-122,
LEA, Vanessa R. 1993. Casas e casas Mebengokre (Jê). In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo; CUNHA, Manuela Carneiro da, orgs. Amazônia : etnologia e história indígena. São Paulo : USP-NHII ; Fapesp, pp. 265-84.
LEA, Vanessa. 1995. Casa-se do outro lado : um modelo simulado da aliança mebengokre (Jê). In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo, org. Antropologia do parentesco : estudos ameríndios. Rio de Janeiro : UFRJ, 1995. p. 321-60.
GORDON, César. Nossas utopias não são as deles: os Mebengokre (Kayapó) e o mundo dos brancos. Sexta Feira: Antropologia, Artes e Humanidades, São Paulo : Pletora, n. 6, p. 123-36, 2001.
Artigos e trabalhos acadêmicos em outras línguas
Os temas tratados nos artigos mencionados acima são desenvolvidos mais detalhadamente no conjunto de publicações listadas a seguir. São textos recomendados para estudantes de antropologia, e para leitores com um pouco mais de familiaridade com a literatura etnológica.

Nesta lista, destaco alguns artigos de Turner que tratam de questões bastante atuais da realidade Kayapó, como sua apropriação das técnicas de filmagem e vídeo, para registrarem por si só traços importantes da sua cultura (1991 e 1992, q.v. uma versão em português na seção anterior: 1993b); seu envolvimento com e posterior reação às indústrias extrativistas da madeira e do garimpo (1995); e sobre sua adesão a projetos de desenvolvimento econômico "ambientalmente corretos", focalizando particularmente o caso do contrato com a empresa de cosméticos Body Shop (1995b).

LEA, Vanessa. The houses of the Mebengokre (Kayapó) of Central Brazil : a new door to their social organization. In: CARSTEN, Janet; HUGH-JONES, Stephen, orgs. About the house : Levi-Strauss and beyond. Cambridge : Cambridge university Press, 1995. p. 206-25.
LEA, Vanessa. Mebengokre (Kayapó) onomastics : a facet of houses as total social facts in Central Brazil. Man, Londres : Royal Anthr. Inst. of Great Britain Ireland, v. 27, n. 1, p. 129-53, 1992.
TURNER, Terence. 1979. Kinship, household and community structure among the Kayapó. In: D. Maybury-Lewis (org.), Dialetical Societies. Cambridge, Mass. & London: Harvard University Press. pp. 179-214.
TURNER, Terence. 1984. Dual opposition, hierarchy and value: moiety structure and symbolic polarity in Central Brazil and elsewhere. In: J.C. Galey (org.), Différences, valeurs, hiérarchies: textes offerts à Louis Dumont. Paris: Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales. pp. 335-370.
TURNER, Terence. 1991. Social dynamics of video media in an indigenous society: the cultural meaning and the personal politics of videomaking in Kayapó communities. Visual Anthropology Review, v. 7, n. 2, p. 68-76.
TURNER, Terence. 1992. Kayapó on television : an anthropological viewing. Visual Anthropology Review, v. 8, n. 1, p. 107-12, 1992.
TURNER, Terence. 1995. An indigenous people's struggle for socially equitable and ecologically sustainable production : the Kayapó revolt against extractivism. Journal of Latin American Anthropology, s.l. , v. 1, n. 1, p. 98-121,.
TURNER, Terence. 1995b. Neo-Liberal eco-politics and indigenous peoples : the Kayapó, the "rainforest harvest", and the body shop. In: DICUM, Greg, ed. Local heritage in the changing tropics. s.l. : Yale School of Forestry and Env. Studies, 1995. p. 113-23. (Bulletin Series, 98)
TURNER, Terence. 1995c. Social body and embodied subject : bodiliness, subjectivity and sociality among the Kayapó. Cultural Anthropology, Washington : American Anthropological Association, v. 10, n. 2, p. 143-79.
WERNER, Dennis. 1983. Why do the Mekranoti trek? In: HAMES, Raymond B.; VICKERS, William T., eds. Adaptive responsees of native amazonians. New York : Academic Press, p. 225-38.
Outros
Abaixo uma seleção de trabalhos variados, desde relatos de viagem em língua inglesa, até dissertações de mestrado recentes em português. O livro de Werner narra os bastidores de sua pesquisa entre os Mekrãnoti, contendo apreciações mais pessoais que acadêmicas de sua experiência com os índios. Um outro texto interessante (ainda que difícil acesso, pois o livro econtra-se esgotado) é o relato de Sting e Jean Pierre Dutilleux sobre o período em que travou contato com os Kayapó, por intermédio do líder Raoni, e sua luta para criar a Fundação Rain Forest e demarcar a TI Mekranoti.

Os outros três trabalhos tratam de questões bastante atuais e das relações dos Kayapó com a sociedade brasileira e a comunidade internacional. Linda Rabben faz um estudo de caso sobre a "ascenção e queda" do líder Paulinho Pajakã perante a comunidade ambientalista, num livro que trata também dos Yanomami. A dissertação de Inglez de Souza traz uma discussão sobre a presente situação econômica e política dos Kayapó Gorotire, e sobre como eles estão refletindo sobre sua própria experiência e procurando superar os desafios de sobreviver enquanto grupo étnico diferenciado num momento de crescente interação com os estados nacionais e o mercado global. Por fim, Freire apresenta um estudo da forma como parte da imprensa brasileira ajudou construir uma imagem pública distorcida dos Kayapó como "índios capitalistas", através de uma análise sobre o "caso Pajakã."

WERNER, Dennis .1984. Amazon journey: an anthropologist's year among Brazil's Mekranoti indians. New York: Simon and Schuster. 296 p.
STING & Jean-Pierre Dutilleux. 1989. Jungle Stories: the fight for the Amazon. London: Barrie and Jenkins. 128 p.
RABBEN, Linda.1998. Unnatural selection: the Yanomami, the Kayapo and the Onslaught of civilisation. Londres : Pluto Press. 183 p.
INGLEZ DE SOUSA, Cassio.2000. Vantagens, vícios e desafios: os Kayapó Gorotire em tempos de desenvolvimento. Dissertação de Mestrado - USP . São Paulo. 266 p.
FREIRE, Maria José Alfaro. 2001. A construção de um réu : Payakã e os Kayapó na imprensa durante a Eco-92. Rio de Janeiro : Museu Nacional-UFRJ. (Dissertação de Mestrado)
Estudos de ecologia e subsistência
BAMBERGER, Joan. 1971. The adequacy of Kayapó ecological adjustment. Proceedings of the 38th International Congress of Americanists, Stuttgart-Munich, 1968. Vol. 3, pp. 373-379.
PARKER, Eugene. Forest islands and Kayapó resource management in Amazonia : a reappraisal of the apete. American Anthropologist, Washington : American Anthropological Association, v. 94, n. 2, p. 406-28, 1992.
Posey, Darrell A. Ethnoentomology of the Gorotire Kayapo of Central Brazil. s.l. : Univ. of Georgia, 1979. 177 p. (Dissertação de Mestrado)
_______. 1981. O conhecimento entomológico Kayapó: etnometodologia e sistema cultural. (Anuário Antropológico 81):109-24.
_______. 1986. Manejo da floresta secundária, capoeiras, campos e cerrados (Kayapó). In: RIBEIRO, Berta G., coord. Etnobiologia. Petrópolis : Vozes, 1986. p. 173-88. (Suma Etnológica Brasileira, 1).
Questões de gênero
Os três artigos abaixo tratam da questão das mulheres na sociedade Kayapó. Os textos de Vanessa Lea se inserem nos debates atuais sobre a questão de gênero, discutindo a oposição entre domínios doméstico e público e a posição das mulheres Kayapó.

WERNER, Dennis. 1984. Mulheres solteiras entre os Mekranoti-Kayapó. Anuário Antropológico, 82:69-81.
LEA, Vanessa. 1994. Gênero feminino Mebengokre (Kayapó): desvelando representações desgastadas. Cadernos Pagu, Campinas : Unicamp, n. 3, p. 85-116,
LEA, Vanessa. 1999.Desnaturalizando gênero na sociedade Mebengokre. Estudos Feministas, Rio de Janeiro : UFRJ/IFCS, v. 7, n. 1/2, p. 176-94,
Cultura material e expressão artística
VERSWIJVER, Gustaf. 1992. Kaiapó amazonie: plumes et peintures corporelles. Tervuren : Musée Royal de l'Afrique Centrale ; Gent : Snoeck-Ducaju & Zoon. 198 p.
VERSWIJVER, Gustaf. 1996. Mekranoti: living among the painted people of the Amazon. Munich: Prestel-Verlag. 168 p.
Mitos e narrativas
Boa parte da tradição oral dos índios Kayapó se encontra disponível aos interessados, através de um conjunto de mitos registrados por diversos pesquisadores, e publicados nas coletâneas indicadas abaixo. Essa seleção de belíssimas narrativas é indispensável para uma visão do rico universo conceitual e imaginativo Kayapó.

A coleção de Wilbert é bastante completa, contendo mais de 180 versões de mitos Kayapó (e Xikrin) registrados por Alfred Métraux, Anton Lukesch, Curt Nimuendaju, Horace Banner, Lux Vidal, Gustaf Verswijver e Vanessa Lea.

BANNER, Horace. Mitos dos índios Kayapó. In: SCHADEN, Egon, org. Homem, cultura e sociedade no Brasil. Petrópolis : Vozes, 1972. p. 90-132.
WILBERT, Johannes. 1978. Folk literature of the Gê indians. Volume 1. Los Angeles: UCLA, Latin American Center Publications. 653 pp.
WILBERT, Johannes, e Karin Simoneau. 1984. Folk literature of the Gê indians. Volume 2. Los Angeles: UCLA, Latin American Center Publications.
Língua Kayapó
Existem alguns trabalhos e dicionários sobre a língua Kayapó, ainda que não sejam de fácil acesso. O idioma Kayapó foi bastante estudado por lingüistas, principalmente afiliados ao Summer Institute. Em geral, esses trabalhos passam de mão em mão entre os estudiosos e antropólogos que trabalharam com os Kayapó, pondendo ser encontrados eventualmente em algumas bibliotecas dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e Lingüística. O trabalho dos linguistas missionários resultou na tradução e edição de um Novo Testamento em língua Kayapó (Metindjwynh Kute Memã Kaben Ny Jarenh), publicado em 1996 pela Liga Bíblica do Brasil. Abaixo uma lista dos principais trabalhos sobre língua Kayapó:

STOUT, Mickey & Ruth Thomson. 1974. Elementos proposicionais em orações Kayapó. In: Série Lingüística, nº 3. Brasília: Summer Institute of Linguistics (SIL).
STOUT, Mickey & Ruth Thomson. 1974. Modalidade em Kayapó. In: Série Lingüística, nº 3. Brasília: Summer Institute of Linguistics (SIL).
STOUT, Mickey & Ruth Thomson. 1974. Fonêmica Txukuhamãi (Kayapó). In: Série Lingüística, nº 3. Brasília: Summer Institute of Linguistics (SIL).
TREVISAN, Renato & Mario Pezzoti. 1991. Dicionário Kayapó-Português e Português-Kayapó. Belém.
JEFFERSON, Kathleen.1991. Gramática pedagógica Kayapó : parte 3 e apêndices. Brasília: Summer Institute of Linguistics (SIL). (Arquivo Lingüístico, 186). 117 p.
BORGES, Marília. Aspectos da morfossíntaxe do sintagma nominal na língua kayapó. Brasília : UnB, 1995. 57 p. (Dissertação de Mestrado)
LEA, Vanessa (org.). s/d. Dicionário de Terence Turner partindo de uma lista de palavras de Earl Trapp (missionário). Projeto de pesquisa lingüística em Mebengokre (Unicamp).
SALANOVA, Andres & Amélia Silva. s/d. Dicionário Mebengokre-Portugues. Projeto de pesquisa lingüística em Mebengokre. Unicamp. Fapesp.
Música
Para quem quiser conhecer um pouco da música Kayapó, existe um ótimo disco (Cd), lançado em 1995 pela Smithsonian Folkways, divisão da Smithsonian Institution especializada em música folclórica e étnica. Chama-se Ritual music of the Kayapó-Xikrin, Brazil (International Institute for Traditional Music/Smithsonian Folkways, Traditional Music of the World, 7). A pesquisa musical e as gravações foram realizadas por Max Peter Baumann, em 1988 na aldeia Xikrin do Cateté. Acompanha o disco um livro/encarte de 76 p. preparado por Lux B. Vidal e Isabelle Vidal Giannini, contendo informações sobre a sociedade Kayapó (e Xikrin), explicações sobre a vida ritual, além de transcrições e traduções de alguns cantos.

Existe ainda uma resenha sobre esse disco pelo etnomusicólogo Rafael Menezes Bastos: 1996 - Música nas terras baixas da América do Sul: ensaio a partir da escuta de um disco de música Xikrin. Anuário Antropológico, 95. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, pp. 251-63.

"Brésil Central: Chants et danses des Indiens Kaiapó" (volume com 2 CD's), publicado em 1989 pelo Archives Internationales de Musique Populaire (AIMP), vol. XIV-XV, em Genebra. Gravações e redação do livro/encarte por Gustaaf Verswijver.

Vídeos
The Kayapo-out of the forest. Dir.: Michael Beckham e Terence Turner. Vídeo Cor, 51 min. 1989.
Aben Kot. Dir.: Breno Kuperman; Otília Quadros. Vídeo Cor, Betacam, 58 min., 1992. Prod.: Cena Tropical.
O mundo mágico do A'Ukre. Dir.: João Luís Araújo. Vídeo Cor, 1992.
Taking Aim. Dir.: Monica Frota. Vídeo cor, Hi-8/TSC, 41 min., 1993.
Pintura corporal : uma pele social. Dir.: Delvair Montagner. Vídeo Cor, HI-8/Betacam SP, 20 min., 1994. Prod.: CPCE

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