sábado, 2 de janeiro de 2016

Kanoê

Toy Art Kanoê

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
86KanoêCanoe, Kapixaná, KapixanãKanoe
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO282Siasi/Sesai 2012



Estado: Rondônia
Regiões: centro-sul / sudoeste
Cidades: Guajará-Mirim, Porto Velho
Atualmente, a etnia Kanoê está reduzida a um grupo de aproximadamente uma centena e meia de pessoas, que se distribuem em duas comunidades, aqui nomeadas segundo a região em que vivem no Estado de Rondônia, quais sejam:

1a.) O grupo maior, com aprox. 151 membros (2010), que será identificado como os "Kanoé do Vale do Guaporé"; inclui todos os moradores desde a cidade de Guajará-Mirim, passando por Deolinda, Barranquilha até a Aldeia Ricardo Franco, na T. I. Rio Guaporé. Não é possível quantificá-los com exatidão, pois alguns são considerados “desaparecidos”;

2a.) O grupo menor, reduzido a uma família de apenas três pessoas monolíngues na língua nativa, nomeado "Kanoê isolados do Omeré", desde que foram contatados e identificados pela FUNAI em 1995.

Essa divisão é hoje o produto histórico de duas situações de contato com a sociedade envolvente.
Terra Indígena Rio Guaporé: homologada em 23/05/1996, localiza-se no Município de Guajará-Mirim, sob controle da Administração Regional da FUNAI de Guajará-Mirim. Possui uma área 115.788 ha e uma população total estimada em 589 índios (2005), em três aldeias, a saber: Ricardo Franco, Baía da Coca e Baía das Onças. É habitada pelas etnias Aikanã (Masaká) Arikapú, Aruá, Kanoé, Djeoromitxí (Jabutí), Makuráp, Tuparí, Wajurú (Ajurú), Wari (Oronão, Urudão - subgrupo Txapakúra), Sakurabiat e Kujubim. Não há índios isolados. Na aldeia Ricardo Franco reside a grande maioria dos Kanoé (registrados como Canoê), todos (filhos, netos e bisnetos) diretamente ascendentes do clã de Francisco Kanoé, num total de 70 pessoas aproximadamente. Ilda Canoê, casada com Estanislau Tupari, mora na aldeia de Baía da Coca.

Terra Indígena Sagarana: homologada em 23/05/1996, também, localizada na Baía da Coca, também pertencente a Guajará-Mirim. É administrada pela ADR/FUNAI desse Município. Compreende uma área total de 18.120 ha, na qual se concentra uma população de 269 índios (2005), sobretudo Wari (Oronão, Urudão) e Kanoé, esses ascendentes do clã de Júlio Kanoé (filhos, netos e bisnetos). Nessa área também não existem índios isolados.

Terra Indígena Rio Branco: antiga Rio Branco/Purus, foi homologada por meio do Decreto 93.074 de 07/08/1986. Localiza-se nos Municípios de Costa Marques (1.272.217 ha), Alta Floresta D'Oeste (706.670 ha), São Francisco do Guaporé (474.700 ha), São Miguel do Guaporé (800.787 ha), sendo administrada pela Administração Regional da FUNAI de Porto Velho. Possui uma área total 2.254.374 ha e uma população de 320 índios (1994). É habitada pelas etnias Arikapú, Aikanã, Aruá, Djeoromitxí, Makuráp e Tuparí e Kanoé (famílias de Rui Kanoé e Fernando Kanoé, do clã de Francisco Kanoé). A aldeia principal, São Luis, é acessível por carro de Alta Floresta d’Oeste. As demais aldeias (Trinitário, Colorado, Cajuí) só podem ser alcançadas pelo rio. Com isso, devido ao seu isolamento geográfico, as línguas indígenas e muitas práticas culturais tradicionais estão mais bem preservadas em Cajuí no Rio Branco.

Terra Indígena Rio Omeré: homologada em 18/04/2006, através do Decreto s.n de 19/04/2006, localiza-se nos Municípios de Chupinguaia e Corumbiara, mas subordina-se à Administração Regional da FUNAI em Vilhena. Esta área compreende 26.177 ha, na qual sobrevive uma população de oito índios (2010), dos quais três (três) são Kanoé (Purá, sua irmã Txinamãty e o filho Vukuá, todos monolíngues em Kanoé, e cinco (cinco) são Akuntsun, monolíngues em Akuntsun, conhecidos na literatura como "isolados do Omeré", desde o contato pela FUNAI em setembro de 1995. É o território original dos Kanoé, conforme atestam os mapas históricos de Victor Dequech (1942) e Etta Becker-Donner (1955), entre outros, e os depoimentos de Munuzinho Kanoé e Teresa Kanoé, já falecidos, que afirmaram terem nascido nas cabeceiras dos rios Omeré e Tanaru. É sede de uma das bases da Frente de proteção Etno-Ambiental do Guaporé, atualmente chefiada por Altair Algayer. A base – de alvenaria e madeira, conta com três dormitórios, escritório com farmácia, radiotransmissor e computador acessível à internet, cozinha, quarto de banho, instalações sanitárias despensa, varanda, placa solar e gerador, antena do SIVAM, galinheiro, oficina para manutenção de veículos e serviços gerais; além de maloca para hospedagem dos Akuntsun em tratamento de saúde e maloca para os Kanoé, quando se faz necessário que ali permaneçam. Não possui outros grupos índios isolados. Infelizmente, uma parte tem sido utilizada como pasto, pois um dos fazendeiros locais, após a interdição da área, conseguiu na Justiça o direito de manter seu gado nas áreas de pasto. Entretanto, a presença dos bovinos, além de violar os direitos indígenas, não raro se constitui uma ameaça à segurança como também um problema, já que os bois pisoteiam a estrada e a tornam quase intransitável no período das chuvas.

Terra Indígena Pacaás-Novas: antiga A. I. Pakaa-Nova, foi homologada em 29/10/1991, através do Decreto 256 de 30/10/1991. É administrada pela regional da FUNAI de Guajará-Mirim - Rondônia. Possui 279.906 ha e uma população de 1.223 índios (2005). Não possui índios isolados. Localiza-se no Município de Guajará-Mirim - RO. É habitada pelo Povo Wari. Os membros da família de Severino Canoê, casado com Maria Eva Oronão, moram na aldeia Graças-a-Deus. Na aldeia Deolinda, além da família de Célio Roberto Canoê, moram Andreza Canoê, Marcos Canoê e Adão Canoê, ascendentes diretos do clã de Munuzinho Canoê (falecido), e Alexandre Canoê, neto de Teresa Canoê (falecida).

Territórios secundários: sãos as T.Is. mais próximas à cidade de Guajará-Mirim, nas quais vivem alguns Kanoé casados com índios de outras etnias: a) Terra Indígena Igarapé Laje; b) Terra Indígena Igarapé Ribeirão; c) Terra Indígena Rio Negro-Ocaia.

População

"Kanoé do Vale do Guaporé"

Esse grupo maior se distribui e habita ao longo da margem direita do rio Guaporé, em território brasileiro, desde a cidade de Guajará-Mirim, Rondônia, até as Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé (antigo Posto Indígena Ricardo Franco). Assim, atualmente alguns vivem na cidade de Guajará-Mirim; algumas poucas famílias no P. I. Deolinda (Terra Indígena Pacaá-Nova), a duas horas de barco desta cidade; uma família na Área Indígena de Sagarana, a oito horas de barco rio acima e, finalmente, a grande maioria vive em Ricardo Franco, aproximadamente uma hora depois. Não podemos precisar exatamente quanto somos, pois possivelmente existam alguns Kanoé "desaparecidos" em Porto Velho, dos quais não tivemos mais notícias.

Nossa comunidade "Kanoé do vale do Guaporé" caracteriza-se por um alto grau de inserção no modo de viver da sociedade e da cultura brasileira, da qual, ao longo de oito décadas de contato. Enquanto assimilávamos muitos elementos culturais e materiais da cultura dominante, ao mesmo tempo perdíamos pouco a pouco nossa identidade etnocultural e linguística, ao ponto de restarem hoje apenas dois adultos, já muito idosos, que ainda preservam a língua na memória. Os demais membros da comunidade são monolíngues em Português, embora possam eventualmente conhecer palavras isoladas do vocabulário de nossa língua. Além disso, por razões da gradativa redução populacional, boa parte dos indivíduos de nossa comunidade casou-se com membros de outras etnias regionais, falantes de outras línguas, ou com não-índios. Há também casos de alguns Kanoé que falam outra língua e não o Kanoé porque foram criados entre outras etnias, como por exemplo, entre os Salamãi (Tsanawere) e os Aikanã, de tal sorte que não tiveram a oportunidade de aprender nossa língua no convívio social diário.

A grande maioria dos membros de nossa comunidade é alfabetizada e as crianças, em idade escolar, frequentam a escola da aldeia. As poucas pessoas não alfabetizadas são os adultos mais idosos. Quanto aos mais jovens, alguns têm o Ensino Fundamental completo; outros, o Ensino Médio; alguns já possuem diploma de Curso Técnico; e pelo menos três pessoas já concluíram o Ensino Superior (Pedagogia, Letras, Administração) pela Universidade Federal de Rondônia, Campus de Guajará-Mirim.

Em que pesem essas questões de perda da língua e das tradições ao longo da História, temos plena consciência de que somos membros de uma etnia distinta, isto é, de que constituímos um povo indígena em particular com relação aos demais povos indígenas locais.
Somos conscientes de que temos uma ascendência ancestral e uma história social comum e, ainda, de que somos unidos pelos vínculos de parentesco familiar e consanguíneo. É com esta consciência que, nos últimos anos, estamos elaborando e procurando desenvolver projetos que possam resgatar e preservar não só elementos de nossa cultura (nossa língua, nossas canções, nossas tradições), mas também nossas habilidades técnicas de caça, pesca, agricultura e preparação de alimentos e habilidades manuais e na confecção dos mais diversos utensílios, sejam flechas, arcos-de-flecha, cestos, redes, cerâmicas, instrumentos musicais, maricos, adereços e roupas, entre outros. Já definimos o sistema de escrita de nossa língua e já temos a Kapeãw Kanoé Vararoe, nossa primeira cartilha escolar.

Os Kanoé “isolados do Omeré"

Esse outro grupo Kanoé hoje está reduzido a uma única família, composta de apenas três membros; um homem uma mulher, adultos e irmãos, e um menino todos monolíngues em Kanoé. Na época do contato pela FUNAI, em 1995, após dez anos de tentativas, o grupo dos "isolados do Omeré" era composto por apenas quatro pessoas: uma senhora, Tutuá, mãe da moça Txinamãty e do rapaz Operá; e tia de Ajmoró, uma moça. A descoberta dos "isolados do Omeré", que apontaram a existência de outro grupo "isolado", os Akuntsun, teve grande repercussão nacional, através da mídia: foi matéria em diversos jornais e revistas semanais de informação (p. ex.: VEJA, de 13/09/95, p.53) e no programa Fantástico, da Rede Globo, em 17/10/95. A partir daí, ganhou destaque também na imprensa nacional.

Pouco tempo depois, Ajmoró faleceu, vítima de assassinato. Um ano mais tarde nasceu uma criança, filho de Tinamanty, cujo pai é o cacique Akuntsun. A partir do nascimento, no papel de "padrinho", Operá cedeu seu nome ao menino, que passou a ser chamado Operá, e adotou um novo nome, agora Purá. Infortunadamente, Tutuá e o menino Operá, já com seis anos, faleceram vítimas de malária. Felizmente, Tinamanty conseguiu engravidar-se novamente e, ainda em 2002, nasceu o menino Bukuá.

É importante lembrar que, na época do contato, os membros das equipes da FUNAI e da FUNASA ainda não conheciam nossa língua e os Kanoé isolados não entendiam nada de Português. Logo, nos primeiros meses de contato, a comunicação era feita mais por linguagem gestual do que por palavras. Por isso, houve um equívoco: Purá, Txinamãty e Ajmoró (filha de criação) tratavam e se referiam sempre a Tutuá como "ña mũj", que em Kanoé significa "minha mãe". Assim, os membros das equipes da FUNAI e da FUNASA pensavam que se tratava de um nome próprio e passaram a tratá-la ou a referirem-se a ela como "Ñamũj", como se observa nas diversas reportagens e documentários (p. ex. Kanoê y Akuntsun, de Marisol Soto, Barcelona: 2000) produzidos nos primeiros anos do contato.
Somos e seremos eternamente gratos ao trabalho da FUNAI, com especial louvor às atuações dos técnicos indigenistas Sr. Marcelo dos Santos e do Sr. Altair Algayer, do obstinado cinegrafista Vincent Carelli (da ONG Vídeos nas Aldeias) e do jornalista Marcos Mendes (do jornal o Estado de São Paulo). Como se verá mais adiante, após dez anos de muita coragem, luta e persistência dos indigenistas, finalmente os Kanoé do Omeré foram contatados em setembro de 1995 e, a partir daí, sob a proteção e tutela da FUNAI, passaram a existir aos olhos do mundo e da Lei. Felizmente, parte de nossa história foi resgatada.

Para se entender o porquê da redução populacional de nosso povo e a existência de dois subgrupos Kanoé separados no tempo e no espaço geográfico - sem que um grupo já soubesse mais da existência do outro – faz-se necessário compreender nossa história social, que será narrada no tópico HISTÓRIA, refletindo dois momentos distintos do contato.

História


Nossa vida comunitária antes do contato. 


Resgatar parte de nossa história social não tem sido uma tarefa fácil, pois carência de informações mais precisas, específicas e aprofundadas em documentos e livros sobre o processo de ocupação de Rondônia. Assim, desde os relatórios, documentos e livros que relatam ou se referem à instalação das linhas telegráficas pelo Marechal Rondon a obras mais recentes, as poucas e raras referências aos Kanoé (nomeados ou confundidos como "Kapixanã"), não raro apenas atestam a existência de nosso ao lado de outros grupos indígenas locais, salvo uma ou outra referência mais explícita. O pouco que sabemos de nossa história antes do contato com os "civilizados" nos foi resgatado por meio dos depoimentos de Maria Atiminaké, Munuzinho Kanoé e Teresa Kanoé, muito idosos e falantes de Kanoé, já falecidos. As informações foram anotadas e parcialmente gravadas pelo linguista Laércio Bacelar, a partir de 1990, quando ele iniciou a pesquisa científica e documentação de nossa língua. Segundo esses informantes, os Kanoé viviam em duas aldeias na região cabeceiras do rio Tanaru, afluente do rio Apediã (hoje rio Pimenta Bueno) e a foz do "atxitxaré Omoeré (= Igarapé Omeré), afluente do rio Corumbiara, da região sul de Rondônia. De fato, isso pode ser comprovado em mapas históricos; observa-se que os Kanoé (= Canoeé) aparecem localizados à margem direita do rio Corumbiara e na região do Omeré. Por sua Kanoé aparecem à margem direita do Tanaru, afluente do rio Apediã, entre dois grupos Masaká (hoje Aikanã). De fato, em seus depoimentos, tanto Munuzinho quanto Teresa Kanoé citavam os Masaká (Aikanã) como seus vizinhos mais próximos e com os quais mantinham relações amistosas. Aliás, o próprio Munuzinho e alguns outros Kanoé foram criados entre os Masaká, de tal forma que, desde criança, aprenderam a falar Aikanã como primeira língua e não chegaram a aprender Kanoé, como foi o caso, por exemplo, de D. Lúcia Kanoé.


Em 12 de outubro 1967, o linguista Willen Bontkes esteve no Posto Indígena Ricardo Franco, no Guaporé, coletando dados linguísticos, para o Setor Linguístico da Divisão de Antropologia do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A pesquisa resultou um documento datilografado em 1968, no qual se pode ler que os informantes com os quais Bontkes trabalhou foram Munuzinho Canoê, com então 35; e Francisco Kanoé, com então 33 anos, estimados Logo, Munuzinho teria então nascido em 1933, na cabeceira do rio Corumbiara e Francisco em 1935, na cabeceira do "rio Tanaru, afluente do Pimenta Bueno. Os depoimentos dos idosos Maria Atiminaké (1990), Luiz Kanoé, mais conhecido como Munuzinho, em 1990 e 1997, e Teresa Kanoé (foto à esq.), em 2003 e Francisco Kanoé (2008, 2010), informam que, até a geração de seus pais, os Kanoé viviam parcialmente nus, ou seja, usavam as roupas (= itæ) e alguns adereços tradicionais confeccionados sobretudo com fibras de buriti ou de algodão, fiado e trabalhado, que eles mesmos cultivavam. A roupa (= itä) era uma tanga (masculina ou feminina) de fibras de buriti. Os adereços eram o chapéu (= ajatietä) típico dos Kanoé, braceletes (tiratwa) de fibras e algodão, buriti (Mauritia flexuosa) ou tucum (Bactris setosa) trançadas. Eram cuidadosamente enfeitados com conchas, ou penas, dos quais pendiam feixes de fibras longas soltas.
Outro adereço bem característico dos Kanoé eram os colares, cujos pingentes eram peças em formas triangulares, arredondadas no ápice, feitas de ossos de animais ou cascas de cocos. O chapéu típico e esses colares eram uma espécie de "marca registrada", ou seja, objetos de identidade etnocultural dos Kanoé em relação às demais etnias vizinhas, pois só eles os confeccionavam como tais.
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Organização Indígena

Nossa organização, em conjunto com os membros os Kujubim (Kuyubi), ainda se encontra em processo de fundação e legalização. Denomina-se AKIKUN – Associação das Etnias Kanoé e Kujubim, não só pelos laços de amizade entre nossos povos, mas também pelos laços familiares, já que foram e certamente ainda vão ser realizados muitos casamentos interétnicos entre nós. Já providenciamos os documentos, elaboramos uma primeira versão do Estatuto da AKIKUN e, inclusive, já definimos uma logomarca para a mesma. O desenho representa o AKIKUN, ser mítico das águas, que significa literalmente “pedra da água” (em marrom), com o chapéu típico dos Kanoé. Ele emerge sobre três ondas de água, em azul, que simbolizam não só o rio Guaporé, como também nossa origem mitológica relacionada à água e ao barro. Abaixo, há a inscrição AKIKUN – Associação das Etnias Kanoé e Kujubim.

A intenção é fundar uma Associação, com representantes ou correspondentes em todas as áreas indígenas onde vivam índios Kanoé e Kujubim, a fim de fortalecer nossas etnias, promovermos maior integração entre nós, cooperamos na solução de problemas comuns, cuidarmos das questões relativas a acesso à educação, saúde indígena, trabalho e atividades auto-sustentáveis em harmonia com o meio ambiente, conscientização ecológica, comércio, direitos indígenas etc.

Outra função básica é a manutenção de nossas respectivas identidades etnoculturais e linguísticas, preservarmos o que restou de nossas culturas e resgatarmos o que já perdemos, em termos de língua nativa e tradições socioculturais. Assim, nossa Associação será uma entidade para nos fazermos representar perante quaisquer órgãos e entidades, oficiais ou não, estatais ou privadas, religiosas, entre outras. Pretendemos que a AKIKUN ganhe força e cresça, para que seja também um instrumento de organização legal e de luta por nossos direitos enquanto índios e cidadãos brasileiros.

Nossa organização, em conjunto com os membros os Kujubim (Kuyubi), ainda se encontra em processo de fundação e legalização. Denomina-se AKIKUN – Associação das Etnias Kanoé e Kujubim, não só pelos laços de amizade entre nossos povos, mas também pelos laços familiares, já que foram e certamente ainda vão ser realizados muitos casamentos interétnicos entre nós. Já providenciamos os documentos, elaboramos uma primeira versão do Estatuto da AKIKUN e, inclusive, já definimos uma logomarca para a mesma. O desenho representa o AKIKUN, ser mítico das águas, que significa literalmente “pedra da água” (em marrom), com o chapéu típico dos Kanoé. Ele emerge sobre três ondas de água, em azul, que simbolizam não só o rio Guaporé, como também nossa origem mitológica relacionada à água e ao barro. Abaixo, há a inscrição AKIKUN – Associação das Etnias Kanoé e Kujubim. Nossa organização, em conjunto com os membros os Kujubim (Kuyubi), ainda se encontra em processo de fundação e legalização. Denomina-se AKIKUN – Associação das Etnias Kanoé e Kujubim, não só pelos laços de amizade entre nossos povos, mas também pelos laços familiares, já que foram e certamente ainda vão ser realizados muitos casamentos interétnicos entre nós. Já providenciamos os documentos, elaboramos uma primeira versão do Estatuto da AKIKUN e, inclusive, já definimos uma logomarca para a mesma. O desenho representa o AKIKUN, ser mítico das águas, que significa literalmente “pedra da água” (em marrom), com o chapéu típico dos Kanoé. Ele emerge sobre três ondas de água, em azul, que simbolizam não só o rio Guaporé, como também nossa origem mitológica relacionada à água e ao barro. Abaixo, há a inscrição AKIKUN – Associação das Etnias Kanoé e Kujubim.

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