quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Rikbaktsá

Toy Art Rikbaktsá

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
176RikbaktsáErigbaktsa, Canoeiros, Orelhas de Pau, RikbaktsáRikbaktsá
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO161Funasa 2010


Os Rikbaktsa, conhecidos como "Orelhas de Pau" ou "Canoeiros", tidos como guerreiros ferozes na década de 1960, enfrentaram um processo de depopulação que resultou na morte de 75% de seu povo. Recuperados, ainda hoje impõem respeito à população regional por sua persistência na defesa de seus direitos, território e modo de vida.

Os Rikbaktsa vivem na bacia do rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, em duas Terras Indígenas contíguas - a TI Erikpatsa e a TI Japuíra e em uma terceira, a TI do Escondido, mais ao norte, na margem esquerda do rio Juruena.
Rikbaktsá assiste a uma prova de arco e flecha nos Jogos dos Povos Indigenas

Seu território tradicional situava-se entre os paralelos 9° e 12° latitude sul e os meridianos 57° e 59° longitude oeste, espraiando-se pela bacia do rio Juruena, desde a barra do rio Papagaio, ao sul, até quase o Salto Augusto no alto Tapajós, ao norte; a oeste expandia-se em direção ao rio Aripuanã e a leste até o rio Arinos, na altura do rio dos Peixes.

Embora isolada, a região há havia sido atravessada por expedições científicas, comerciais e estratégicas desde o século XVII. Entretanto, pouco se conhecia das matas ocupadas pelos Rikbaktsa já que, naqueles trechos do rio Juruena e Arinos, as expedições mantinham-se sempre no leito do rio ou na sua proximidade, pouco se aventurando no interior da mata. Deste modo, até a penetração dos seringueiros no final da década de 1940, nenhuma menção havia sobre os Rikbaktsa. A ausência de referências históricas anteriores e de estudos arqueológicos não permite determinar a antiguidade de sua ocupação. Entretanto, a memória tribal, as referências geográficas expressas em mitos e o extenso e detalhado conhecimento da fauna e flora que demonstram ter sobre o território e seus arredores fazem supor uma permanência bastante antiga.

Eram bem conhecidos pelos grupos indígenas vizinhos com os quais, quase sem exceção, mantiveram relações hostis. Famosos por seu ethos guerreiro lutaram com os Cinta-Larga e Suruí a oeste, na bacia do rio Aripuanã; com os Kayabi a leste e com os Tapayuna a sudeste, no rio Arinos; com os Irantxe, Paresí, Nambikwara e Enawenê-Nawê ao sul, no rio Papagaio e nas cabeceiras do rio Juruena; com os Munduruku e Apiaká ao norte, no baixo rio Tapajós. Opuseram resistência armada aos seringueiros até 1962.

Rikbaktsá

A partir da "pacificação" dos Rikbaktsa, financiada pelos seringalistas e realizada pelos jesuítas entre 1957 e 1962, seu território tradicional passou a ser ocupado por diversas frentes pioneiras, de extração de borracha, madeireiras, mineradoras e agropecuárias. Durante e logo após a pacificação, epidemias de gripe, sarampo e varíola dizimaram 75% de uma população calculada em cerca de 1.300 pessoas. Perderam a maior parte de suas terras e a maior parte das crianças pequenas foram retiradas das aldeias e educadas no Internato Jesuítico de Utiariti, situado no rio Papagaio, a quase 200 km de sua área, junto com crianças de outros grupos indígenas também contatados pelos missionários. Os adultos remanescentes foram sendo gradativamente transferidos de suas aldeias originais para aldeias maiores e mais centralizadas sob a direção catequizadora dos jesuítas. Em 1968 tiveram demarcada cerca de 10% de seu território original - a Terra Indígena Erikpatsa - as crianças foram sendo levadas de volta para as aldeias e a atuação missionária nele se centralizou.

Na década de 70, a atuação missionária se modificou, atenuando seu autoritarismo, reconhecendo o direito dos povos indígenas à sua própria cultura e abrindo mais espaço, sempre reivindicado pelos Rikbaktsa, a uma maior autonomia. Desde o final dos anos 70 passam a lutar pela recuperação de parte de suas terras. Em 1985, conseguiram retomar a região conhecida por Japuíra. Continuaram a luta pela região do Escondido, demarcada pelo Estado brasileiro só em 1998, estando, entretanto, ainda invadida por garimpeiros, madeireiras e empresa de colonização.

Idioma Rikbaktsá

Seu idioma é considerado por pesquisadores do Instituto Lingüístico de Verão como uma língua não classificada em família, incluída no tronco lingüístico Macro-Jê.

Um dos aspectos interessantes da língua Rikbaktsa é o fato, comum a várias outras línguas indígenas, de haver uma diferença entre a fala masculina e a feminina, de modo que a terminação de muitas palavras indica o sexo do falante. O conhecimento e a maestria no uso da linguagem é reconhecidamente mais desenvolvido nos velhos, cujas conversas costumam ser acompanhadas com interesse pelos que querem refinar seu conhecimento da língua.

Atualmente os Rikbaktsa são bilíngües, tendo aprendido e incorporado o português. As novas gerações falam mais regularmente e melhor o português, aprendendo e utilizando a língua Rikbaktsa à medida em que crescem e ocupam um espaço no mundo adulto. Os mais velhos, por outro lado, utilizam o português com mais dificuldade e apenas no contato com os "brancos".

Os modificadores e palavras da função preposicional podem ser prefixados com pronomes pessoais, mas neste trabalho são registrados em forma não prefixada. Por exemplo, haraze ‘em frente’ tem a forma iharaze ‘em frente dele’ (entre outras), mas a forma usada como forma principal no dicionário é haraze.
Às vezes quando os rikbaktsa falam rapidamente, duas silabas se tornam uma só. Esta união occore nas situaçoås seguintes:
(a) Quando ‘r’ ou ‘h’ ocorre entre duas vogais iguais, a consoante desaparece e as duas vogais se tornam um vogal longa. Quando o ‘r’ ou ‘h’ ocorre entre duas vogais desiguais, a consoante pode desaparecer e as duas vogais se tornam um ditongo decrescente.
karapukaråta ‘estou com sede’ quase sempre se pronuncia [ka:pukaæta] tsihikbatsa ‘arara’ se torna [tsi:kbatsa]
wahoro ‘casa’ se torna [wahou] ou [waho:]
v
(b) Da mesma maneira ‘w’ desaparece antes de ‘y’ deixando ditongo que termina em ‘u’.
Tabawy (nome de mulher) se pronuncia [tabau]
(c) ‘i’ e ‘o’ ficam surdos entre consoantes surdas e às vezes desaparecem. itsipa ‘braço dele’ pode se tornar [itspa]
isukpe ‘as costas dele’ pode se tornar [iskpe]
(d) Duas vogais contíguas reunem-se para constituir uma sílaba só. boatsa ‘macacos’ pode se tornar [bwatsa]
O acento tônico é um outro fator que modifica as sons. Geralmente a sílaba tônica é a penúltima e por esta razão não precisa escrever acentos nas palavras como no português. Quando a vogal ocorre numa silaba átona, a pronúncia fica mais curta e mais central na boca. Então é difícil distinguir ‘y’ de ‘a’, ‘i’ de ‘e’, e ‘u’ de ‘o’; especialmente quando ‘a’ e ‘y’ ocorrem depois de uma consoante bilabial (m,b,p,w).

Veja mais no Dicionário Rikbaktsa

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