domingo, 21 de fevereiro de 2016

Arara Shawãdawa

Toy Art Arara Shawãdawa

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
19Arara ShawãdanaArara do Acre, ShawanauaPano

UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
AC545Siasi/Sesai 2012



Assim como os demais grupos indígenas no Acre, os Arara Shawãdawa sofreram os efeitos das correrias e do sistema de produção dos seringais a partir das últimas décadas do século XIX, tendo sido explorados, expropriados e cerceados em sua reprodução física e cultural. Nos últimos anos eles têm se empenhado em reverter esse processo, por meio da revalorização de sua língua e tradições, bem como da reivindicação de seus direitos territoriais junto ao Estado brasileiro. Conseguiram a ampliação de sua terra, porém até hoje ela não foi homologada pela presidência da República.

 Identificação e língua

A designação Arara foi atribuída ao grupo no contexto do contato com a frente de expansão no Alto Juruá, no século XIX. Os Arara autodenominam-se Shawãdawa, mas são conhecidos também por outras denominações, como “Shawanáwa”, “Xawanáua”, “Xawanáwa”, “Chauã-nau”, “Ararapina”, “Ararawa”, “Araranás”, “Ararauás” e “Tachinauás”.
Toy Art da Etnia Arara Shawãdana - mocinha, original - saiba como ter a sua contato@blemya.com

O contato com os agentes da frente de expansão da borracha deixou marcas na relação do grupo com a língua materna. Atualmente são poucos os falantes da língua Arara. Conforme pesquisa lingüística realizada por Cunha junto ao grupo, foram constatados apenas sete falantes ativos, enquanto muitos adultos possuíam competência receptiva, ou seja, entendem mas não falam a língua (Cunha, 1993: 10). Devido a terem sido historicamente ridicularizados e discriminados ao falarem na língua, os Arara passaram a não mais transmiti-la a seus descendentes, gerando uma população infantil educada apenas em português. Contudo, desde o início da década de 1990 os Arara buscaram “resgatar” a sua própria língua, e têm contado com o apoio da CPI-Acre (Comissão Pró-Índio do Acre) para consolidar uma educação bilíngüe entre o grupo. Assim, muitos dos jovens e crianças Arara estão aprendendo a língua indígena com professores formados pela CPI-Acre.

Liderança Shawãdawa - Foto Francisca Arara, 2005


A língua falada pelos Arara do Acre é classificada como pertencente à família lingüística Pano, cujos falantes podem ser encontrados no Peru, na Bolívia e no Brasil. Neste último país as sociedades indígenas Pano estão situadas no sul e no oeste do Estado do Acre, de onde se estendem para leste até a parte ocidental de Rondônia e, em direção ao norte, penetra o Estado do Amazonas, entre os rios Juruá e Javari.

Encontro na primeira escola de formação de indígenas do Brasil

Em abril de 2017 aconteceu a 8ª edição do evento Abril no Acre Indígena, que é realizado pela Comissão Pró Índio do Acre, pela Organização dos Professores Indígenas do Acre e pela Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre, entre professores e agentes agroflorestais indígenas e estudantes secundaristas da cidade de Rio Branco.

Foto: Ana Luiza Melgaço coordenado pro Francisca Arara, liderança Shawãdawa, 
Durante três semanas seguidas cerca de 200 estudantes das escolas Instituto São José, José Rodrigues de Leite, Raimundo Gomes de Oliveira, João Batista Aguiar, Colégio Acreano e Colégio Estadual Barão do Rio Branco estiveram no Centro de Formação dos Povos da Floresta, a primeira escola de formação de indígenas criada no Brasil nos padrões de uma verdadeira educação intercultural, bilíngue e diferenciada, para troca de experiências e de informações com indígenas. Os estudantes secundaristas tiveram a oportunidade de conversar com os indígenas em rodas de conversas; apreciar uma exposição de esculturas indígenas, com peças feitas por agentes agroflorestais indígenas reaproveitando e reutilizando madeiras, transformando recursos naturais sem uso em arte. Uma visitação aos modelos demonstrativos do Centro de Formação e atividade de plantio no sistema agroflorestal.
Toy Art da Etnia Arara Shawãdana - menino, original - saiba como ter a sua contato@blemya.com

A atividade é educativa e integra conhecimentos nas áreas de Artes, Geografia, História, Ciências Naturais, mas pretende trazer questões sobre a convivência com povos que tem modos de vida diferentes, diversidade, respeito às diferenças, às culturas, refletir sobre sustentabilidade. Para Francisca Arara, liderança Shawãdawa, que é uma das coordenadoras do evento Abril no Acre Indígena, este intercâmbio “vai ser bom para que a gente possa conversar com a juventude não indígena, para que eles possam ter esse entendimento sobre os povos indígenas. E também do valor deles como estudante que tem um futuro pela frente, que tem que ser bem informado. Estamos há dias tentando contratar uma pessoa daqui para trabalhar com a gente. Mas tem sido difícil, não tem informação, não tem conhecimento sobre os povos indígenas. E por que temos que chamar para trabalhar com a gente somente a juventude de outros estados? Então, nisso também o intercâmbio vai ajudar”.

Gleyson Teixeira, coordenador executivo da CPI-Acre, espera que “essa iniciativa proporcione aos estudantes novos conteúdos, reflexões e a percepção da permanente contribuição dos povos indígenas para a história regional, nacional e para o debate de importantes questões socioambientais e políticas da atualidade; suas lutas, conquistas e o que os ameaçam. É uma oportunidade para divulgar linguagens e estéticas diversas, desconstruindo a ideia do exótico distante.”

Sérgio Carvalho, presidente da Fundação Garibaldi Brasil, afirma que “existe um grande abismo entre o Acre urbano, de Rio branco e o Acre Indígena. A população ainda possui um distanciamento grande dessa realidade dos povos indígenas e dos povos tradicionais. Iniciativas como essa são muito importantes para fazer uma aproximação e reconexão da própria identidade, pois muito desses jovens são descendentes de indígenas. Essa ponte entre o Acre da floresta e o Acre urbano é uma forma de reconhecer nossa própria história. Aos poucos vamos fechando essa grande lacuna. A prefeitura municipal de Rio Branco, por meio da Fundação Garibaldi do Brasil vê de primeira importância trabalhar o tema da identidade da floresta na capital do estado principalmente com jovens estudantes.”

Este intercâmbio conta com apoio da Fundação Garibaldi Brasil (FGB) e Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). Para as instituições organizadoras, o envolvimento das Fundações pode ser um passo para a continuidade desta atividade, uma vez que abordar questões indígenas na sala de aula das escolas não indígenas é um compromisso com a qualidade da educação acreana.

 Localização e ambiente

A maior parte da população Arara reside na Terra Indígena Arara do Igarapé Humaitá, cujos cursos fluviais definidores de seus limites são o Riozinho Cruzeiro do Vale (também denominado igarapé Humaitá, Leonel ou Amahuacas), afluente da margem direita do alto rio Juruá; o igarapé Nilo, afluente da margem direita do Riozinho Cruzeiro do Vale; e o igarapé Grande, formador do rio Valparaíso. [dados sobre o processo demarcatório estão no item Histórico do Contato]
Terra Indígena Arara do Igarapé Humaitá

A distribuição espacial dos Arara no interior da Terra Indígena pode ser notada principalmente na organização do grupo em três aldeias – Raimundo do Vale, Foz do Nilo e Boa Vista –, as quais não formam grandes conglomerados populacionais devido às residências estarem espalhadas ao longo das margens dos rios. A aldeia Raimundo do Vale encontra-se localizada na margem direita do Riozinho Cruzeiro do Vale. Na mesma margem desse rio situa-se também uma parte da aldeia Foz do Nilo, próxima à confluência do igarapé Nilo com o Riozinho Cruzeiro do Vale, estando o restante das residências localizadas ao longo de ambas as margens do igarapé Nilo, com uma maior concentração na margem direita. A aldeia Boa Vista, por sua vez, localiza-se na margem esquerda do Igarapé Grande, afluente do rio Valparaíso.

O acesso às aldeias ocorre geralmente por via fluvial, mas as três estão interligadas por caminhos terrestres que cortam a Terra Indígena. Os critérios determinantes desta distribuição espacial dos Arara são principalmente a facilidade de transporte proporcionada pelas residências nas margens dos cursos fluviais, a necessidade de construir as casas relativamente distantes para a manutenção da ordem social e econômica, o padrão de residência, a relação com o meio ambiente, as atividades produtivas, a organização social e o histórico de ocupação do Alto Juruá pela sociedade envolvente, bem como as migrações do grupo e as práticas de secessão (divisões internas).

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