sábado, 9 de abril de 2016

Makuxi

Toy Art Makuxi

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
132MakuxiMacuxi, Macushi, PemonKarib
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RR29931Funasa 2010
Guiana9500Guiana 2001
Venezuela83INEI 2001



A liderança política tradicional entre os Macuxi, uma posição apenas proeminente, assumida por um indivíduo na articulação de um grupo local, diante da violência abrupta da intensificação do contato com os regionais nos primeiros anos do século XX converteu-se em instância catalisadora das demandas de regionais e de agentes indigenistas (missionários ou funcionários públicos) à população indígena, dispersa em pequenos grupos locais.

Nos anos 1970, período marcado pela forte intensificação e ampliação do contato, algumas lideranças políticas de grupos locais macuxi passaram a se destacar, ao exercerem funções privilegiadas de intermediação no estabelecimento das relações entre a população indígena habitante nas aldeias e os agentes da sociedade nacional.

Intermediadas por esses chefes locais, as agências indigenistas converteram-se em fontes de bens industrializados para os índios alternativas aos fazendeiros e garimpeiros. Em razão da posição diferencial dos agentes indigenistas oficiais e dos missionários católicos diante dos regionais – situados em pólos antagônicos na disputa pelo reconhecimento dos direitos territoriais indígenas – a estratégia utilizada pelos religiosos, e em seguida pela Funai, para ampliar sua influência sobre os índios foi a de minar os vínculos clientelistas que os ligavam aos regionais. Até então, os artigos industrializados eventualmente fornecidos pelos regionais para os índios eram contabilizados pelos primeiros numa listagem de débitos a serem cobrados quando se fizesse necessária a força de trabalho indígena. A fim de minar o sistema, os missionários trataram de suprir, em parte, os artigos industrializados demandados pelos índios, pressionando-os para que quitassem as dívidas contraídas com seus respectivos “patrões”.

A maneira como tal “substituição” de dívidas foi operada deu-se através da promoção de reuniões anuais com as lideranças indígenas locais, as assim chamadas “assembléias de tuxauas”, patrocinadas pela Diocese de Roraima a partir de 1975, em que se discutiam as condições e os “méritos” de cada comunidade para acessar os bens disponíveis pelos missionários. Cabe notar ainda que as lideranças políticas presentes às assembléias provinham das aldeias onde os missionários concentravam sua atuação, isto é, na região das serras: recorte concebido em oposição ao lavrado e, portanto, mais distante das sedes das “fazendas” e dos povoados.

Foram desenvolvidos projetos ligados à pecuária e à distribuição de alimentos, os quais não foram bem sucedidos e suscitaram uma série de conflitos, disputas e acusações de favorecimento indevido entre as diversas lideranças indígenas, dando ensejo ao surgimento de um novo tipo de organização indígena, concebida também inicialmente pelos missionários, que consistia na formação de “conselhos regionais”, isto é, instâncias supra- aldeãs, descoladas das comunidades locais, articulando lideranças Macuxi, Ingaricó, Taurepang, Wapixana e Yanomami.

Durante a assembléia dos tuxauas ocorrida em janeiro de 1984, foram criados sete conselhos nas seguintes regiões: Serras, Surumu, Amajari, Serra da Lua, Raposa, Taiano e Catrimani. Sua incumbência era gerir as relações externas às comunidades indígenas, tanto no plano das relações com a sociedade regional, como na formulação e direcionamento dos projetos patrocinados por diferentes agências. O mais atuante foi sem dúvida o conselho da região das serras, que funcionou junto aos locais onde ocorreram conflitos agudos com os regionais, encaminhando denuncias às autoridades governamentais.

Como resultado dos conselhos regionais, formou-se uma coordenação geral, sediada em Boa Vista, momento em que se pode falar precisamente do surgimento do Conselho Indígena de Roraima (CIR). Os membros dessa coordenação são eleitos pelo voto aberto dos conselheiros regionais, respeitando-se um esquema de rodízio de lideranças.

Ao longo desse processo, outras organizações vêm sendo criadas nessa região, reunindo segmentos indígenas favoráveis à homologação da TI Raposa/Serra do Sol em área contínua [a esse respeito, ver seção O caso da Raposa], como é o caso do próprio CIR (Cujo atual coordenador é Macuxi), da APIR (Associação dos Povos Indígenas de Roraima), da OPIR (Organização dos Professores Indígenas de Roraima) e da OMIR (Organização das Mulheres Indígenas de Roraima). Outras organizações são manifestamente contrárias à demarcação em área contínua, tais como a SODIUR (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima), a ARIKON (Associação Regional Indígena dos Rios Kinô, Cotingo e Monte Roraima), ALIDICIR (Aliança para o Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima) e AMIGB (Associação Municipal Indígena Guàkrî de Boa Vista).

Nenhum comentário:

Postar um comentário