segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Urubu - Ka'apor

Urubu Ka'apor


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
71Ka'aporUrubu Kaapor, KaaporTupi-Guarani
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MA, PA991Funasa 2006



Os Ka´apor surgiram como povo distinto há cerca de 300 anos, provavelmente na região entre os rios Tocantins e Xingu. Talvez por causa de conflitos com colonizadores luso-brasileiros e com outros povos nativos, iniciaram uma longa e lenta migração que os levou, nos idos de 1870, do Pará, através do rio Gurupi, ao Maranhão. Colonizadores brasileiros que atacaram e aniquilaram aldeias Ka'apor, por volta de 1900, ficaram surpresos ao descobrirem esplêndidos cocares de penas coloridas dentro de pequenos baús de cedro, que os sobreviventes, em fuga, teriam deixado para trás. Quando as autoridades brasileiras tentaram "pacificá-los" pela primeira vez, em 1911, os Ka'apor, como os Nambiquara no Mato Grosso, eram considerados um dos povos nativos mais hostis no país . Tal pacificação, tanto dos Ka'apor quanto dos karaí (não índios), ocorreu em 1928 e durou por quase 70 anos. Recentes invasões da terra dos Ka´apor pelos Karaí, entretanto, ocasionaram novas hostilidades e estão colocando a sobrevivência étnica dos Ka´apor novamente em risco.

Arte Plumária Urubu Ka’apor

Os índios Urubus Ka’apor do maranhão se destacam, hoje em dia, como os mais autênticos representantes da tradição plumária dos antigos Tupi que habitavam a costa por ocasião da descoberta. Pelo virtuosismo da execução e delicadeza das formas, em que, usando plumas e penas de dezenas de aves recompõem a morfologia dos pássaros, os adornos plumários Ka’apor foram definidos como “joias de penas”.

Distinguem-se entre essa etnia os adereços femininos e masculinos. É apanágio masculino o uso do acangatar, diadema de penas amarelas do Japu (Ostinops decumanus), que representa o sol, dado a eles por Maíra, o criador. A parafernália completa masculina, usada nos cerimoniais, principalmente no de  nominação das crianças, é composto por:
Tembetá, Colar, Acangatar e Colar apito Urubu Ka'apor

1 – Tembetá - ornitoforma, compõe-se de uma pena base de cauda de arara canga, que, na parte inferior, recebe uma incrustação de pele e respectivas plumas de tons azuis e negro. Em sentido diagonal, dispostos em maneira de asas, aparecem fios, destacados das penas mais longas ( da arara). Na parte superior do tembetá aparecem penas azuis em mosaico.

2 - Colar - apito de cúbito de ave. Ladeado por feixes de penas caudais de arara. É utilizado sobre o peito com um pingente que pende sobre o dorso (também ornitofomo).

3 - 0 Braçadeiras - plumas alaranjadas de papo de tucano com uma representação bastante realista de flores.

4 - Brincos, pulseiras e testeira - esta última é revestida internamente por uma fina camada de látex para aderir à pele - confeccionados com penas de saí.

O principal elemento feminino é sem duvida os reconhecíveis colares emplumados femininos, com cordão de amarrações de plumas de papo de tucano, o distinto azul claro das penas caudais e peitorais de anambé azul (Cotinga cayana) e emblemas centrais em forma de quadrados com penas vermelhas do saurá (Phoenicircus carnifex). 

Um comentário:

  1. E a Língua de Sinais usadas por eles, uma vez que grande da população nasceu ou ficou surda com a idade? Nela você não falou...

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