domingo, 7 de fevereiro de 2016

Xicrin

Toy Art da etnia Xicrin

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
108XikrinKaiapó, Caiapó, Gorotire, Mekrãgnoti, Kuben-Kran-Krên, Kôkraimôrô, Metyktire, Xikrin, Kararaô, Mebengokre
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT, PA8638Funasa 2010



Os Xikrin, grupo de língua Kayapó, enfatizam a audição e a palavra. A fim de aguçar estas qualidades, os Xikrin perfuram, logo na infância, os órgãos correspondentes (orelhas e lábios). Ouvir está diretamente relacionado ao saber, à aquisição do conhecimento. A oratória, por sua vez, é uma prática social muito valorizada, como para os grupos kayapós em geral, que se definem como aqueles que falam bem e bonito – Kaben mei – em oposição a todos os outros povos que não falam sua língua. O dom da oratória é atributo dos homens e envolve discursos inflamados, realizados no centro da aldeia.

Os índios Xikrin contam que seus antepassados viviam no céu. Um dia, dois meninos estavam caçando tatu e cavaram tão fundo que abriram um buraco no céu. Lá de cima, eles viram o mundo aqui de baixo, acharam bonito e chamaram os outros índios.

Eles fizeram uma longa corda, unindo fibras, laços e cordões de toda a aldeia; e desceram para viver na Terra. Não vieram todos os índios. Alguns decidiram ficar no céu, e as luzes das estrelas que vemos hoje em dia são as fogueiras que esses índios fazem lá.

Os indígenas que desceram viviam todos juntos até que um dia descobriram uma grande árvore, às margens do rio Tocantins, da qual nasciam diversas espigas de milho. Eles derrubaram a árvore para plantar as sementes, porém à medida que recolhiam os grãos do milho, começaram a falar línguas diferentes, e se separaram em diversas tribos distintas.

Uma dessas tribos chamava-se mebengokrê. Os não-índios os chamam de "kayapós". Certo dia os mebengokrê faziam uma cerimônia de iniciação quando houve um desentendimento entre os homens mais novos e os mais velhos. O grupo se dividiu em outros menores. O grupo que foi viver mais ao norte deu origem aos índios Xikrin de hoje.

História dos Xikrin (segundo os não-índios)

Até o fim do século XIX, os não-índios recebiam apenas informações imprecisas sobre o que acontecia em certas regiões de Mato Grosso e Pará. Sabiam que ali havia alguns grupos de índios guerreiros, que não usavam arco e flecha, mas apenas bordunas para golpear os adversários. Os homens brancos chamavam a esses índios de "kayapós"."
Criança Xicrin vestida para a festa do Tatú

"O primeiro contato permanente entre não-índios e os Kayapós aconteceu somente em 1890, onde hoje fica a cidade de Conceição do Araguaia, no Pará. Um grupo Kayapó, apelidado de "pau d'arco", cansou de lutar e recebeu os homens brancos de maneira amigável. São deles as primeira informações confiáveis sobre os demais grupos Kayapós; inclusive os Xikrin, que viviam ao norte da região. Os índios contaram que havia outros Kayapós espalhados nas matas da região que evitavam os não-índios. Os "pau d'arco" foram extintos, quarenta anos depois do contato, por doenças e por conflitos com os colonos que chegavam à região."

"Na mesma época, fim do século XIX, os Xikrin fugiram dos colonizadores brancos e rumaram para o norte, na região onde vivem até hoje. Lá só voltaram a encontrar os brancos no início da década de 60. Ocorreram muitas mortes por causa de doenças mas desde então sua população cresce de forma constante."

"Os índios Kayapó dividem-se em vários sub-grupos: Gorotire, Metutire, Mekrãgnoti, Xikrin, etc... Todos eles falam línguas semelhantes, possuem costumes e mitologia em comum, e chamam a si próprios de mebengokrê. Cada um desses sub-grupos se identifica com um segundo nome, relativo ao sub-grupo. Mais ou menos como um não-índio que se identifica como brasileiro e também como carioca, ou gaúcho, ou mineiro, etc... Os índios Xikrin chamam a si próprios de "putkarôt". Dentro da família Kayapó, os Xikrin são os índios com costumes e língua mais diferentes em relação aos demais sub-grupos. Estima-se que a separação entre eles e os demais Kayapós aconteceu no início do século XVIII. "

Nenhum comentário:

Postar um comentário