sábado, 2 de janeiro de 2016

Katukina

Toy Art Katukina

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
102KatukinaTukunaKatukina 
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
AM462Funasa 2010


Catuquinas ou Katukinas é uma denominação atribuída a pelo menos três grupos indígenas.

O primeiro deles, da família linguística katukina, os chamados Katukina do Rio Biá localizados na região do rio Jutaí, no sudoeste do estado do Amazonas, nas Terras Indígenas Paumari do Cuniuá, Paumari do Lago Paricá, Rio Biá e Tapauá.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul festeja o Dia do Índio na Aldeia Katukinaa
São também chamados Katukina dois grupos da família linguística pano, localizados no estado do Acre. Mas nenhum desses dois grupos pano reconhece o termo "katukina" como autodenominação. Um deles, localizado nas margens do rio Envira, próximo à cidade de Feijó, autodenomina-se Shanenawa e seria parte de um clã do povo Yawanawá:

"Desde os tempos imemoriais, os Yawanawá, o povo da queixada, ocupam as cabeceiras do rio Gregório, afluente do rio Juruá, geograficamente pertencente ao município de Tarauacá, Acre. Sua população atual é de 636 pessoas e pertence ao tronco linguístico Pano. As famílias estão distribuídas nas comunidades Nova Esperança, Mutum, Escondido, Tibúrcio e Matrinxã. As comunidades são formadas pelas famílias Yawanawá, Arara, Kãmãnawa (povo da onça), Iskunawa (povo do japó), Ushunawa (povo da cor branca), Shanenawa (povo do pássaro azul), Rununawa (povo da cobra) e Kaxinawá (povo do morcego)."
Toy Art da Etnia Ashaninka original - saiba como ter a sua contato@blemya.com

Já o outro grupo, denominado Katukina-Pano, habitante das aldeias localizadas nas margens dos rios Campinas e Gregório, não reconhece qualquer significado no nome "Katukina" na sua língua, mas aceita a denominação. Dizem os seus integrantes que ela foi "dada pelo governo". No entanto, nos últimos anos, jovens lideranças indígenas têm estimulado a consolidação da denominação de Noke Kuin, Noke Kui ou Noke Koi (em português, "gente verdadeira") para o grupo. Internamente, são usadas seis outras autodenominações, que se referem aos seis clãs nos quais o grupo se divide. Observou-se que tais denominações são praticamente idênticas aos nomes de alguns clãs do povo Marubo, com o qual os chamados Katukina-Pano apresentam várias outras semelhanças linguísticas e culturais.

Portanto, os chamados Katukina do Acre, sem qualquer parentesco com os katukinas do Amazonas, foram assim denominados, aparentemente pelas primeiras expedições de contato realizadas por não índios na região, e acabaram aceitando essa denominação.

O seringueiro não estava interessado em distinções linguísticas e culturais; com uns poucos nomes batizou todas as tribos, fazendo-os recair sobre grupos completamente diferentes.
Os Katukina-Pano distribuem-se entre duas Terras Indígenas:

Katukina do rio Gregório, no município de Tarauacá, no Acre (também habitada pelos Yawanawá), na Aldeia Sete Estrelas, localizada nas margens dos rios Gregório

Katukina do rio Campinas, na fronteira dos estados do Amazonas e do Acre, nos limites dos municípios de Tarauacá, no Acre, e Ipixuna, no Amazonas.

Os Shanenawa

A Terra Indígena Katukina/ Kaxinawá,no município de Feijó (Acre), foi assim denominada por engano. Ali estão, de fato, dois povos Panos, aparentados: um deles é o Kaxinawá. Mas o outro povo não é o Katuquina : trata-se, na verdade, dos autodenominados Shanenawa (povo do pássaro azul). Estudos linguísticos realizados na década de 1990 comprovam que, embora a língua shanenawa seja da família Pano (assim como a língua dos Kaxinawá e a dos chamados Katukina-Pano), apresenta diferenças significativas em relação à língua falada pelos Katukina-Pano do rio Campinas e do rio Gregório (Terra Indígena Campinas/Katukina e T. I. Rio Gregório, ambas no Acre). Por receio de perder o direito às terras e considerando todo o histórico de violência e injustiça que sofreram, os Shanenawa resolveram não desfazer o equívoco.

Histórico

Historicamente, os etnônimos Katukina, Kanamari e Kulina foram utilizados para designar povos bem diferentes, em diversos lugares. Isso porque os primeiros colonos da região do rio Juruá classificavam os índios em "dóceis" e "rebeldes". Os termos Kanamari, Katukina e Kulina eram associados aos índios dóceis, enquanto o sufixo -naua (ou -nawa) era normalmente associada aos índigenas guerreiros, que combatiam a presença do homem branco. Os Kaxinawá, por exemplo, eram identificados como rebeldes. Assim, para fugir das expedições de captura e matança organizadas por colonos brasileiros, muitos povos adotaram os etnônimos Katukina, Kanamari e Kulina. Mas, internamente, os chamados Katukina do Acre denominam-se de acordo com os seus clãs - kamãnawa (povo da onça ou do cachorro, dependendo da fonte), varinawa (povo do sol), satanawa (povo da lontra), neianawa (povo do Céu), entre outros clãs menos numerosos.

Pelo quarto ano consecutivo, em 20 de fevereiro de 2012, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul, organizou as festividades comemorativas do Dia do Índio nas comunidades indígenas pertencentes a Aldeia Katukina, na BR 364. Desde que assumiu a administração, o Prefeito Vagner Sales tem procurado dar atenção aos mais variados segmentos que compõem a nossa realidade cultural e não tem sido diferente com os povos indígenas.
A boa relação da Prefeitura com os indígenas tem se refletido na prática com as ações realizadas em favor da etnia, sendo o destaque a construção do Posto de Saúde da comunidade Katukina, que hoje é referência na região e é dirigido pelo indígena Orlando Katukina. Orlando destacou que a política administrativa da gestão do prefeito Vagner Sales, voltada para a população indígena de Cruzeiro do Sul, tem resultado em bons frutos. Ele afirmou que esta é a melhor gestão municipal para a saúde indígena de todos os 22 municípios acrianos.


Já Fernando, cacique dos povos Katukinas, destacou que é costumeiro nesta data os índios fazerem comemorações resgatando suas tradições culturais com o objetivo de mostrar às novas gerações suas manifestações como forma de garantir a continuidade do legado cultural dentro da comunidade. “Nós estamos ensinando aos nossos alunos de ensino fundamental e ensino médio, a nossa história, os nossos valores, a nossa tradição. 

Nós estamos documentando para que esse trabalho fique gravado na escola, na comunidade como um registro da memória da nossa cultura, além de participarmos do nosso tradicional torneio de futebol organizado pela prefeitura. É uma mistura de cultura indígena e não indígena”, destacou. Para o cacique o melhor que eles tem recebido da prefeitura é o investimento na saúde. Fernando também destacou  a responsabilidade do prefeito Vagner Sales na administração dos recuros que são destinados pelo Ministério da Saúde, para os povos indígenas.

Festividade Katukina


Representando o Prefeito Vagner Sales o Vice Mazinho Santiago dissse que não é nenhum favor o que tem sido realizado em prol das comunidades indígenas. “É um dever do município atender seus munícipes e proporcianar, dentro das condições possíveis o bem estar e as realizações que garantam melhor qualidade de vida”, disse Mazinho.

Durante todo o dia as 5 aldeias que integram o povo Katukina, participaram de várias atividades, inclusive de um torneio de futebol organizado pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

Território Katukina


São duas as Terras Indígenas (TI) nas quais vivem os Katukina. A TI do rio Gregório, a primeira a ser demarcada no Acre, no município de Tarauacá, é também habitada pelos Yawanawá. A partir de um processo de revisão de seus limites, concluído em 2006, essa TI foi extendida. Os moradores dela estão localizados em aldeias localizadas no rio Gregório e no rio Tauari.
A TI Katukina do rio Gregório

A TI do rio Campinas, que fica na fronteira dos estados do Amazonas e do Acre, circunscreve-se nos limites dos municípios de Tarauacá (AC) e Ipixuna (AM). Apesar disso, a sede do município de Cruzeiro do Sul é o núcleo urbano que lhe fica mais próximo,  a apenas 55 quilômetros da aldeia. A TI do rio Campinas, em toda sua extensão leste-oeste, é cortada pela BR-364 (Rio Branco– Cruzeiro do Sul). Às margens da rodovia, os Katukina ali residentes distribuem-se em cinco aldeias: Campinas, Varinawa, Samaúma, Masheya e Bananeira.


No início de 2000 as obras de asfaltamento da rodovia avançaram sobre a TI do rio Campinas que teve bastante alteradas suas condições ecológicas e econômicas. Assim, hoje em dia rareiam os animais de caça, boa parte da dieta alimentar é composta de artigos industrializados comprados na cidade e é freqüente o trânsito de veículos e pessoas estranhas por suas terras.

Brincadeira da cana-de-açúcar

Os jogos ou "brincadeiras", como dizem os Katukina, opõem homens e mulheres de todas as idades, disputando cana-de-açúcar e mamão ou atacando-se uns aos outros com barro e fogo. A palavra vete designa todos estes jogos, mas vem sempre antecedida pelo fruto que se disputa ou substância com a qual se atacam. Assim, tavata vete é traduzido como "brincadeira da cana-de-açúcar" e ti'i vete como "brincadeira do fogo".
Brincadeira Katukina da Cana-De-Açucar
Para que os Katukina decidam realizar os jogos, não há maiores transtornos. Basta ter cana-de-açúcar ou mamão em grande quantidade e que as pessoas estejam dispostas a participar. Não há uma data certa para a realização dos jogos, mas eles costumam ser feitos com maior freqüência no período do "verão", quando o deslocamento das pessoas na aldeia se torna mais fácil.

O jogo começa quando um homem pega um pedaço de cana-de-açúcar e passa em frente a uma mulher, arrastando-o no chão, próximo ao pé dela. Entretanto, ele não se dirige a qualquer mulher, mas sim àquelas que possam ser classificadas como suas pano (primas cruzadas, esposas potenciais). A mulher então responde à provocação e começa a disputar o pedaço de cana-de-açúcar com ele. Pouco a pouco outras mulheres aproximam-se para ajudá-la e, vendo o amigo em dificuldades, outros homens também juntam-se a ele. Muitas vezes, há mais de um grupo disputando os pedaços de cana-de-açúcar e tais grupos são formados segundo o critério de geração. As crianças formam um grupo, as garotas que não passaram da puberdade são incluídas nele. Jovens solteiros e casados jogam juntos, formando um ou dois grupos, dependendo do número de pessoas que participam.

As pessoas, sobretudo os homens, freqüentemente se machucam nos jogos. As mulheres podem bater (e, de fato, batem) com o máximo de força que têm para tirar a cana-de-açúcar (ou o mamão, se for o caso) das mãos dos homens. No fim dos jogos os homens saem com as roupas todas rasgadas e com costas e peitos marcados pelos tapas e socos que as mulheres lhes dão, aos quais eles não podem nunca revidar. A única forma de agredir as mulheres que os homens têm é verbal.

A agressão, verbal e física, é central nos jogos, mas parece existir apenas para dissimular a sedução, pois, se há socos e zombarias, há também contatos corporais eróticos. Ao redor de um pedaço de cana-de-açúcar aglutinam-se homens e mulheres que estão a todo momento com seus corpos praticamente colados uns nos outros.

Os homens nunca saem vitoriosos. Quando as mulheres têm o domínio da cana-de-açúcar (ou do mamão) elas correm em direção às mulheres mais velhas que estão apenas observando e entregam-na para elas (preferencialmente para suas mães). A disputa recomeça então com outro pedaço de cana-de-açúcar. Os homens, entretanto, nunca ganham uma disputa entregando um pedaço de cana-de-açúcar aos homens mais velhos. Quando os homens têm o controle e a vantagem do jogo, fazem mais zombarias, dizem que são fortes e puxam violentamente a cana-de-açúcar, às vezes arrastando algumas mulheres que insistentemente seguram na outra extremidade. Se é um mamão, os homens ficam atirando-o de um lado para o outro. Os jogos terminam somente quando as mulheres conseguem conquistar todos os frutos que estavam sob o controle dos homens.

O fato de que os homens nunca ganham o jogo pode ser compreendido analisando a economia katukina. A distribuição de todo alimento, não só da carne, é controlada pelas mulheres. Os homens nunca fazem ofertas de carne ou de qualquer outro alimento a outros homens.

Os jogos, nesse sentido, podem ser interpretados como uma representação do padrão de cooperação que organiza as relações de troca entre homens e mulheres na aldeia. Como na produção, os homens nos jogos cooperam entre si. As mulheres formam também um grupo solidário, mas a cooperação entre elas está centrada na distribuição. Aqui então é necessário corrigir e afirmar que, menos do que uma vitória, as mulheres conquistam o empate, restabelecendo o equilíbrio entre os sexos e, conseqüentemente, de toda a comunidade.

Para além do simbolismo das trocas econômicas expresso nos jogos, é possível perceber também um forte apelo sexual em flertes explícitos e em sorrateiras escapulidas de casais para a mata durante ou após a sua realização. Contudo, isso não quer dizer que as trocas econômicas e sexuais sejam equivalentes. Entre elas há certamente correlação. Assim como homens e mulheres devem trocar produtos e serviços para viver, da mesma maneira devem fazer para procriar. Além disso, os jogos subvertem o padrão de comportamento cotidiano entre os Katukina. O comedimento das relações inter-pessoais dá lugar durante os jogos à licenciosidade quase absoluta e tudo se passa como se a comunidade vivesse um grande êxtase, permitindo momentaneamente que a densa rede de relações, econômicas e sexuais, mútuas entre homens e mulheres sejam explicitadas. Os jogos katukina destacam a troca, mas não apenas uma troca imediata entre homens e mulheres, que garante a subsistência, quanto uma troca maior, a longo prazo, que garante a própria continuidade da sociedade.

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