sábado, 13 de fevereiro de 2016

Krahô

Toy art Krahô

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
116KrahôCraô, Kraô, Timbira, Mehin

UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
TO2463Funasa 2010



Nos seus dois séculos de contato com os brancos, os Krahô têm vivido reviravoltas e inversões de situação: ora aliados dos fazendeiros, ora por estes massacrados em 1940; nos anos 50 seguiram um profeta que prometia transformá-los em civilizados e em 1986 empenharam-se em uma reivindicação que implicava justamente no oposto, na sua afirmação étnica: foram em 1986 ao Museu Paulista, em busca da recuperação do machado semilunar, caro a suas tradições. Assíduos viajantes às grandes cidades, cujas ruas e autoridades conhecem melhor que os sertanejos que os cercam, com freqüência telefonam a seus esquivos amigos urbanos a pedir miçangas, tecidos e reses para abate, indispensáveis à execução de seus ritos.

Os craós, craôs, caraôs ou caraús são índios jês habitantes do território denominado kraholândia: área que compreende as fronteiras entre os estados do Maranhão, Piauí e Tocantins, no Brasil. Eles constroem suas aldeias em área circular, dividem-se em grupos políticos e somente há pouco mais de dois séculos entraram em contato com a civilização ocidental.

Grupos de Residência

A sociedade krahô se divide em grupos políticos conforme as estações da seca e das chuvas. Compartilham a mesma residência três categorias:

Elementar: grupo composto por marido, mulher e filhos. Realizam as refeições entre eles apenas, afastados dos demais membros da família e compartilham o alimento na mesma cuia.
Doméstica: Reúne vários membros do grupo elementar. Os membros dessa categoria são chefiados pelo sogro.
Residencial: grupos formados pela casa original e as contíguas: cada casa abriga as mulheres que ali nasceram e seus maridos. Com a morte do sogro, um dos genros fica com a casa, enquanto os demais constroem outras ao lado da mais antiga. As pessoas nascidas nesse grupo não casam entre si.

As casas

As casas são construídas como as sertanejas, com duas águas, não têm janelas e pouca ou nenhuma divisão interna. São cobertas de folhas de palmeira, que também forram as paredes. No interior da casa, os krahôs usam cestos de folhas de buriti pendurados para guardar mantimentos.

Os índios krahôs constroem suas casas formando um círculo, semelhante à torta de Páscoa, como se fosse uma torta cortada em fatias radiais. As casas dispostas lado a lado formam um grande círculo e de cada uma sai um caminho até o centro, chamado de pátio.

O Pátio

O pátio é chamado de ká e representa o coração da aldeia. É no pátio que os homens da tribo se reúnem para dividir o trabalho, discutir e tomar decisões importantes para a comunidade.

Rituais

Em 1986, a aldeia Krahô protestou contra a doação, ao Museu Paulista, do "machado de pedra de lâmina semilunar" e conseguiu seu retorno à tribo depois de muita disputa. A machadinha de pedra, "khoyré", é o elemento sagrado que simboliza a tradição e a vida. Os ritos se baseiam na crença no "equilíbrio dos opostos".

A tribo Krahô celebra a colheita no verão – a "festa da batata (panti)", e comemora a fartura da roça na "festa do milho (pônhê)", considerado sagrado. Cultivam, ainda, mandioca, amendoim e abóbora. Os casais são responsáveis pelo cultivo e preparam a roça para a família. Em caso de separação, a mulher fica com a produção. Depois da colheita, e só então, outros membros da tribo podem utilizar o mesmo local.

Pintura no corpo
Pintura Krahô

Os Krahôs pintam o corpo com urucum, jenipapo e carvão, conforme padrões estabelecidos por cada grupo. As crianças da tribo e as pessoas em resguardo utilizam, ainda, penas de periquito e de gavião coladas ao corpo.

Música

A música é uma das manifestações artísticas do krahô. O seu principal instrumento é o "maraca", feito de um fruto chamado "cuité".

Corrida de toras
Corrida de Toras Krahô

A corrida de toras é um rito valorizado pela tribo e conta com a participação de homens e mulheres. Durante a corrida, a comunidade se divide em duas: uma para representar a "metade do sol nascente" e outra a "metade do sol poente". A corrida se realiza depois de caçadas, pescarias e colheitas. A tora vai sendo passada adiante por cada corredor a um outro companheiro.

A corrida se faz de fora para dentro da aldeia, ou apenas dentro dela. Mas nunca se realiza do interior para o exterior. Dependendo do rito e da atividade que os índios estejam realizando, o ponto de partida pode ficar desde algumas centenas de metros até uns poucos quilômetros da aldeia. Dentro desta a corrida se faz no caminho circular, sempre no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio.
Segundo o rito que se esteja desenvolvendo, o ponto final da corrida deve ser o pátio ou uma das casas de wïtï. Este termo designa um menino ou menina, escolhido pelas mulheres ou pelos homens, respectivamente, como uma espécie de homenagem aos pais da criança. Pode-se entrar livremente na casa de wïtï e qualquer um ali recebe alimento.

Os Times

Os corredores se dividem em dois grupos. Mas não são sempre os mesmos “times” que disputam a corrida. A divisão varia com os ritos. Estes grupos, a que se costuma chamar de metades, são os seguintes:

A) Wakmẽye x Katamye
B) Khöikateye x Harakateye
C) Khöirumpekëtxë x Hararumpekëtxë
D) Papa-méis x Abelhas
E) Papa-méis x Muriçocas
F) Papa-méis x Gaviões
G) Marrecos x Gaviões
H) Lontras x Peixes

Todo indivíduo, seja homem, seja mulher, ao receber seu nome pessoal, transforma- se automaticamente em membro de uma das metades indicadas pela letra A, pois cada nome pessoal está associado a uma delas. O mesmo acontece com as metades da letra C, mas apenas para os indivíduos do sexo masculino. Mais detalhadamente, cada metade da letra C se divide em quatro subgrupos (Corujas, Tatupebas, Urubus, Periquitos-Estrelas, incluídos na primeira: Raposas, Gaviões, Periquitos, “Civilizados”, na segunda); cada homem, devido a seu nome pessoal, pertence a um desses subgrupos. As metades da letra B se dividem em classes de idade; cada homem é incluído numa dessas classes a partir do início da adolescência, aproximadamente. Quanto às metades indicadas pelas letras D, E, F, G e H, cada homem escolhe pertencer a uma delas ao começar o rito que lhes corresponde; qualquer um pode passar para a metade oposta quando o mesmo rito volta a se repetir.

Tipos de toras

A grande maioria das toras é confeccionada com tronco de buriti. Mas as formas variam segundo os ritos. Citarei alguns exemplos para dar uma ideia dessa variabilidade.

Durante a estação seca, os índios correm com um par de toras chamadas Wakmeti. São cilindros de buriti, cuja altura é menor que o diâmetro da base. Geralmente trazem, nas suas bases, desenhos geométricos em cor vermelha. O contrário ocorre na estação chuvosa, quando se utilizam as toras Katamti, também de buriti, mas de altura maior que o diâmetro, e com desenhos negros nas bases. O Katamti varia muito de tamanho; pode ser maciço, bem escavado em cada base ou completamente oco.
Aldia Krahô e a corrida de toras - abaixo os tipos de toras Wakmeti, cilindros de buriti, cuja altura é menor que o diâmetro da base. a corrida é feita na parte exterior da aldeia radial, sempre em sentido anti-horario

Toda tora tem pelo menos uma rasa cavidade, formando uma borda pela qual o corredor a segura com a mão, a fim de mantê-la firme aos ombros.

Há, entretanto, um par de toras, usado uma vez por ano, em que essa cavidade se reduz a um pequeno furo no centro de cada base. Essas toras se chamam “Buraco de Pica- Pau”, sem dúvida numa alusão a seus pequeninos orifícios. Já as toras Perteré, com que também se corre uma vez por ano, ao invés de cavidades, dispõem de cabos, que as atravessam pelo eixo, dando-lhes a aparência de grandes rolos de esticar massa de pastel. Não são de buriti e os corredores as mantêm aos ombros segurando-as pelos cabos.

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