só proteje quem ama - só ama quem conhece

só proteje quem ama - só ama quem conhece

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Akuntsu

Toy Art Akuntsu

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
3AkuntsuAkunt'suTupari
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO5Siasi/Sesai 2012


Os últimos cinco sobreviventes dos chamados Akuntsu vivem em pequenas malocas próximas uma da outra, nas matas do igarapé Omerê, afluente da margem esquerda do rio Corumbiara, no sudeste de Rondônia. A área constitui uma pequena reserva de mata outrora pertencente a uma fazenda particular interditada pela Funai no final dos anos 1980. Caracteriza-se por floresta equatorial de terra firme, razoável incidência de pequenos morros, poucas nascentes e, assim como as demais reservas de mata de Rondônia, encontra-se seriamente ameaçada por frentes agropastoris.

 Nome

As informações a respeito do nome Akunt'su, Akunsu ou Akuntsu na literatura etnográfica é praticamente inexistente, ao menos em período anterior ao contato oficial com a Funai, ocorrido em 1995.

Uma brevíssima menção é feita no livro de Frans Caspar "Tupari", em que o que se lê nada mais é que uma informação dada ao autor pelos seus informantes tupari sobre uma "perigosa" e "terrível" tribo que vive nas florestas à leste de suas terras, a qual eles jamais visitaram e que denominam "Akontsu". É bem verdade que os Akuntsu em questão localizam-se à nordeste, podendo ter sido um pouco mais ao leste, do atual território Tupari.

Akuntsu ou Akunsu, não corresponde à autodenominação do grupo. Apenas atendem por este nome por serem desta maneira chamados pelos seus vizinhos Kanoê, remanecentes dos grupos Kanoê contactados pelas frentes da comissão Rondon nos vales do rio Tanaru entre 1913 e 1914, os quais mantiveram-se isolados nas matas do Omerê até 1995, onde foram contactados pouco antes de seus vizinhos Akuntsu, pela frente de atração da Funai. Os Akuntsu, por sua vez, chamam os Kanoê pela designação Emãpriá.
Território Akuntsu

Na língua Kanoê, Akuntsu, ao que parece, significa "outro índio". Portanto a denominação " Wakontsón" dada à tribo misteriosa por parte dos Tupari de Caspar pode ser na verdade apenas uma maneira que aqueles índios encontraram para denominar um grupo indígena totalmente desconhecido dos informantes do autor, que talvez nem mesmo os tenha conhecido, pois nos escritos de Caspar consta que pela periculosidade dos indivíduos daquele grupo nunca tiveram coragem de visitá-los, podendo apenas estar baseados em informações orais dos mais velhos, vindas de um tempo em que realidade e mito confundem-se em acontecimentos indistinguíveis.

 População

Os Akuntsu constituem-se hoje num dos menores grupos étnicos do Brasil. Marcada por usurpação de terras e por massacres, sua história pouco se diferencia das de outros povos indígenas de Rondônia.

Em meados dos anos 1980, os Akuntsu viveram provavelmente o seu último grande conflito com os brancos. Provas encontradas pelas frentes da Funai revelaram que nas matas da região havia acontecido um massacre, pois foram encontrados restos de utensílios e vestígios de uma aldeia com aproximadamente trinta indivíduos. Dez anos mais tarde, quando o órgão indigenista oficial contatou pela primeira vez os Akuntsu, o relato de um dos membros do grupo, composto então por apenas sete pessoas, esclareceu aos sertanistas da Funai o que havia realmente acontecido. Kunibu reconheceu os restos de cerâmica e alguns utensílios como pertencentes à sua antiga aldeia, e revelou com clareza de detalhes, inclusive mostrando no próprio corpo as marcas, o que a seu ver tratou-se de uma tentativa de exterminá-los. Kunibu relata o ataque que ele e seu povo sofreram por parte de homens brancos que há muito queriam expulsá-los de suas terras, e lembra com pesar dos nomes dos mortos, que parecem ser mais de quinze.

Segundo informação do representante da Funai no local, Moacir Góes, em março de 2005 o grupo era constituído por Kunibu (também conhecido como Babá), homem de aproximadamente 65 anos; Ururu, mulher de cerca de 75 anos; Popak, do sexo masculino e próximo dos 35 anos; além de três índias com idades entre 18 e 30 anos.

Em janeiro de 2000, durante uma tempestade noturna, uma grande árvore caiu sobre a casa de Kunibu, matando sua filha mais nova e ferindo-o.

Em outubro de 2009, faleceu a mulher mais velha do grupo, Ururu, que tinha em torno de 85 anos.

A população akuntsu reduziu-se ainda mais, contando, em 2009, com apenas 5 pessoas.

 Histórico do contato

Existe apenas uma menção à designação Akuntsu (mais especificamente wakontsón) em período anterior ao contato oficial, por meio de uma informação dada ao escritor Frans Caspar pelos Tupari, índios do rio Branco, afluente da margem esquerda do Guaporé, que estão a sudoeste do atual território Akuntsu.

Em 1985 foi instituída oficialmente a frente de atração da Funai que seria responsável pelo primeiro contato com índios desconhecidos que perambulavam na região de Corumbiara. Embora essas informações já fossem de conhecimento do órgão indigenista desde a década de 1970, relatos de 1984 reiteraram a presença de um ou mais grupos indígenas isolados na mata composta por reservas legais de algumas fazendas, mas que vinham sendo desmatadas para a comercialização de madeira e a implantação de pecuária. A presença indígena era constantemente desmentida por parte dos fazendeiros da região, pois sua confirmação colocaria em risco a disponibilidade das terras que estavam sendo preparadas para fins econômicos.

Em dezembro de 1986 a área que havia sido interditada para o possível contato com os índios foi liberada para os fazendeiros, sob a alegação do próprio órgão indigenista de que se existissem índios naquela região já teriam se retirado, pois aquela área encontrava-se completamente recortada por pequenas estradas para o escoamento da madeira tirada de dentro da mata.

O sertanista da Funai Marcelo dos Santos, responsável pela frente de atração, a despeito da desinterdição da área, durante os anos seguintes continuou sua busca de vestígios da presença indígena dentro na floresta. Muitas vezes enfrentou ameaças de morte e todo tipo de empecilhos que madeireiros, grileiros e fazendeiros puderam criar. Em 1993 o sertanista passou a contar com o auxílio de imagens de satélite, e a partir de um pequeno ponto avermelhado percebido em uma dessas imagens, interpretado pelo sertanista como uma possível roça, partiu em uma expedição definitiva de contato com os índios.

Em setembro de 1995 contataram os índios Kanoê, remanescentes dos antigos grupos Kanoê já mencionados pela comissão Rondon que habitaram regiões próximas. Em conversa com os membros da expedição de contato, os Kanoê informaram que próximo dali havia um outro grupo indígena ao qual eles chamavam de Akuntsu. Em outubro desse mesmo ano uma outra expedição, que agora incluía alguns Kanoê, alcançou não muito distante dali as pequenas malocas dos desconhecidos Akuntsu, que muito assustados receberam o grupo. Eram então sete pessoas, dois homens adultos, três mulheres (uma mais velha e duas em idade reprodutiva), uma adolescente e uma menina de aproximadamente sete anos.

A presença do medo
O medo tornou-se um elemento presente no cotidiano dos Akuntsu. Kunibu, chefe do grupo, jamais se aproxima de qualquer um sem seus sopros, benzimentos característicos em ritos xamânicos que possuem o poder, de acordo com a situação, de repelir entes maléficos, ou de limpar o corpo ou o ambiente aonde acreditam existir perigo ou entidade negativa.

Todo receio dos Akuntsu pode ser justificado quando recuperamos a história de massacre a qual foram submetidos. O chumbo dos invasores está até hoje no flanco de Kunibu e dos outros membros do grupo.

 Cultura material

Como os grupos do Complexo Cultural do Marico, os Akuntsu fabricam esse saco cargueiro feito de fibras de tucum com grande esmero e aplicação. Por essa razão, o marico poderia ser um ponto de referência para se supor contatos históricos com outros povos entre os vales das cabeceiras dos afluentes da margem esquerda do Pimenta Bueno e das cabeceiras dos afluentes da margem direita do Guaporé, com quais compartilham muitos aspectos culturais semelhantes.

Fabricam peças de cerâmica e adornos corporais, como braçadeiras, jarreteiras e tornozeleiras de algodão, algumas com pequenos apliques de pedaços de pele com plumas de aves (tucano) e algumas vezes dentes de mamíferos.

Atualmente não possuem arte plumária, a não ser pela confecção de narigueiras, onde comumente são usadas penas de arara, e os apliques de plumas em adornos dos membros.

Os arcos são feitos de uma espécie de palmácea, e as flexas são em sua maioria de ponta hemorrágica ou com três pontas, decoradas com fios tingidos de vermelho, possuindo uma bela estética .

Os Akuntsu usam conchas de rio de diversos tamanhos e vários tipos de sementes que aplicam no fabrico de colares, também são usados pedaços de plástico. Estes últimos já faziam parte da cultura dos Akuntsu assim como dos Kanoê antes mesmo do contato oficial com a Funai, e são cortados em forma de trapézio ou círculos, configurando colares e bandoleiras que muito lhes agradam no uso cotidiano, e aos quais têm imenso apego, pois o plástico em tempos anteriores ao contato era referência de um saque bem sucedido sobre alguns barris de produtos químicos, baldes e outros objetos deste material, comumente esquecidos nos pastos das fazendas ou abandonados em acampamentos de forasteiros, e cujas cores lhes agradavam imensamente, tendo por preferência o azul, o vermelho, o amarelo e o branco

Tanto homens como mulheres usam uma pequena tanga com franjas de líber ao modo de vários povos já documentados pela comissão Rondon, como os antigos Kepkiriwát. Versões distintas dessas tangas aparecem bem mais à leste do território Akuntsu, entre os Rikbaktsa da bacia do Juruena, noroeste de Mato Grosso.

Os Akuntsu também confeccionam em taquara flautas de pã, e com elas compõem belas melodias.

 Ritual

As sessões de xamanismo estão sempre presentes na vida ritual dos Akuntsu. Kunibu, chefe e pajé do grupo, interage com uma mulher pajé Kanoê em longos encontros que envolvem os característicos sopros e aspiração de pó de angico (rapé). Entram em transe e evocam espíritos de animais e entes fantásticos, os quais parecem incorporar.

Imagens feitas em 2002 mostram Kunibu e três mulheres em uma demonstração do que seria um ritual. Kunibu segurando seu arco e algumas flechas entoa cânticos batendo fortemente o pé direito no chão, sendo acompanhado pelas mulheres, que também seguram arcos e flechas, repeteindo o bater dos pés e a melodia que Kunibu evoca.

 Atividades produtivas

O igarapé Omerê não representa para os Akuntsu uma fonte de alimentação farta. Dele retiram apenas a água que bebem e vez por outra pequenos peixinhos, que são muito comemorados e logo viram um tira-gosto quase imperceptível à boca. É da caça, coleta de frutas e de uma pequena roça em volta da maloca que suprem suas necessidades alimentícias.

A caça é encontrada com facilidade, pois a região tornou-se uma ilha onde se refugiaram os animais de áreas vizinhas, já desmatadas para a pecuária. Grandes bandos de porcos do mato, antas e pacas perambulam por ali, não demorando a encontrar o seu destino na ponta das flechas dos índios, que dentre estes apreciam em demasia o porco-do-mato.

 Nota sobre as fontes

As informações deste verbete são registros coletados na forma de diário de campo durante uma brevíssima estada na Terra Indígena Rio Omerê em julho de 2002. As escassas fontes de informação sobre este povo indígena e o curto espaço de tempo do pesquisador nas malocas Akuntsu impossibilitam observações mais detalhadas sobre este desconhecido grupo indígena.

No mais, o único texto significativo publicado sobre os Akuntsu foi escrito pela antropóloga Virgínia Valadão para o volume Povos Indígenas no Brasil: 1991-1995, do Instituto Socioambiental. Nele, a autora conta o processo de contato e as poucas informações existentes sobre ambos grupos até então isolados no Igarapé Omerê: Kanoê e Akuntsu. Anteriormente, essa mesma autora fez um relatório de avaliação da área do Igarapé Omerê, porém em 1987 o grupo indígena ainda não havia sido contactado pela Funai. E, em 1995, Maria Auxiliadora Cruz de Sá Leão, redigiu o relatório de interdição da Terra Indígena Rio Omerê, que traz informações sobre os Akuntsu.

 Fontes de informação

CASPAR, Frans: Tupari ( Entre os índios, nas florestas brasileiras) – Ed.Melhoramentos - São Paulo - Brasil - 1958.
VALADÃO, Virgínia. “Os índios ilhados do Igarapé Omerê”. In: RICARDO, Carlos Alberto. Povos Indígenas no Brasil: 1991-1995. Instituto Socioambiental, 1996.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Rikbaktsá

Toy Art Rikbaktsá

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
176RikbaktsáErigbaktsa, Canoeiros, Orelhas de Pau, RikbaktsáRikbaktsá
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO161Funasa 2010


Os Rikbaktsa, conhecidos como "Orelhas de Pau" ou "Canoeiros", tidos como guerreiros ferozes na década de 1960, enfrentaram um processo de depopulação que resultou na morte de 75% de seu povo. Recuperados, ainda hoje impõem respeito à população regional por sua persistência na defesa de seus direitos, território e modo de vida

Rikbaktsá assiste a uma prova de arco e flecha nos Jogos dos Povos Indigenas
 

























Nome

Sua autodenominação - Rikbaktsa - significa "os seres humanos". Rik é pessoa, ser humano; bak é um reforço de sentido e tsa é o sufixo para a forma plural. Regionalmente são chamados de Canoeiros, por referência à sua habilidade no uso de canoas ou, mais raramente, de "Orelhas de Pau", pelo uso de enormes botoques feitos de caixeta, introduzidos nos lóbulos alargados das orelhas.

Rikbaktsa - os Canoeiros dos rios Arinos e Juruena


Lingua

Seu idioma é considerado por pesquisadores do Instituto Lingüístico de Verão como uma língua não classificada em família, incluída no tronco lingüístico Macro-Jê.

Um dos aspectos interessantes da língua Rikbaktsa é o fato, comum a várias outras línguas indígenas, de haver uma diferença entre a fala masculina e a feminina, de modo que a terminação de muitas palavras indica o sexo do falante. O conhecimento e a maestria no uso da linguagem é reconhecidamente mais desenvolvido nos velhos, cujas conversas costumam ser acompanhadas com interesse pelos que querem refinar seu conhecimento da língua.

Atualmente os Rikbaktsa são bilíngües, tendo aprendido e incorporado o português. As novas gerações falam mais regularmente e melhor o português, aprendendo e utilizando a língua Rikbaktsa à medida em que crescem e ocupam um espaço no mundo adulto. Os mais velhos, por outro lado, utilizam o português com mais dificuldade e apenas no contato com os "brancos".

Localização

Os Rikbaktsa vivem na bacia do rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, em duas Terras Indígenas contíguas - a TI Erikpatsa e a TI Japuíra e em uma terceira, a TI do Escondido, mais ao norte, na margem esquerda do rio Juruena.
TI Erikpatsa e a TI Japuíra

Seu território tradicional situava-se entre os paralelos 9° e 12° latitude sul e os meridianos 57° e 59° longitude oeste, espraiando-se pela bacia do rio Juruena, desde a barra do rio Papagaio, ao sul, até quase o Salto Augusto no alto Tapajós, ao norte; a oeste expandia-se em direção ao rio Aripuanã e a leste até o rio Arinos, na altura do rio dos Peixes.

Embora isolada, a região há havia sido atravessada por expedições científicas, comerciais e estratégicas desde o século XVII. Entretanto, pouco se conhecia das matas ocupadas pelos Rikbaktsa já que, naqueles trechos do rio Juruena e Arinos, as expedições mantinham-se sempre no leito do rio ou na sua proximidade, pouco se aventurando no interior da mata. Deste modo, até a penetração dos seringueiros no final da década de 1940, nenhuma menção havia sobre os Rikbaktsa. A ausência de referências históricas anteriores e de estudos arqueológicos não permite determinar a antiguidade de sua ocupação. Entretanto, a memória tribal, as referências geográficas expressas em mitos e o extenso e detalhado conhecimento da fauna e flora que demonstram ter sobre o território e seus arredores fazem supor uma permanência bastante antiga.

Eram bem conhecidos pelos grupos indígenas vizinhos com os quais, quase sem exceção, mantiveram relações hostis. Famosos por seu ethos guerreiro lutaram com os Cinta-Larga e Suruí a oeste, na bacia do rio Aripuanã; com os Kayabi a leste e com os Tapayuna a sudeste, no rio Arinos; com os Irantxe, Paresí, Nambikwara e Enawenê-Nawê ao sul, no rio Papagaio e nas cabeceiras do rio Juruena; com os Munduruku e Apiaká ao norte, no baixo rio Tapajós. Opuseram resistência armada aos seringueiros até 1962.

A partir da "pacificação" dos Rikbaktsa, financiada pelos seringalistas e realizada pelos jesuítas entre 1957 e 1962, seu território tradicional passou a ser ocupado por diversas frentes pioneiras, de extração de borracha, madeireiras, mineradoras e agropecuárias. Durante e logo após a pacificação, epidemias de gripe, sarampo e varíola dizimaram 75% de uma população calculada em cerca de 1.300 pessoas. Perderam a maior parte de suas terras e a maior parte das crianças pequenas foram retiradas das aldeias e educadas no Internato Jesuítico de Utiariti, situado no rio Papagaio, a quase 200 km de sua área, junto com crianças de outros grupos indígenas também contatados pelos missionários. Os adultos remanescentes foram sendo gradativamente transferidos de suas aldeias originais para aldeias maiores e mais centralizadas sob a direção catequizadora dos jesuítas. Em 1968 tiveram demarcada cerca de 10% de seu território original - a Terra Indígena Erikpatsa - as crianças foram sendo levadas de volta para as aldeias e a atuação missionária nele se centralizou.

Na década de 70, a atuação missionária se modificou, atenuando seu autoritarismo, reconhecendo o direito dos povos indígenas à sua própria cultura e abrindo mais espaço, sempre reivindicado pelos Rikbaktsa, a uma maior autonomia. Desde o final dos anos 70 passam a lutar pela recuperação de parte de suas terras. Em 1985, conseguiram retomar a região conhecida por Japuíra. Continuaram a luta pela região do Escondido, demarcada pelo Estado brasileiro só em 1998, estando, entretanto, ainda invadida por garimpeiros, madeireiras e empresa de colonização.

 População

Sua população em 1998 era de cerca de 909 indivíduos. Uma estimativa com base no tamanho e número das aldeias encontradas nas expedições jesuíticas destinadas a "pacificá-los" indica uma população de cerca de 1.300 pessoas no final da década de 50 do século XX. As doenças derivadas dos primeiros contatos reduziram enormemente esta cifra.

Sofreram uma perda de cerca de 75% da população da época do contato até 1969, recuperando-se em parte da década de 70 em diante. A intermediação protecionista da Missão Anchieta (MIA), apesar de produzir intensa pressão aculturativa e desarticuladora sobre o povo Rikbaktsa, foi o que ao mesmo tempo propiciou as condições mínimas para que se recuperassem fisicamente após a mortandade pós-contato. Em 1985, segundo levantamento da Missão Jesuítica, já havia uma população de 511 pessoas, sendo 153 nascidas antes do contato e 357 nascidas depois. Assim que as epidemias foram contidas e a produção alimentar regularizada, voltaram a crescer em ritmo acelerado, se comparado com as taxas nacionais, como demonstra a tabela a seguir.

AnoPopulação%Fonte
19571300-----personal est.
1969300- 77%MIA/SIL
1979380+26%MIA/HAHN
1984466+22.6%MIA
1985511+9.65%MIA
1986514+0.58%MIA
1987520+1.16%MIA
1989573+10.19%MIA
1993700+22.16%MIA
1995905+29.29%MIA/ASIRIK
1997950+4.97%MIA/ASIRIK
19981025+7.89%ASIRIK
A queda no crescimento nos anos 1985-87 parece corresponder tanto a um aumento da mortalidade quanto à diminuição de nascimentos. Isso se deve em parte ao conturbado período de luta pelo reconhecimento do Japuíra como área indígena, no qual a queda da produção alimentar, aumento da debilidade física e inadequação do atendimento à saúde parecem ter sido os responsáveis pela debilitação do povo.

De 1987 em diante, quando já tinham a posse oficial do Japuíra, acesso a mais recursos e uma perspectiva mais otimista de vida, e no qual a MIA e a Funai preocuparam-se mais concretamente com o atendimento à saúde na área, a população Rikbaktsa voltou a acentuar sua taxa média anual de crescimento.

A tuberculose e outras doenças pulmonares e as mortes por malária ainda ocorrem com certa freqüência, mas parecem estar mais controladas, permitindo uma expectativa de manutenção desses índices de crescimento populacional.

 Atividades econômicas

A natureza se apresenta como o grande manancial, onde os Rikbaktsa estão imersos. O conhecimento milenarmente adquirido e oralmente transmitido sobre as espécies vegetais e animais, suas interrelações e ciclos de reprodução, aliado a técnicas adequadas de aproveitamento sempre garantiram sua reprodução biológica e social. A socialização desses conhecimentos e técnicas e o livre acesso de todos os indivíduos aos recursos do território do grupo ao qual pertencem, garantem alto índice de igualitarismo interno. Não é preciso acumular excedentes, já que estes se encontram "estocados" na mata e todos sabem retirá-los no momento em que necessitam.

A divisão do trabalho é basicamente entre homens e mulheres, aproveitando e reforçando os laços de interdependência pré-existentes ao nível da reprodução biológica.

A autonomia econômica e política dos grupos domésticos, constituídos como unidades de produção e consumo, é contrabalançada pelas relações do sistema de parentesco (socialmente criadas) e de ordem ritual. Esse sistema de relações de reciprocidade os articula na comunidade mais ampla, o povo Rikbaktsa. A quebra de reciprocidade, que por vezes ocorre, é causadora de atritos e diferencia os laços existentes entre os diversos sub-grupos Rikbaktsa.

Na perspectiva Rikbaktsa eles são muito mais caçadores e coletores do que agricultores, embora a agricultura, e as festas rituais a ela associadas, tenham um papel central no ritmo e organização da vida social.

A economia Rikbaktsa caracteriza-se pela alternância de atividades diferenciadas ao longo do ano, concentrando-se sazonalmente ora numa ora noutra atividade. A unidade de produção e consumo cotidiano é a família extensa, ou seja, dos habitantes de cada casa. Somente no decorrer dos rituais que acompanham a atividade agrícola (derrubada de roça nova e colheita do milho novo) e em poucas outras ocasiões é que ocorre uma cooperação mais ampliada.
O Tucum, coquinho da palmeira Bactris setosa serve para a confecção de belas pulseiras primorosamente trabalhadas pelas mulheres da etnia.

Fazem roças de coivara, de forma arredondada, de meio a dois hectares cada, com várias espécies consorciadas de acordo com sua compatibilidade, expressas muitas vezes na linguagem de parentesco. A cada dois ou três anos abrem novas roças, abandonando a anterior ao trabalho de reconstituição espontânea da floresta. Às vezes, além dos roçados perto da aldeia, possuem outros mais ou menos distantes que, juntamente com as roças abandonadas, constituem reservas alimentares, de onde colhem esporadicamente os tubérculos e bananas que continuam a produzir por vários anos.

Plantam milho "mole" de dois tipos (um deles preto), batata-doce, cará, mandioca "mansa", inhame, arroz, feijão, fava, algodão, urucu, bananas de diversos tipos, cana-de-açúcar, amendoim e abóbora. Plantam também abacaxi, cítricos (limão, laranja, tangerina), manga e outras frutas, embora de forma mais irregular. Dizem que antigamente plantavam tabaco para fins medicinais.

Xireti - os adornos nasais dos Rikbaktsa normalmente feitos com penas de rabo de Galo ou de Tucano, colocados no nariz por meio de um encaixe que passa pelo septo perfurado

As roças são do grupo doméstico, constituído pelo "dono da maloca", sua esposa, filhos solteiros, filhas solteiras e casadas, genros e netos. O homem casado e com vários filhos que se separa da maloca do sogro construindo casa própria faz também nova roça para sua família. Entretanto, em quase todos os aldeamentos, chefes de família mais empreendedores e influentes podem fazer sua derrubada com o auxílio de parentes e moradores da mesma aldeia e de outras aldeias ao redor, sediando e organizando ao mesmo tempo a realização de um ciclo ritual de festas que acompanha as atividades agrícolas anuais.

As derrubadas novas são feitas de maio a junho, quando se firma a estação seca. Nas capoeiras, isso ocorre de julho até a metade de agosto. Queimam e fazem a coivara em agosto/setembro e plantam depois da primeira chuva, no começo de outubro.

Grande parte do alimento consumido diariamente é conseguido através da caça, da pesca e da coleta, praticamente ininterruptas durante o ano todo. Mas a caça é a atividade por excelência dos homens. O papel social do caçador/guerreiro parece ser o ponto de referência central do conjunto de valores constitutivos da identidade masculina, a figura "arquetípica" do provedor de alimentos e defensor da comunidade.

Os Rikbaktsa comem quase todos os animais, com poucas exceções, como o jacaré, o tamanduá-bandeira, cobras, onças e "macaco da noite", de pêlo quase branco. Apreciam a carne de todos os tipos de macaco (com a exceção indicada), que é a caça mais freqüente. O porco do mato e o caititu são também bastante valorizados, assim como a cotia, a paca, o veado (vermelho e cinzento), o quati (que às vezes criam), a anta, vários tipos de tatu (do tatu canastra fazem pulseiras da cartilagem do rabo, usadas pelas meninas e mulheres), ariranha, irara etc. Caçam aves em quantidade e diversidade, valorizando-as pela carne e pelas penas: araras (de três tipos), ararinhas, papagaios, gavião (vários tipos), japuíra, mutum, mutum-carijó, tucano, tucaninho, garça, pato, marreco, biguá, jacamim, jacu, jacutinga, macuco, macuquinho, pomba, coruja, passarinhos de todo tipo.

Comem também todo tipo de peixe, ovas de tucunaré depositadas em galhos submersos, tracajás, ovos de tracajá ou de cágado que descobrem em grande quantidade enterrados para chocar nas praias que se formam na seca. As crianças desde os três anos de idade costumam brincar no porto da aldeia, matando peixinhos com seus pequenos arcos e flechas de três pontas. Capturam com a mão peixinhos recém nascidos na vegetação submersa da margem, comendo-os muitas vezes crus, quando são bem pequenos. Entretanto, apesar de variada e praticada o ano todo a pesca nem sempre é farta. Na época da chuva ela se torna mais rara e menos freqüente, sendo mais praticada e com melhores resultados na seca.

Na estação chuvosa, os rios inundam a floresta às vezes por uma grande extensão, já que a região é plana, com suaves ondulações no seu interior. Formam-se inúmeras lagoas e os peixes, que desovaram no final da estação seca, espalham-se pela mata, mais rica em alimentação, para crescer e engordar. Sua dispersão torna a pesca mais difícil, mas ainda assim é praticada, principalmente à flecha.

De modo geral, as pessoas estão sempre atentas ao que a natureza oferece, orientando sua alimentação, suas atividades, seus rituais, em conexão com os ritmos entrelaçados de crescimento, alternância e maturação das formas de vida animal e vegetal, recursos naturais que aproveitam intensamente na época apropriada. A coleta é atividade diária, praticada pelos homens, mulheres e crianças nas saídas freqüentes ao redor da aldeia; tiram embira para fazer corda, buscam lenha, palha, madeiras para fins diversos, plantas medicinais etc.

Além da extensa variedade de frutas silvestres, o alimento coletado que guarda maior importância na dieta Rikbaktsa é ainda hoje a castanha. De alto valor nutritivo, ela é extensamente consumida; inteira, ralada e cozida como mingau, como componente de massa de beiju, pão ou bolo e ainda para fazer óleo de fritura.

Muito consumido também é o mel de vários tipos de abelhas, usado como adoçante, misturado à água ou nos diversos tipos de chicha. Chicha é o nome genérico dado aos vários tipos de "sopas", "vitaminas" ou "sucos" que os povos indígenas costumam fazer. Os Rikbaktsa costumam fazer chicha de bananas, milho fofo, batata-doce, cará, milho com banana, patauá, inajá, buriti, buritirana, assari, seriva (pupunha), bacuri, bamy, aboho, bamy com milho e uma infinidade de outras menos freqüentes. Não há nenhuma bebida ou chicha fermentada entre eles ou, quando há, é de fermentação recente por ter sido preparada a dois ou três dias no máximo, sem teor alcoólico detectável. São gostosas, bastante nutritivas e, no clima quente local, uma boa prevenção contra a desidratação, sendo tomada por todos, homens, mulheres e crianças, com grande freqüência.

Preferem o mel ao açúcar, que atualmente também é usado em larga escala; tanto o mascavo que produzem em pequena quantidade, quanto o refinado comprado no comércio regional. O mel de jati, fino, claro e de sabor delicado é tido como o melhor para crianças, com qualidades medicinais contra tosse.

Os Rikbaktsa costumam criar vários tipos de aves, tendo-as como um estoque vivo de penas para seu enfeites, do qual lançam mão sempre que necessitam. Criam araras, ararinhas, pequenos periquitos, mutum, jacutinga, jacu etc. A mais comum é a arara (amarela, vermelha ou cabeçuda). É comum encontrar araras perambulando pelo chão ao redor das casas, dentro delas ou nas árvores próximas. Os Rikbaktsa mostram grande afeição por elas, sempre as nutrem com castanha, milho e outros alimentos, o que não impede que, de tempos em tempos, debaixo de grande alarido da arara, que deve ser bem segura pelos pés e cabeça, arranquem-lhe quase todas as penas. Em uma semana as penas começam a crescer de novo e ficam de cores cada vez mais fortes, mais "maduras" como dizem os índios. Muitos criam também galinhas, pelos ovos e carne mas também pelas longas penas do rabo de galo, incorporada aos enfeites plumários tradicionais, com um belo efeito estético. Por fim, há cães em quase todas as malocas, valiosos auxiliares na caça.


Economia dos Rikbaktsa é centrada no Latex e na Castanha

Por outro lado, incorporaram inúmeras mercadorias e utensílios produzidos pela sociedade envolvente, com a qual mantém relações comerciais, obtendo renda monetária nos últimos anos principalmente com a produção e comercialização da borracha (latex), da castanha e do artesanato (sua arte plumária é das mais belas entre os grupos tribais brasileiros). Da produção agrícola e extrativa voltada para o mercado, realizada sob o comando dos jesuítas nas duas primeiras décadas de contato, passaram à auto- organização da produção e comercialização da borracha na década de 80, através de uma cooperativa interna, organizada em consonância com sua forma de vida social.

Nas últimas décadas o avanço do desmatamento em torno de suas terras tem prejudicado a reprodução dos animais da floresta e o crescimento da pesca comercial nos rios que limitam seu território tem prejudicado a reprodução dos peixes, afetando em parte tanto a caça como a pesca, aumentando sua dependência do mercado. Com a queda do preço da borracha, principalmente nos anos 90, apoiaram-se mais na produção e venda da arte plumária e, secundariamente, na venda esporádica de peixe, castanha e outros produtos para o pequeno comércio regional, como forma de obter alguma renda monetária.

Como alternativa econômica ao modelo de ocupação regional marcado pelo desmatamento extensivo, os Rikbaktsa desenvolvem desde 1998 um projeto de manejo sustentável não-madeireiro, centrado num primeiro momento na extração e envasamento de palmito para venda e, futuramente, também no beneficiamento e comercialização da castanha e outros produtos. É uma iniciativa pioneira, administrada pela Associação Indígena Rikbaktsa (ASIRIK, fundada em 1995), com assessoria técnica do Instituto de Estudos Ambientais (IPA) e do Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Humano e do Meio Ambiente (TRÓPICOS), em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a Coordenadoria de Assuntos Indígenas do Mato Grosso (CAIEMT), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA) e a Prefeitura do Município de Juína - MT, financiado pelo Programa de Apoio Direto às Iniciativas Comunitárias (PADIC) do PRODEAGRO e do Programa de Gestão Ambiental Integrada - PGAI/PPG7.

Estas atividades voltadas para o mercado mesclam-se e, por ora, subordinam-se às atividades econômicas tradicionais, num projeto social que tenta potencializar a renda monetária e a capacidade produtiva Rikbaktsa juntamente com a manutenção das características de organização, ritmo e diversidade da vida cotidiana.

 Organização social

As aldeias tradicionais compunham-se de uma ou duas casas habitadas por famílias extensas (o dono da casa, sua esposa, filhos e filhas solteiras, filhas casadas, genros e netos) e uma casa dos homens ("rodeio" no português e makyry na língua Rikbaktsa) onde viviam os viúvos e jovens adultos solteiros. Em 1957, foram encontradas 42 aldeias, espalhadas por seu território, situadas no interior das matas, em locais próximos às cabeceiras de córregos, ligadas entre si por trilhas na floresta. Com a centralização imposta pelos jesuítas as aldeias tornaram-se maiores, menos numerosas e localizadas ao longo da margem direita do rio Juruena. Nas duas últimas décadas, a reconquista de partes de seu território (TI Japuíra e TI do Escondido) impulsionou a multiplicação do número de aldeias em seu porte tradicional, embora algumas dentre elas cheguem a ter mais de 10 casas.

Não há uma forma definida para as aldeias, como entre outros povos do mesmo tronco lingüístico que, a exemplo dos da família Jê, constroem aldeias circulares que refletem a organização social. Atualmente, há cerca de 33 aldeias nas áreas contíguas (TI Rikbaktsa e TI Japuíra) localizadas ao longo do rio Juruena, Sangue e Arinos, acompanhando os limites de suas fronteiras, como estratégia de vigilância de suas terras e otimização do uso dos recursos naturais. Em 1998 construíram mais uma aldeia na TI do Escondido, só agora demarcada, onde planejam a criação de mais aldeias para consumar sua reocupação.

Os Rikbaktsa dividem os seres do universo em duas séries opostas e complementares. Essa divisão, embora utilizada para os outros seres da natureza, opera mais extensamente em relação à sociedade Rikbaktsa e, configurada no sistema de parentesco, fornece o princípio classificatório mais abrangente através do qual organizam sua vida social. A sociedade Rikbaktsa é dividida em metades exogâmicas, uma associada à arara amarela (Makwaratsa) e outra à arara cabeçuda - um tipo de arara vermelha - (Hazobtisa), cada uma subdividida em vários clãs, associados a animais e vegetais.

Metades
ClãsMakwaraktsa (arara amarela)Hazobiktsa (arara cabeçuda)
Makwaraktsa (arara amarela)Hazobiktsa (arara cabeçuda)
Tsikbaktsa (arara vermelha)Umahatsaktsa (figueira)
Bitsitsiyktsa (fruta silvestre)Tsuãratsa (macuquinho)
Mubaiknytsitsa (macaco aranha, quati)Tsawaratsa (inajá)
Zoktsa ("pau torcido", um tipo de árvore)Bitsiktsa (tucano)
Zuruktsa (animal feroz, mítico, aparentado à onça que hoje não existe mais)Buroktsa (árvore, "pau leiteiro")
Wohorektsa (uma certa árvore)Zerohopyrytsa (jenipapo)

Os casamentos são realizados entre as metades. Na década de 70, apesar de considerados incestuosos, realizaram-se casamentos entre membros da mesma metade de parentesco, em parte devido a dificuldades derivadas da mortalidade pós-contato, em parte induzidos pelos jesuítas no seu esforço "civilizatório". Atualmente as prescrições tradicionais são seguidas com rigor. A descendência é patrilinear e se funda na crença de que uma criança é gerada pelo pai, assemelhando-se sempre a ele e nunca à mãe. Além disso, parecem acreditar que qualquer outro homem que copular com uma mulher grávida participa da paternidade. Dizem que o filho toma o lugar do pai, dá continuidade a ele. A ligação entre pai e filho (ou filha) ultrapassa o momento da geração, sendo considerada um elo vital (mais do que social) que se estende por toda a vida. O casamento preferencial é entre primos cruzados e a regra de residência é uxorilocal, isto é, o noivo vai morar com os pais da noiva. A norma geral é a monogamia, mas a poliginia é permitida e ocasionalmente praticada. A cerimônia de casamento é bastante informal. Depois de estabelecido um acordo entre as famílias dos noivos e entre estes, o líder da aldeia retira a rede do homem de sua própria casa (ou da casa dos homens) e a amarra ao lado da rede da mulher, na casa de seu sogro, onde passa a morar nos primeiros anos de casamento, mudando-se depois de ampliar sua família para junto de seus irmãos casados. O divórcio é comum, principalmente nos primeiros anos de casamento, e é facilmente conseguido por qualquer um dos cônjuges.

Em conjunto com as relações de aliança entre grupos patrilineares criadas pelo casamento, os princípios classificatórios do parentesco determinam a distribuição das pessoas entre aldeias e estabelecem relações de prestígio e influência, constituindo-se no cerne de suas relações políticas internas. As relações entre os indivíduos, apoiadas nestes princípios, são classificadas por meio de um sistema formado por mais de sessenta termos, a maior parte constituintes de pares recíprocos.

A posição que uma pessoa vai ocupando na sociedade Rikbaktsa é definida pelo grupo de idade, o sexo, o clã e a metade. Seu sexo a coloca num lado da divisão do trabalho e define as tarefas que irá assumindo ao longo de sua vida. Esse percurso, e os papéis sociais que nele serão assumidos, é percorrido em conjunto com outras pessoas do mesmo sexo que, por passarem conjuntamente pelos rituais que marcam sua entrada na vida adulta, constituem um grupo de idade. Sua pertinência a um clã de uma metade de parentesco determinada, por outro lado, define suas possibilidades de casamento, seu papel e suas obrigações nas festas coletivas rituais, organizadas com base na reciprocidade de direitos e obrigações que as metades têm uma com relação à outra. Por outro lado, conforme o avançar da idade, as pessoas capacitam-se a assumir posições cada vez mais centrais na organização da vida social, até a chegada da velhice, que as coloca no mais alto nível de respeitabilidade.

As crianças desde cedo acompanham os pais, ajudando-os em seus afazeres. Aprendem a conhecer a floresta, seus recursos, seus segredos, através da vivência compartilhada e dos ensinamentos transmitidos no decorrer das tarefas e através dos mitos transmitidos pelos mais velhos. Dos rituais de passagem tradicionais praticam a perfuração de orelha e do nariz para os meninos, durante a grande festa final do ciclo ritual que acompanha a abertura das roças. Antigamente faziam tatuagens no rosto para as moças e no peito para os rapazes, no ritual de passagem para a idade adulta, seguidos por uma reclusão cerimonial que podia durar mais de um mês, durante o qual não podiam tomar sol, nem serem vistos por ninguém que fosse parente muito próximo. As reclusões, as tatuagens e o uso do botoque no lóbulo da orelha dos rapazes foram sendo abandonados após o contato. Antigamente os meninos passavam a viver na casa dos homens a partir dos 12 anos de idade, onde sua educação era completada por um mentor. Hoje em dia vivem com os pais até o casamento, quando mudam para a casa do sogro e este costuma completar a educação tradicional do genro.

Cada clã tem um estoque fixo de nomes, estabelecidos num passado imemorial, usados por todas as gerações mortas e portados continuamente pelas gerações vivas. Há os nomes de criança e os nomes de adultos. Uma pessoa recebe ao longo de sua vida três ou quatro nomes, deixando livre o anterior para ser usado por outra pessoa.

Os nomes são sugeridos por membros do clã do pai, mas a decisão sobre a sua adequação está na mão dos velhos, nem todos do mesmo clã, mas pertencentes a uma mesma classe de idade. Eles se reúnem antes da festa que acompanha a derrubada da mata para o plantio, quando decidem quem vai ganhar novo nome (crianças e adultos) e qual será. No decorrer da festa, no canto noturno, o "dono da festa" anuncia os nomes e as pessoas que os ganharam.

Uma criança pode receber o "nome de criança" que seu pai, avô ou irmão mais velho já usou. Ainda que seja mais comum receber nomes cujo último usuário tenha morrido bem velho, depois de uma vida plena, um homem pode receber um nome já usado por seu pai, avô ou outro membro do clã, mesmo que este ainda esteja vivo. A não ser no caso das crianças pequenas, ninguém é chamado pelo nome próprio. Os Rikbaktsa chamam-se entre si pelos termos de parentesco, por nomes cristãos, por apelidos ou referindo-se a uma relação conhecida estabelecida com uma terceira pessoa.

O nome próprio só é conhecido por seus parentes mais próximos e seus aliados, os que participam da mesma festa de derrubada, e costuma ser desconhecido pelas pessoas com as quais mantém relações mais distantes. Para os inimigos é segredo, não se diz. Mas, mesmo os que conhecem o nome do interlocutor não o pronunciam em público. Seria uma grande indelicadeza, uma invasão da privacidade, expor assim o nome de uma pessoa. Nem se diz a alguém o nome de uma pessoa que não está presente. Só o próprio dono pode revelá-lo, se sentir confiança para tal. Também não se costuma pronunciar o nome dos que morreram recentemente, referindo-se ao morto como "o falecido" e referindo-se a seu parentesco com uma terceira pessoa.

 Ciclo de vida

Uma criança porta o nome que recebeu após o nascimento até receber outro, entre os 9 e 12 anos de idade. O critério não é a idade cronológica exata, mas o grau de aprendizado a que chegou. Entre os 3 e 5 anos o menino recebe um arquinho e flechas feitos por seu pai, começando a acompanhá-lo em pescarias e caçadas. Vai conhecendo a "fala" dos bichos (isto é, o modo como os animais comunicam-se entre si, os sons que produzem e o que eles indicam), o nome e as características das plantas e árvores, a geografia local. Com 8-10 anos de idade já sabe fazer seu próprio arco e flechas, ainda que menores do que os de um adulto, usando-os com alguma maestria. Quando já sabe flechar bem, aos 11-12 anos, fura o nariz na festa do milho, na estação das chuvas, e ganha seu segundo nome, um nome intermediário entre seu nome de criança e o de adulto, que portará mais tarde.

Começa a freqüentar a casa dos homens durante o dia, aprendendo sobre as festas, sobre os mitos, a respeito da utilização de ervas medicinais; aprende a tocar flauta, fazer os enfeites plumários, arcos e flechas de adultos. Ao mesmo tempo, passa a assumir mais sistematicamente as responsabilidades de provedor de sua casa e aldeia, participando de todas as tarefas adultas.

Aos 14-15 anos de idade, quando já consegue matar bichos grandes, como porco do mato, anta, capivara, veado etc., e já sabe o suficiente sobre as festas, passava pelo rito de perfuração do lóbulo das orelhas, que ocorria na festa grande, na estação da sêca, ponto culminante do ciclo ritual anual. Este rito, que hoje em dia não mais acontece, introduzia o rapaz na classe de idade dos homens feitos. Já podia casar e também participar das expedições guerreiras que regularmente moviam contra os Cinta-Larga, outros grupos vizinhos e, depois, contra os seringueiros. Nessa fase recebia seu terceiro nome, logo após a perfuração de orelha ou depois de casar.

Atualmente, mesmo sem furar a orelha, os rapazes são considerados adultos quando agregam as condições adequadas de idade e aprendizagem, recebendo então seu terceiro nome, em geral depois do casamento. Alguns homens podem trocar de nome ainda mais uma vez, recebendo um quarto nome, quando forem homens maduros, donos de maloca com filhos crescidos, família grande e influência social.

As mulheres também são nominadas da mesma forma que os homens, nas festas de derrubada, obedecendo porém a outros ritos de passagem.

Assim como os meninos, as meninas recém-nascidas recebem um nome clânico de criança. No passado, por volta dos 12 anos de idade, depois de menstruar pela primeira vez, as meninas furavam o nariz. Hoje, algumas furam e outras não. Nessa idade tomam "remédio do mato" para diminuir a dor do parto quando tiverem filhos.

Tradicionalmente, o pai decidia quando a filha iria receber as tatuagens faciais ("riscar o rosto"), o que ocorria na festa grande, na mesma ocasião em que os meninos tinham o lóbulo da orelha perfurado. A partir daí era considerada mulher feita, pronta para casar.

Depois da perfuração de nariz a moça já podia receber novo nome, em geral dado depois de riscar o rosto ou logo depois do casamento. Não há a prática de reclusão das moças, a não ser nesse curto período. Não há também cabanas menstruais, nem se percebe regras de isolamento relativas à menstruação.

Hoje em dia, esse ritual de passagem não é mais praticado, assim como a perfuração do lóbulo de orelha dos rapazes e as expedições de guerra, nas quais o caçador formado tinha sua primeira experiência como guerreiro, completando sua formação de homem adulto. A experiência de guerreiro tem sido nos últimos anos a participação ativa dos jovens nas lutas para a recuperação e manutenção de seu território.

A Usina Hidroelétrica Castanheira e o risco de acabar com uma preciosidade da cultura Rikbaktsa, o Tutãra

A UHE Castanheira, projetada para gerar irrisórios 0,098 GW de energia firme na bacia do rio Juruena, no norte de Mato Grosso, que está em projeto de construção é altamente impactante ao meio ambiente e aos Rikbaktsa, pois pode impactar diretamente um dos rituais mais belos e importantes para o povo, O colar Tutãra.



Tutãra é o nome do colar de casamento, uma das mais sofisticadas peças da arte e cultura Rikbaktsa,  e também é o nome dado ao molusco Paxyodon syrmatophorus, usado em sua confecção, que por sua vez só pode ser coletado pelos indígenas no rio Arinos e, por causa dele, é conhecido como “água de concha”.

Segundo cosmografia da etnia, o molusco guarda o 'arco-íris gestado no rio', representa a conjuntio, a união do masculino e feminino e a geração da vida, o som da conchas no guarda-costas das mulheres tem o som do rio Arinos.

Mesmo que a usina não saia do papel, as atividades do não indígena nos bairros construídos imediatamente próximo das terras indígenas, já está reduzindo enormemente a população desses moluscos, intimamente ligados à espiritualidade do povo.

 Organização política

A sociedade Rikbaktsa se estrutura a partir das relações de reciprocidade estabelecidas entre os clãs pertencentes às metades de parentesco, que os articula na comunidade mais ampla. Trocam mulheres via casamento, trocam bens e trabalho nas festas que uma metade oferece à outra, em troca da ajuda na derrubada para o plantio. Essa interdependência aparece também na caça, onde o caçador sempre dá o animal caçado ao companheiro, em geral o cunhado, pertencente à outra metade de parentesco.

Porém, em princípio cada grupo doméstico se constitui como uma unidade política. Tradicionalmente não havia "chefes", ainda que tenha havido e há líderes cuja influência transcende sua própria casa ou aldeia. As chefias centralizadas impostas pelos missionários foram de curta duração e de pouca eficácia. Os líderes mais influentes, a par de sua capacidade pessoal, costumam ser os que tem o grupo de parentes e de cunhados mais numerosos. Atualmente começa aparecer também um outro tipo de líder, os jovens com mais conhecimento da sociedade envolvente, que podem oferecer respostas mais adequadas aos problemas que a situação de contato lhes impõe.

Sem chefia centralizada, os principais mecanismos de controle social são a "fofoca", a imposição do ostracismo e a evitação social.

A quebra da reciprocidade (principalmente em se tratando das obrigações familiares derivadas do casamento) é causadora de atritos e diferencia os laços existentes entre os diversos sub-grupos clânicos. Essa relação de maior ou menor solidariedade entre eles é que, a par dos critérios econômicos ou estritamente geográficos (proximidade de cursos de água, terra fértil etc.) define a localização das aldeias e as distâncias entre vizinhos.

Parece ter havido, anteriormente à situação de contato, rivalidades sérias entre os Rikbaktsa que viviam no rio Arinos com os do rio do Sangue e com os do rio Juruena. Atualmente, a luta pela sobrevivência física e cultural acentuou os laços de coesão internos, assim como permitiu uma maior aproximação e eventuais alianças com outras sociedades indígenas da região.

 Visões sobre a doença, a morte e a vida

Os Rikbaktsa acreditam que há uma permutação de "almas" entre os seres do mundo físico. Assim, o destino dos mortos é diferenciado segundo a vida que tiveram como seres humanos. Alguns voltam de novo como seres humanos (até mesmo como "brancos") ou encarnados como macacos "da noite" (um dos poucos animais que eles jamais caçam); outros, que foram pessoas más em vida, voltam como animais perigosos aos homens, como a onça ou cobras venenosas. Por outro lado, os seres existentes um dia foram humanos e seus mitos registram como foram transformados definitivamente em animais. Assim, os porcos, a anta, as araras, os pássaros e até a lua já foram gente.

As centenas de histórias que formam o tecido mítico que dá forma e sentido à vida Rikbaktsa são recontados constantemente pelos mais velhos e até as crianças se orientam por eles na sua relação com o meio físico e social envolvente, procurando manter a harmonia de suas atividades com a ordem imanente do cosmos, retratada nos seus mitos.

A doença é vista como um desequilíbrio resultante da quebra de tabus (isto é, atos que ferem a harmonia ou a ordem imanente do mundo) ou como produto do feitiço, ou de envenenamento provocado por algum inimigo. As técnicas curativas tradicionais se baseiam no uso de inúmeras plantas com qualidades medicinais e em purificações rituais.

Todas as atividades de caça, coleta, pesca e agricultura se inserem nesse universo de significação e são ritualizadas no ciclo de cerimônias ritmadas pelo ano agrícola. Neles, a música, as canções e os enfeites plumários tem uma importância fundamental, expressando de forma sensível seu universo social e mítico, suas formas de sensibilidade afetiva, estética e religiosa. No processo de retomada de sua dignidade étnica, os rituais, a música e as narrativas míticas revestem-se de importância crucial, expressando e constituindo o núcleo de coesão e identidade que lhes permite enfrentar as transformações induzidas pelo contato, sem desintegrar-se como povo de cultura e história originais.

Há a festa do milho verde em janeiro, a festa da derrubada em maio e festas menores pontuando toda a seqüência de atividades anuais. O ponto alto do ciclo ocorre em meados de maio, quando as metades e os clãs aparecem com suas pinturas corporais, enfeites plumários e toques de flauta característicos. Nessa ocasião encenam-se episódios míticos e também episódios de lutas vividas na história recente por homens da comunidade.

Os Rikbaktsa são exímios tocadores de flautas e as canções tradicionais apropriadas são tocadas em todas as festas.

 Nota sobre as fontes

As fontes bibliográficas sobre os Rikbaktsa são todas posteriores ao contato estabelecido pelos jesuítas. Há os trabalhos e relatórios dos próprios jesuítas no contexto da catequese e tutela e os dos membros do Instituto Lingüístico de Verão, que também atuaram entre eles, embora sem a mesma profundidade e presença que os jesuítas da Missão Anchieta. Dos escritos dos jesuítas, o mais importante, que conta as expedições de pacificação, os primeiros contatos, fornece uma descrição do contexto regional, dos Rikbaktsa e de sua situação é o do Pe. João Dornstaudter, que comandou todo o processo de pacificação. Outros trabalhos importantes como fonte de informação sobre o estilo de atuação jesuítica na época são os do Pe. Moura e do Pe. Weber.

Das primeiras descrições etnográficas sobre o povo Rikbaktsa, a melhor é a do antropólogo Harald Schultz, que lá esteve em 1962, no primeiro ano de contato pacífico, e que, além do texto preciso, produziu excelentes fotos publicadas em ambos os artigos.

Descrições etnográficas também são encontradas nos trabalhos de Joan Boswood, do Instituto Lingüistico de Verão, embora seus trabalhos estejam mais voltados para o estudo da língua, tal como os de Sheila Tremaine.

Trabalho de maior fôlego é o do antropólogo Robert Hahn, que trabalhou entre eles no início da década de 1970, produzindo a primeira tese sobre os Rikbaktsa. Voltada para a análise do sistema terminológico de parentesco, constitui a primeira etnografia extensa sobre os Rikbaktsa, abordando também a atuação dos jesuítas e as implicações da catequese religiosa sobre este povo.

Os trabalhos mais recentes sobre os Rikbaktsa, por hora, são de minha autoria. Primeiro os relatórios de avaliação de sua situação, no âmbito da avaliação do Projeto Polonoroeste, entre 1983 e 1988. Conta-se entre eles o relatório de identificação das áreas indígenas do Japuíra e do Escondido, realizados em 1985. Novo relatório de identificação da área indígena do Escondido foi realizado em 1993, redefinindo-a e constituindo a base para sua demarcação em 1998. Estes relatórios fornecem uma visão mais conjuntural, ainda que procurem sempre se apoiar numa perspectiva da história Rikbaktsa.

As pesquisas realizadas com bolsas do CNPq resultaram num relatório de 1988 e depois em minha tese de doutoramento de 1992. Nestes trabalhos procurei expor o conjunto de informações históricas e etnográficas que levantei sobre os Rikbaktsa, e analisá-las na perspectiva do campo teórico da antropologia.

Posteriormente, aprofundei alguns aspectos do seu pensamento no artigo "Mitos Rikbaktsa". Publiquei outros dois artigos mais conjunturais, voltados para suas lutas políticas e territoriais e desenvolvi mais uma pesquisa voltada para uma comparação entre o modelo regional de ocupação do espaço e uso dos recursos naturais e o modelo Rikbaktsa, além de produzir um vídeo etnográfico sobre eles.

Em 1985, no contexto da luta pela recuperação da TI Japuíra, houve uma invasão policial da área, violência física e moral sobre os índios, prisão e tortura do Pe. Balduíno Loebens, missionário que trabalhava com eles há cerca de 30 anos e outros abusos. Depoimentos sobre estes acontecimentos e o processo judicial que se seguiu, do qual os Rikbaktsa saíram vencedores, estão contidos no Dossiê Rikpaktsa, organizado por Odenir Oliveira, indigenista da Funai. Por fim, há as obras de autoria dos próprios Rikbaktsa, uma delas assessorada por Fausto Campoli, na ocasião assessor de educação da OPAN, e a outra pelo Instituto Lingüístico de Verão.

 Fontes de informação

ARRUDA, Rinaldo Sérgio Vieira. A luta por Japuíra. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil 1095/1986. São Paulo : Cedi, 1987. p. 313-21. (Aconteceu Especial, 17).
--------. Os direitos dos Erikbaktsa : interesses impedem demarcação da Área Indígena do Escondido. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 579-82.
--------. Mitos Rikbaktsa : história, sociedade e natureza. Margem, São Paulo : Educ, n. 5, p. 31-58, 1996.
--------. Relatório antropológico sobre a Área Indígena do Escondido : avaliação da situação e proposta de demarcação. s.l. : Funai, fev. 1993. 39 p.
--------. Relatório de avaliação da Área Indígena Rikbaktsa-Japuíra e da área Indígena do Escondido. s.l. : Fipe/Minter/Sudeco, maio 1987.
--------. Relatório de avaliação da situação Rikbaktsa. s.l. : Fipe/Minter/Sudeco, jan. de 1986.
--------. Os Rikbaktsa : mudança e tradição. São Paulo : PUC, 1992. 543 p. (Tese de Doutorado)
--------. Rikbaktsa : retomando o Japuíra. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 453-5. (Aconteceu Especial, 18)
--------; MARICONDE, Inês. Mapa de ocupação territorial : Áreas Indígenas Rikbaktsa e Japuíra e arredores. São Paulo : CTI/PUC-SP, 1994.
BOSWOOD, Joan. Citações no Discurso Narrativo da Língua Rikbaktsa. Brasília : SIL, 1973. (Lingüística, 3).
--------. Evidências para a inclusão do Aripaktsá no filo Macro-Jê. Brasília : SIL, 1972. (Lingüística, 1)
--------. Phonology and morphology of Rikbaktsa and a tentative comparison with languages of the Tupi and Jê families. s.l. : SIL, 1971.
--------. Quer falar a língua dos Canoeiros? Rikbaktsa em 26 lições. Brasília : SIL, 1978. 108 p.
--------. Some thought on Rikbaktsa kinship. s.l. : SIL, s.d.
CAMPOLI, F. e equipe de professores Rikbaktsa. Mypamykysonahaktsa. s.l. : s.ed., 1986. (Livro de leitura e exercícios feito coletivamente pelos professores Rikbaktsa, sob a orientação de Fausto Campoli, para uso em suas escolas)
CHRISTINAT, Jean-Louis. Mission ethnographique chez les indiens Erigpactsa (Mato Grosso), expedition Juruena 1962. Bulletin de la Société Suisse des Américanistes, Genéve : Société Suisse des Américanistes, n 25, p. 3-37, 1963.
DORNSTAUDER, João Evangelista. Como pacifiquei os Rikbáktsa. São Leopoldo : Instituto Anchietano de Pesquisas, 1975. 192 p. (Pesquisas História, 17)
HAHN, Robert Alfred. Missionaries and frontiersmen as agents of social change among the Rikbakca. In: HVALKOF, S.; AABY, Peter (Eds.). Is God an American? : an anthropological perspective on the missionary work of the SIL. Copenhagen : IWGIA, 1981. p. 85-107. (Document, 43). --------. Rikbakca categories of social relations : an epistemological analysis. Cambridge : Harvard University, 1976. 297 p. (Tese de Doutorado)
LUNKES, Odilo Pedro. Estudo fonológico da língua ribaktsá. Brasília : UnB, 1967. (Dissertação de Mestrado) --------. Origem, lendas e costumes dos índios Rikbaktsa. Estudos Leopoldenses, São Leopoldo : Unisinos, v. 13, n. 48, sep., 1978.
MELLO, Alonso Silveira de. Missão do Mangabal do Juruena. São Leopoldo : Instituto Anchietano de Pesquisas, 1975. (Pesquisas, História, 18)
MOURA E SILVA, José de. Diamantino, 1728-1978 : 250 anos. Documentário. Cuiabá : UFMT, s.d. --------. Fundação da Missão de Diamantino. São Leopoldo : Instituto Anchietano de Pesquisas, 1975. (Pesquisas, História, 18)
OLIVEIRA, Odenir Pinto de (Org.). Dossiê Rikbaktsa. Brasília : Funai, 1986. 255 p.
PACINI, Aloir. Pacificar : relações interétnicas e territorialização dos Rikbatsa. Rio de Janeiro : Museu Nacional, 1999. 261 p. (Dissertação de Mestrado)
PEREIRA, Adalberto Holanda. O pensamento mítico do Rikbaktsa. São Leopoldo : Instituto Anchietano de Pesquisas, 1994. 336 p. (Pesquisas Antropologia, 50)
PROFESSORES RIKBAKTSA. Dicionário Rikbaktsa/Português - Português/Rikbaktsa. Cuiabá : SIL, 1991.
SCHULTZ, Harald. Indians of the Amazon darkness. National Geographic, Washington : s.ed., v. 125, n. 5, p. 736-58, 1964. --------. Informações etnográficas sobre os Erigpagtsá (Canoeiros) do Alto Juruena. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 15, p. 213-314, 1964.
TREMAINE, Sheila (Comp.). Tsipinymyrykynahaktsa bo ky - Queremos aprender : Pré-Leitura Rikbaktsa. Cuiabá : SIL, 1993. 47 p. Circulação restrita. -------- (Comp.). Tsipinymyrykynahaktsa! ns. 1, 2, 3, 4 - Vamos estudar ns. 1, 2, 3, 4. Cuiabá : SIL, 1994. 54, 40, 33 e 34 p. (Livros de Apoio na Língua Rikbaktsa). Circulação restrita.
ZWETSCH, Roberto E. Com as melhores intenções : trajetórias missionárias luteranas diante do desafio das comunidades indígenas - 1960-1990. São Paulo : Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, 1993. 563 p. (Dissertação de Mestrado)
Os Rikbaktsa. Dir: Rinaldo S. V. Arruda et al. Vídeo cor. VHS, 10 min., 1989. Prod.: PUC-SP.


Zo'é

Indio Zoé em Toy Art
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
239Zo'éPoturuMondé
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT625Associação Povo Indígena Zoró Pangyjej 2010



Localizados numa área de refúgio, entre os rios Cuminapanema e Erepecuru, norte do Pará, os Zo'é procuraram manter-se afastados tanto dos povos indígenas vizinhos, que consideram inimigos, quanto dos brancos, que conheciam através de contatos intermitentes. Entraram para a história como um dos últimos povos "intactos" na Amazônia.
Toy Art da Etnia Zo'é com ornamento da cabeça de penas de Abutre Real  original - saiba como ter a sua contato@blemya.com

Os índios do rio Cuminapanema autodenominam-se Zo'é. Trata-se de um classificador ainda em construção, um termo que é apenas usado em situações de contraposição entre um "nós" e os brancos (Kirahi) ou os inimigos (Apam, Tapy'yi), as duas únicas categorias étnicas atualmente utilizadas pelos Tupi. Fora estes termos, os Zo'é não usam etnônimos para designar, por exemplo, grupos indígenas vizinhos. Em algumas circunstâncias, diferenciam os kirahi ete, os brancos verdadeiros, ou seja, os primeiros forasteiros com quem travaram contatos esporádicos há várias décadas (castanheiros e gateiros, da região), e os agentes com quem se relacionam agora, que são apenas kirahi ou kirahi amõ (outros brancos, não-regionais).

O termo poturu, inicialmente utilizado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) para designar este grupo Tupi, refere-se tão somente à madeira com que são confeccionados os adornos labiais embe'po: é o que respondiam os Zo'é quando alguém apontava para eles, indagando um nome.

Os Zo'é são falantes de uma língua da família Tupi-Guarani do tronco Tupi. Toda sua população é monolíngue, com excessão de alguns jovens que aprenderam algumas palavras em português, ouvindo os funcionários da Funai falar no rádio.

 Histórico do contato

Os Zo'é entraram para a história como um dos últimos povos "intactos" na Amazônia. Seu contato com missionários protestantes norte-americanos e com sertanistas da Funai foi largamente noticiado pela mídia, que em 1989 divulgou as primeiras imagens deste povo tupi, até então vivendo uma situação de isolamento.

Os Zo’é têm seu lábio inferior perfurados com 7 ~ 9 anos de idade
A Funai tinha conhecimento da existência do grupo desde pelo menos o início dos anos 70, quando procedeu ao levantamento dos grupos isolados que estavam na rota da construção da rodovia Perimetral Norte (BR-210). Na época, o contato com o grupo do Cuminapanema foi planejado, mas a interrupção das obras da Perimetral levaram a Funai a desistir do contato.

Nesse período, já se dispunha de informações relativamente precisas sobre a localização do grupo. Em 1975, uma equipe do Idesp (órgão do governo do estado do Pará) que realizava mapeamento e pesquisa mineral para a Sudam, encontrou uma clareira, que poderia ser utilizada como pista de pouso. Ao se aproximar, descobriram que se tratava de uma aldeia, com três grandes casas. A equipe resolveu sobrevoar a aldeia, recebendo flechadas dos índios. Antes de interromper os trabalhos, o Idesp localizou, através de sobrevôos, outras três aldeias e comunicou a "descoberta" à Funai, que chegou a designar dois sertanistas para trabalhar na região.

Em 1982, missionários evangélicos da Missão Novas Tribos do Brasil efetivaram o contato com os índios, após terem localizado, num sobrevôo, quatro aldeias. Segundo os missionários, este contato "relâmpago" foi muito tenso e limitado à entrega de alguns presentes.

Nos anos seguintes, de 1982 a 1985, os missionários limitaram-se a realizar sobrevôos para reconhecer a localização das aldeias e lançar presentes. Em 1985, eles voltaram à área e iniciaram a construção de uma base, chamada Esperança, situada a alguns dias de caminhada das aldeias e fora da área de perambulação dos índios. Em dois anos concluíram a edificação de algumas casas e de uma pista de pouso para pequenos aviões. Durante este período realizaram sucessivas incursões rumo às aldeias, efetivando alguns encontros esporádicos com os índios que, segundo os missionários, permaneciam "agitados" e arredios.

Foi em 5 de novembro de 1987, na Base Esperança, que ocorreu o contato definitivo com os Zo'é: um grupo de índios apareceu no morro situado atrás da Base, onde outras famílias foram se reunindo, num grupo de cerca de cem pessoas. Segundo os missionários foi um momento de grande tensão. Comunicando-se através de gestos, os missionários ofereceram presentes e receberam, em troca, flechas, cujas pontas haviam sido quebradas. Nos dias seguintes outros vieram, construindo casas no morro, onde permaneceram por algum tempo.

Comunicado o episódio à Funai, esta proibiu os missionários de instalarem-se nas aldeias, o que os levou a atrair os índios para junto da Base Esperança, onde os Zo'é construíram casas e abriram roças. O objetivo da atuação da Missão Novas Tribos estava pautada por três etapas: aprender a língua, iniciar a alfabetização e, através da tradução da Bíblia, transmitir a palavra de Deus aos Zo'é.
Os Zo'és são poligâmicos, é bastante comum que uma mulher se case com vários homens ao mesmo tempo.

Em 1989, a Funai realizou algumas expedições de reconhecimento da situação dos índios e constatou que o estado de saúde do grupo era precário. As relações entre a Funai e a Missão tornaram-se conflituosas e, em outubro de 1991, a Funai assumiu o controle da área, retirando a Missão e implantando uma política assistencial própria.

Assim, foi apenas nesta última década que os Zo'é vêm experimentando a convivência com brancos, que para eles significa: a introdução de tecnologias de alto impacto e consequente atração em torno de postos de assistência, instalados dentro de seu território em função dos interesses dos brancos, a subsequente aparição de novas doenças que, por sua vez, consolidam a concentração de sua população em torno dos postos. Em muitos aspectos, a situação desse povo apresenta similitudes com a dos outros 50 grupos isolados que existem atualmente na Amazônia. Há porém algumas características peculiares, que merecem ser enfatizadas:

mesmo que tenham estabelecido, por sua própria iniciativa, relações de convivência permanente com o posto assistencial há apenas sete anos, os Zo'é já haviam experimentando contatos ocasionais com castanheiros e caçadores de pele há pelo menos 50 anos;
sua localização numa área de refúgio, entre os rios Cuminapanema e Erepecuru, evidencia que durante décadas procuraram manter-se afastados tanto dos povos indígenas vizinhos, que consideram inimigos, quanto dos brancos;

ao contrário das experiências anteriores de contato intermitente, foi no processo recente de contato (1982/90) que sofreram as baixas demográficas mais drásticas, decorrentes da propagação de doenças antes desconhecidas, resultando num processo de contaminação que continua crescente;
devido às difíceis condições de acesso e à inexistência de programas estaduais ou federais de desenvolvimento na região norte do Pará, a área continua relativamente preservada; no entanto, pequenos grupos garimpeiros se implantaram nas margens dos rios que limitam a área: Erepecuru (onde existem várias pistas de pouso) e Curuá. Até o momento, a Área Indígena Cuminapanema/Urukuriana continua apenas "interditada". Uma situação jurídica precária: sua "identificação" começou em 1997, dando-se início ao longo processo de reconhecimento fundiário que garantirá aos Zo'é exclusividade na ocupação e exploração de suas terras.

É um fato que, hoje, os Zo'é saíram do isolamento. A passagem para a convivência permanente com agentes de contato se manifesta no processo de dependência no qual estão inseridos e na reestruturação de seu ritmo de vida e de seu sistema de ocupação territorial em função da presença dos agentes de assistência. Estão visíveis no Cuminapanema todos os elementos de um processo que historicamente acompanha a instauração de uma política assistencial que visa justamente a "proteção".

Ora, a principal particularidade das relações de contato em curso no Cuminapanema relaciona-se ao fato das agências assistenciais terem se antecipado ao convívio mais intenso dos índios com frentes de ocupação regional. A MNTB, e depois a Funai, promoveram intervenções cujo objetivo declarado era garantir e preservar o "isolamento" desta etnia. Uma decisão unilateral, que contrasta com o interesse dos Zo'é em ter acesso ao mundo exterior, em ritmo e segundo categorias de entendimento próprias. Desde que optaram por estabelecer relações de convívio permanente com os brancos em 1987, os Zo'é manifestam uma curiosidade crescente em desvendar e controlar o mundo à sua volta: desejam maior contato com os brancos, querem mais objetos, querem visitar a cidade, querem conhecer outros índios.

 Modos de vida

Como outros povos da região das Guianas, os Zo'é apresentam uma estrutura social descentralizada, marcada pela autonomia política e econômica do grupo local. Em uma mesma aldeia podem habitar mais de um grupo local. Cada casa abriga uma família nuclear ou duas unidades que ocupam espaços separados na habitação, cada uma com seu fogo.

Suas atividades econômicas dividem-se em dois movimentos: relativa sedentarização em função das práticas agrícolas e uma importante mobilidade resultante das atividades de caça e pesca.

Devido a tecnologia lítica (ferramentas de pedra) que os Zo'é utilizavam até pouco tempo, as roças são reaproveitadas ano após ano, replantando-se mandioca e outros produtos nas mesmas clareiras. Por esta razão, há poucas roças e portanto poucas aldeias na área. Contrariamente à esse padrão sedentário, as atividades de caça e pesca levam as famílias à deslocamentos em regiões muito distantes das aldeias, onde permanecem por várias semanas, aproveitando no local a fartura de caça e complementando a alimentação com farinha preparada na aldeia. Essa alternância das atividades voltadas para a agricultura e a preparação de farinha e das expedições à longa distância concretizam-se em uma grande mobilidade na área.

O equipamento material utilizado pelos Zo'é em suas atividades de subsistência é composto por um número limitado de artefatos, sobressaindo os de cerâmica e de trançado, confeccionados pelas mulheres e destinados ao processamento da mandioca.

 Localização e população

Os Zo'é habitam uma faixa de terra firme, cortada por pequenos igarapés afluentes de dois grandes rios, o Cuminapanema e o Erepecuru, no município de Oriximiná, norte do Pará. Trata-se de uma região montanhosa de grandes castanhais, que apresenta maximização dos recursos de subsistência. Além da mandioca, que corresponde a cerca de 90% da área plantada da roça, a castanha-do-pará é o produto mais consumido pelos índios, que utilizam também a casca e a entrecasca para confeccionar a maioria de seus artefatos. O território ocupado pelos índios é entrecortado por pequenos igarapés, onde realizam pescarias com timbó. A relativa escassez de recursos faunísticos nessa zona de ocupação resulta do longo tempo de permanência das aldeias e, portanto, do esgotamento da caça. A área habitada corresponde à uma zona de "refúgio", onde os Zo'é mantiveram-se isolados dos brancos, que conheciam através de contatos intermitentes há várias décadas, e de outros povos indígenas vizinhos, que consideram inimigos.
Territorio Zo'é

Os Zo'é aceitaram a convivência pacífica com os brancos em 1987. Quatro anos depois, estima-se que tenham morrido 45 indivíduos por epidemias de malária e gripe. Em 1991, eram 133; seis anos depois, os Zo´é iniciam um processo de recuperação demográfica e a população cresce chegando a 152 pessoas.

 Fontes de informação

BINDA, Nadja Havt. Representações do ambiente e territorialidade entre os Zo'é/PA. São Paulo : USP, 2001. 209 p. (Dissertação de Mestrado)


CABRAL, A. S. A. C. Algumas evidências lingüísticas de parentesco genético do Jo'é com as línguas Tupi-Guarani. Rev. Cursos de Pós-Graduação em Letras, Belém : UFPA, v. 4, 1996.


--------. Notas sobre a fonologia do Jo'é - Moara : estudos de línguas indígenas. Rev. Cursos de Pós-Graduação em Letras, Belém : UFPA, v. 4, 1996.


GALLOIS, Dominique Tilkin. De arredio a isolado : perspectivas de autonomia para os povos indígenas isolados. In: GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (Org.). Índios no Brasil. São Paulo : Secretaria Municipal de Cultura, 1992. p. 121-34.


--------. Essa incansável tradução : entrevista. Sexta Feira: Antropologia, Artes e Humanidades, São Paulo : Pletora, n. 6, p. 103-21, 2001.


--------. Tupi do Cuminapanema : eles se chamam Zo'É. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 280-7.


--------; CARELLI, Vincent. Diálogo entre povos indígenas : a experiência de dois encontros mediados pelo vídeo. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 38, n. 1, p. 205-59, 1995.


GALLOIS, Dominique Tilkin; GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. O índio na Missão Novas Tribos. In: WRIGHT, Robin (Org.). Transformando os Deuses : os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas no Brasil. Campinas : Unicamp, 1999. p. 77-130.


--------. A redescoberta dos amáveis selvagens. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 209-14. (Aconteceu Especial, 18)


GALLOIS, Dominique Tilkin; HAVT, Nadja. Relatório de identificação da Terra Indígena Zo'é : Portaria 309/PRES/Funai - 04.04.97. São Paulo : Funai, 1998.


HAVT, Nadja. De algumas questões sobre a participação de “índios isolados” no processo de regularização fundiária : o exemplo dos Zo’É. In: GRAMKOW, Márcia Maria (Org.). Demarcando terras indígenas II : experiências e desafios de um projeto de parceria. Brasília : Funai/PPTAL/GTZ, 2002. p. 85-94.


RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Línguas brasileiras : para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo : Loyola, 1986. 135 p.


--------. Relações internas na família lingüística Tupi-Guarani. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 27/28, p. 33-54, 1984/1985.


SILVEIRA, Maria Luiza dos Santos. Identidade em mulheres índias : um processo sobre processos de transformação. São Paulo : USP-IP, 2001. 377 p. (Dissertação de Mestrado)


THOMAZ, Omar Ribeiro. A periferia de São Paulo descobre os índios Tupi do Cuminapanema. Tempo e Presença, Rio de Janeiro : Cedi, v. 14, n. 262, p. 38-41, mar./abr. 1992.


A arca de Zo'É. Dir.: Dominique T. Gallois; Vincent Carelli. Vídeo Cor, VHS, 22 min., 1993. Prod.: CTI-SP